Pineal (Glândula)

PINEAL (GLÂNDULA) – COMPILAÇÃO

01- Forças sexuais da alma – Jorge Andréa – pág. 14, 89

INTRODUÇÃO
Nos dias de hoje, as explicações mais acessíveis sobre o destino humano recaem no espiritualismo, pela incapacidade que o setor materialista apresenta de uma resposta lógica ou, pelo menos, algo que satisfaça o pensamento inquieto do mundo moderno.O destino humano fica, assim, atado ao problema sobrevivência, onde a energética espiritual imortal, de período em período, variável com a evolução de cada ser, retorna ao mundo corpóreo, arcabouço ideal à evolução da individualidade.

Sem esse pensamento ficamos em campo reduzidíssimo e sem explicações para os problemas que estão reclamando uma resposta. A individualidade açambarcaria uma totalidade, seria o ser integral construído através de imensas vivências nos campos físicos (personalidades) que ocupa. A energética espiritual, individualidade ou espírito, pelo mecanismo palingenético, será responsável pela formação de todo o arcabouço corpóreo que lhe atenderá um respectivo período. O que vale dizer, ser o espírito o Élan Vital que se responsabiliza pela onda morfogenética da espécie a que pertence.

Entendemos como espírito, ou zona inconsciente, a conjuntura energética que comandaria a arquitetura física através das telas sensíveis dos núcleos célulares. O espírito representaria o campo organizador biológico, encontrando nas estruturas da glândula pineal os seus pontos mais eficientes de manifestações. A glândula pineal seria realmente o casulo das energias do inconsciente, a sede do espírito, pela possibilidade de ser a zona medianeira de transição entre o energético e o físico. Descartes, em sua época, já afirmava, em concordância com os filósofos de Alexandria, que a alma era o hóspede misterioso da glândula pineal.

Além do mais, a biologia nos informa sobre as correlações do sexo e glândula pineal, onde alguns psicologistas perceberam os seus desvios; porém, as análises e estudos realizados ficaram na superfície do psiquismo (zona consciente), sem a devida penetração nas telas do espírito. Os grandes vórtices energéticos do inconsciente estariam nos vórtices de caráter sexual, da mais alta importância na construção evolutiva do espírito, quando devidamente conduzidos. Haverá sempre possibilidade de alcançarmos as dimensões superiores, em busca do que é mais divino e puro através da segura construção dessas ilhas dinâmicas do inconsciente, quando o setor sexual se expande harmoniosamente na esfera física.

Estando na profundidade do espírito os vórtices dinâmicos do sexo, é claro que a definição sexual de uma determinada personalidade (corpo físico) será consequência das necessidades que a individualidade (espírito ou zona inconsciente) reclama para se construir. É de tal ordem o comando energético dos vórtices que podemos denominar de sexuais, que Freud criou a sua psicologia, unicamente com eles, e Jung fez um interessante estudo de análise psicológica limitando-os a determinados setores e catalogando os responsáveis arquétipos (anima-feminino, para a personalidade masculina e animus-masculino, para a personalidade feminina), em suas naturais oposições, próprias da psicologia junguista.

Entendemos que os vórtices das energias sexuais do inconsciente vêm de núcleos em potênciação (focos energéticos do inconsciente e responsáveis pela orientação da zona consciencial) como que aderidos energeticamente às emanações de uma força criativa (zona central do inconsciente ou espírito); por isso, bastante potentes, apresentando caráter construtivo, por excelência. São vórtices que se responsabilizam pelo amor em todos os graus e variedades que cada ser possa apresentar. É nessa região do inconsciente, pela sutileza das energias aí contidas, como, também, pelas máximas expressões do psiquismo humano, que se alojaria a essência da vida, o EU, o centro da Individualidade.

O despertar das "razões internas", refletidas no denominado "encontro consigo mesmo", poderá dar-se através do desenvolvimento harmônico e equilibrado do sexo. Assim, as expressões sexuais serão as mais significativas da esfera vital do ser quando ligadas, pela nobreza e qualificativos, à esfera das emoções mais puras. O sexo em seus diversos graus e matizes está ligado aos sentimentos nobres da alma, embora em suas realizações, no terreno físico, à zona consciente. A glândula pineal seria o campo medianeiro de todo esse mecanismo. O vórtice espiritual das energias sexuais em suas manifestações no corpo físico, nos animais superiores até o homem, necessitariam da glândula pineal como uma zona adaptatória ou de filtragem.

A glândula pineal deve ser considerada a glândula da vida psíquica
; a glândula que ilumina toda a cadeia orgânica, orientando as glândulas de secreção interna através das estruturas da hipófise. Freud, no estudo da patologia psíquica, percebeu os desvios das energias do inconsciente que se dariam pelas telas da glândula pineal, porém homologou as suas pesquisas exclusivamente como resultantes das estruturas físicas cerebrais; não mergulhando na essência espiritual, os seus pensamentos limitaram-se aos símbolos e efeitos de superfície. Jung foi um pouco mais longe quando percebeu o majestoso oceano das energias do inconsciente.

Seria por intermédio dessa glândula que os fa-tores propulsores da evolução espiritual (renúncia, uso equilibrado do sexo, tolerância, bondade, abnegação e disciplina emotiva por excelência) alcançariam índices bastante apreciáveis. A glândula pineal seria a tela medianeira onde o espírito encontraria os meios de aquisição dos seus íntimos valores, por um lado, e, pelo outro, forneceria as condições para o crescimento mental do homem, num verdadeiro ciclo aberto, inesgotável de possibilidades e potencialidades.

O sexo estaria ligado as mais nobres funções de sentimentalidade, havendo verdadeira entrosagem em todos os planos da vida, onde o próprio prazer do ato sexual deve representar, quando bem dirigido, poderosa construção para o EU, tanto maior quanto mais visado for o ato procriativo. Não se pode deixar de afirmar, com razão, que a evolução espiritual estará também ligada à utilização equilibrada do sexo. Quando o prazer se rebaixa e é desarmonicamente dirigido, o sexo regride, desenvolve-se naquilo que é exclusivamente animalidade e degrada-se. Daí, a necessidade de educação e conduta bem orientada para não haver confusões (tão comuns pelas nossas heranças religiosas) e para não considerarmos imoral tudo o que diz respeito ao sexo.

Atentemos, também, que o sexo ainda não é moral devido a nossa evolução. Devemos aprender a andar corretamente em seguras direções. Ninguém nasce de espírito evoluído caminhando, sem tropeços, na estrada estreita e correta da evolução. Os erros são muitas vezes necessários, porém que sejam corrigidos imediatamente. Até a queda, que vai além do erro, é admissível quando se cai "para frente" e se deseja levantar ganhando sempre algum terreno e o aprendizado da lição.

Não estamos defendendo erros e consequências das baixezas instintivas, mas, sim, admitindo experiências no setor humano. O sexo bem dirigido (tendência à monogamia ou castidade construtiva) é sinônimo de ascensão, de conquista evolutiva. O sexo mal dirigido (tendência à poligamia ou renúncia sem sentido, sem aplicação das energias acumuladas nos setores de construtivas atividades) é desarmonia e motivo de queda. Não é a renúncia e ausência de sexo físico que eleva. O sexo deve ser observado e equilibradamente utilizado nas fases da vida: mocidade, maturação e velhice.

Mesmo quando não há mais necessidade do contacto sexual (da complementação física), o sexo continua presente, desenvolvendo funções mais altas e com maior significado — a fase física foi suplantada. A castidade quando alcançada deverá ser sempre observada sem tormentos, em qualquer fase da vida. Quando na organização física suplantamos todas as fases do sexo, em suas harmoniosas vivências, atingiremos, na posição espiritual, degraus mais significativos, para nós desconhecidos, de uma fase supersexual.

Nessa fase superior de emoções mais nobres, caracterizando uma supersexualidade, as correntes energéticas ligadas aos ajustados implementos sentimentais do espírito expandiriam-se em paroxismos desconhecidos aos sentidos animais ainda rudes; e o ser, mais bem fixado, compreenderá que na fase animal não podemos nem devemos correr o risco de impor uma "castidade sem sentido", onde os tormentos da mente estarão sempre presentes. Castidade nem sempre é ausência; castidade é ordem, é harmonia mental, é função sexual equilibrante com mente sadia e troca de vitalidade entre dois seres que se amam, com ajuda dos órgãos sexuais ou sem eles; neste último caso, utilizando as "mensagens do espírito" na ajuda real ao próximo e no dever cumprido de integral realização.

Na espécie humana, quando a conjuntura sexual se desenvolve normalmente através dos órgãos sexuais, o departamento cerebral é o comandante imediato e a glândula pineal será o órgão, por excelência, de controle e direção. Desse modo, a zona consciente será o local das correspondências sexuais e, como tal, a zona dos tormentos e ansiedades quando nos encontramos em veredas incertas e desarmonizadas; portanto, não há tormentos dos órgãos sexuais e sim mentes atormentadas pelo descontrole vibratório do sexo mal dirigido.

No trabalho mental bem conduzido, ocupação inteligente pelas tarefas positivas que neutralizam os momentos vibratórios negativos, está o corretivo para o espírito necessitado. O espírito encarnado encontraria no corpo físico, pelo esquecimento das vidas pregressas, a possibilidade de formação de novas tendências, verdadeiros reflexos condicionados que, em se transformando em reflexos incondicionados ou do espírito, neutralizarão e apagarão os erros que, quando persistentes, constituirão fatores de retardo evolutivo.
Sexo é vida, é evolução, quando as emoções pulsam nas asas do bem comum.

Sexo é luta, tormento, desequilíbrio, atraso evolutivo, quando abastardamos os sentimentos na satisfação sexual temporária animal, que não acompanha o sentido maior da vida, onde estão sempre presentes os implementos da sinceridade e trocas de afetividades.
Pela morte do corpo, carrega o espírito, no seu estofo, toda a desarmonia que provocou e, em nova reencamação, levará na mente atribulada as tendências desequilibrantes, que somente o esforço, disciplina e bom senso podem encarregar-se do equilíbrio reconstrutivo.

Daí a necessidade de impor-se, nas mentes em desalinho de ordem sexual, a disciplina corretiva para que as células sexuais, células de maior teor de vitalidade do organismo, não sejam utilizadas indevidamente (contactos sexuais sem justas razões afetivas ou renúncia sexual sem as necessárias condições); isto é, para que não haja dispersão da "seiva energética". Esta, em sendo absorvida, criaria, pela potencialidade vibratória, noutros setores, principalmente da área mental no ponto referente à abertura das janelas da inspiração, as percepções maiores dos campos do psiquismo, onde se projetam as vivências maiores da superconsciência. Isso porque, no contacto sexual, existe uma fabulosa troca de energias entre os dois elementos participantes, as quais, espalhadas por todo o corpo físico, serão aos poucos absorvidas pelo psicossoma (capa envoltora do espírito), nutrindo, dessa forma, os vórtices profundos do inconsciente; conseqüentemente, tal fato deve ser considerado um dos baluartes evolutivos do ser.

Na castidade construtiva o ser haure condições e forças que logicamente reduzem as etapas reencarnatórias, pelo afastamento imediato dos compromissos ligados ao outro ser, nas imensas e quase sempre necessárias trocas de energia. Porém, nem todos se encontram em condições de efetuar a expressiva função magnética, à custa das energias vibracionais das emoções (sede da vida), realizando a felicidade tão-somente na permuta dos abraços, beijos e contactos leves de corpos, nos cumprimentos efusivos e nas criações inspirativas de toda natureza. Somente um pequeno número de indivíduos estará capacitado a realizações desse jaez, pois a maioria tem que responder pelo grau evolutivo da terra, onde a procriação só se dará através da união dos corpos físicos.

Conseqüentemente, o sexo, a função sexual, no estágio em que se expresse, é sempre construtiva quando em equilibrado uso. O abuso afrouxa os centros de força do psicossoma (chacras) pelos desajustes energéticos, deixando uma verdadeira opacidade na vontade e outros setores emocionais, revelados pelos distúrbios do sistema nervoso neuro-vegetativo, não permitindo aquela claridade e harmonia, sempre presentes num espírito lúcido que avança no caminho positivo da evolução.

O ser que tenta extirpar a sua energia sexual de periferia, sem tê-la vivido e suplantado devidamente, criará graves erros com profundas raízes destoantes, porquanto se está antepondo à sua própria potência de derivação. As forças sexuais representam componentes do próprio impulso criativo; se lhe fazemos cortes e desvios indevidos criaremos mecanismos outros que, por sua vez, exigirão correções. Tentar silenciar essas forças é tentar destruir o próprio indivíduo. Devemos, sim, aperfeiçoar, cada vez mais, os canais de manifestação dessas forças que, além de se encontrarem nos órgãos sexuais da zona física, também estão presentes nos campos psicológicos criativos do psiquismo de profundidade.

É claro que o deságüe da energética espiritual é variável em graus e tonalidades. Enquanto uns estão nas exclusivas derivações do sexo físico, com atendimento dos sentidos e sob impacto da mente consciente, outros encontram-se nos sublimes vôos das energias criativas da alma. Enquanto uns estão frenando o sexo no corpo físico como coisa degradante, outros estão criando e bendizendo nas harmônicas forças criativas. Os primeiros estão recalcando forças que um dia explodirão com todo o cortejo patológico da sintomatologia psíquica; os segundos encontraram o caminho pelo ajustamento, naturalidade e equilíbrio de conduta.

Viver em harmonia a fase em que nos encontramos é como que ser aceito pela própria evolução. A atitude sadia diante da vida sexual, seja qual for a fase do ser, será sempre beleza sem degradação. A sexualidade, em si, nunca se corrompe; as atitudes humanas, com seus instintos deformados e ampliados pelo mal, são uma fonte constante de respostas negativas. O homem, quanto menos evoluído, mais o seu impulso sexual é instintivo sem o cortejo de emoções apuradas, qual acontece nos mais evoluídos. No início da evolução o homem é puro instinto, é a força abrasadora que busca escoamento.

Posteriormente, as vestiduras das emoções vão como que intelectualizando o instinto primitivo, dando-lhe outras conotações, fomecendo-lhe outras possibilidades. Quanto mais em baixo, mais estará guindado aos impulsos determinísticos do instinto animal. Quanto mais para cima, mais ampliação das forças sexuais em inúmeras atividades; é como se houvesse uma difusão do amor, onde os gestos nobres e a fraternidade desfraldassem a sua bandeira. Podemos dizer, também, que os jovens, mesmo os mais evoluídos dentro do panorama reencarnatório, ainda possuem os ímpetos da jovialidade de reduzidos controles em face das forças sexuais; à medida que alcançam determinada idade, onde as solicitações sexuais do corpo físico encontram-se diminuídas, possibilitam aberturas nos campos de atividades das forças sexuais de profundidade.

A velhice do corpo físico não significa apagamento da força sexual. Aquele que dignificou seus campos sexuais, quando na organização física, estará sempre apto para a vivência nas posições supersexuais, isto é, os campos que transcendem o sexo da zona física, onde nunca existirão perdas de energias, mas suplantação e ganho de novas potencialidades. E, assim, vai o ser vivenciando novos campos sexuais, de modo cada vez mais penetrante, mais autêntico e verdadeiro, em busca da própria alma. À medida que nos afastamos do sexo de superfície (zona física), nos integraremos no sexo de profundidade (zona espiritual). Para isso, entretanto, haverá necessidade de experienciarmos todas as fases, vivenciar todos os degraus, enfim, termos de caminhar harmonicamente, descobrindo e percebendo, no dia-a-dia, as auroras que se sucedem às madrugadas bem vividas. Desse modo, o ser mergulhará, sempre, para dentro de si mesmo e descortinará o "Cristo Cósmico" que o anima e impulsiona.

 energia sexual, em todas as suas posições de desenvolvimento, quer seja desencadeada pelo contacto sexual no corpo físico e deslocada para as construções da vida emocional, quer seja derivada para as construções artísticas por excelência, representaria sempre um combustível fabuloso que o homem poderá utilizar no caminho para Deus. A queima indevida desse combustível, em quaisquer de suas faixas, seria o desvio do caminho e perda de possibilidades aquisitivas que toda essa energética específica pode propiciar.

GLÂNDULAS E HORMÔNIOS SEXUAIS
As glândulas de secreção interna, conforme conceituação de Claude Bernard, produzem substâncias apropriadas, os hormônios, com respectivo lançamento na corrente sanguínea, a fim de exercerem influências específicas na organização física.Os mecanismos das glândulas de secreção interna estão às expensas, principalmente, da glândula hipofisária, cujos princípios influenciam nas dosagens a serem aproveitadas pelo organismo.

Os hormônios são fabricados pelas glândulas em quantidades mínimas, porém com efeitos surpreendentes. Por isso é que o trabalho de uma determinada glândula endócrina sofre ativações e regulações das demais e de modo específico pelos princípios hipofisários.
A glândula pineal, situada na zona medianeira dos órgãos encefálicos, por intermédio de seus princípios, principalmente a melantonina de constante ritmo secretório, teria uma grande influência em toda a cadeia glandular.

Escrevemos alhures "Com os gritos da puberdade, aos 14 anos em média, a pineal, chefiando a cadeia glandular e mais condicionada pelo desenvolvimento físico do indivíduo, seria campo de distribuição de energias vindas dos vórtices da zona espiritual. Destarte, responderia pelos mais altos fenômenos da vida — "glândula da vida espiritual" — e podendo ser elemento básico e controlador das razões afetivas, e o sexo em suas múltiplas manifestações dependeria integralmente de sua interferência.

"Estudos mais recentes indicam que a glândula pineal é um "relógio biológico" complicado e sensível que regula a atividade das gônadas. Os Drs. Richard J. Wurtman, de Massachusetts, e Julius Axelrod, do Instituto de Saúde Mental dos Estados Unidos, esclarecem que a pineal converte a atividade nervosa cíclica, gerada por mudanças de luz no meio ambiente, em informação endócrina."

"Pelos estudos acima enumerados, percebemos a influência diretora da glândula pineal sobre a cadeia glandular do organismo. A ligação que mantém com o hipotálamo e outras zonas nobres do sistema nervoso central é evidente, como também, a influência que exerce no sistema nervoso neuro-vegetativo. Desse modo, jamais poderemos afastar a glândula pineal da participação de inúmeras funções orgânicas, direta ou indiretamente, assim como da acentuada correlação no setor psíquico.

"Haveria por parte da glândula pineal, um elemento energético especializado que, por vias apropriadas, pudesse anunciar a sua presença de comando nos diversos setores orgânicos? A hipótese de uma energia atuante, dominando os departamentos anatômicos, não deve constituir absurdo; não podemos negar a existência de uma energética psíquica, dentro e fora do organismo, emitindo vibrações (psicótons). Existiria na glândula pineal um campo energético, dimensionalmente mais avançado, utilizando seus controles glandulares? As manifestações da Energética Espiritual poderiam manipular essa credenciada usina orgânica?

Seria a glândula pineal o ponto de maior expressão da organização física e, como tal, um abrigo para a Energética Espiritual? Haveria nessa região glandular um feliz acasalamento entre espírito e matéria? "Por que não admitir a pineal — devido à sua situação absolutamente central em relação aos órgãos nervosos, das unidades glandulares que dirige, dos elementos somáticos que influenciam, do sistema neurovegetativo que atua e controla — como sendo o Centro Psíquico, o Centro Energético, o Centro Vital, que se responsabilizaria pela ativação e controle de todos os atos orgânicos, desde os mais simples até os fenômenos mais altos da vida? 

"Podemos considerar a pineal como sendo a glândula da vida psíquica, a glândula que resplandece o organismo, acorda a puberdade e abre suas usinas energéticas para que o psiquismo humano, em seus intrincados problemas psicológicos, se expresse em vôos imensuráveis." Ainda não se conhece com detalhes o modo de atuação dos hormônios, embora já se saiba que eles se ligam aos chamados receptores hormonais (certas proteínas) e, para desencadearem quimicamente as suas ações, excitam determinadas zonas nobres do núcleo celular ao nível do ADN (ácido desoxirribo-nucleico) cromossômico.

É bem possível que os hormônios, pela sua estrutura bionergética, tenham ações específicas nos genes dos cromossomos; isto é, as substâncias dessa categoria, pela sua própria emissão vibratória, seriam absorvidas pelas camadas energéticas da organização animal, os chamados campos organizadores ou psicossoma, pelas telas dos genes cromossomiais, de modo a manter um campo mais expressivo de inter-relações. (…)

07 – Palingênese, a grande lei – Jorge Andréa – pág. 63, 83, 105

Glândula Pineal ou Epífise Aspecto Histofisiológico
A glândula pineal ou epífise foi bastante conhecida dos antigos, fato observado através das descrições existentes. A Escola de Alexandria participou ativamente nos estudos pineais que se achavam ligados às questões de ordem religiosa. Os gregos conheciam-na por conárium e os latinos por glândula pinealis. Estes povos, em suas dissertações, localizavam na glândula pineal o centro da vida.

Muito mais tarde, os trabalhos sobre a glândula se enriquece com Ambroise Pare, Vesale e tantos outros, que admitiam tratar-se ora de um gânglio linfático, ora duma verdadeira glândula com funções específicas. Maiores detalhes foram observados com os trabalhos de De Graaf, Stenon e Descartes. Este último fez interessantes e detalhada descrição, atribuindo à pineal papel relevante que se tornou conhecido até os nossos dias; para ele, a alma era o hóspede misterioso da glândula pineal.

Com as pesquisas embriológicas, de anatomia comparada e posteriormente os estudos histológicos, abrem-se novas luzes, onde Faivre assinala a presença de elementos nervosos e concreções. Remak e Weigert descrevem a histogênese. Apesar do aparecimento de novos campos de trabalho, os pesquisadores deram interpretações variadas que não diferem em muitos pontos das descrições clássicas. O estudioso e competente Leydig admitia ser a glândula pineal o órgão responsável pelo "sexto sentido". No começo deste século, os estudos tomam maior incremento com observações mais aprimoradas. Em nossos dias, apesar de experimentações mais meticulosas, ainda não temos definitiva interpretação sobre sua real função; daí as divergências nas hipóteses apresentadas.

As pesquisas embriológicas, em certos animais vertebrados (lacertídeos), notificaram a presença de um elemento, que denominaram olho pineal, considerado por muitos como um órgão sensorial destinado à visão de certos animais fósseis. Seria um órgão vestigiário, um órgão em regressão, cuja presença nos animais mais avançados na escala zoológica representa o resquício do olho ímpar de certos invertebrados? Inúmeras experiências foram feitas nas diversas espécies animais a respeito do olho pineal, e as conclusões são contraditórias e pouco razoáveis. Nos sáurios, apresenta-se bastante desenvolvido — o polo distai possui células altas que se expressam com biconvexidade, semelhante ao cristalino. A cavidade é comparável ao corpo vítreo; existe uma retina simplificada resultante de pigmentações: no hemisfério proximal evidencia-se um rudimento de coróide.

Poderíamos pensar que o olho pineal, em vez de ser um elemento regressivo, com tendência ao desaparecimento, fosse, ao contrário, um elemento em desenvolvimento. Do olho externo e ímpar de certos animais haveria, aos poucos, nos lentos e meticulosos processos de mutações e transformações evolutivas que desconhecem o tempo, uma inflexão para o interior da caixa craniana, tomando características histológicas especiais sem perderem aquelas de sua origem. Atenderia esta formação ao controle de funções de alta relevância para o animal, tais sejam os diversos mecanismos dos instintos, com tonalidades próprias, conforme o desenvolvimento da espécie. Com o aprimoramento progressivo em relação à escala zoológica, portanto evolutivo, iria aparecendo ao lado do olho pineal o divertículo epifisário, até que no homem alcançaria, em conjunto com as parafises (formações embriológicas mais ou menos constantes) , o estado mais completo do desenvolvimento pineal.

Desse modo, o olho pineal poderá ser visto como o ponto em que se iniciam os verdadeiros alicerces da glândula pineal e, como tal, o início da Individualidade Espiritual — as expressões de um EU em formação —, não existente nos invertebrados, cuja zona espiritual deve fazer parte de um conjunto próprio da espécie, sem as nuanças que caracterizam o indivíduo, o EU. (*). Lógico seria admitir que, à medida que a escala zoológica avança, os instintos se desenvolvem atingindo os seus mais altos graus, sendo que, na espécie humana, a glândula pineal responderia pelos mecanismos da meditação e do discernimento, da reflexão e do pensamento e pela direção e orientação dos fenômenos psíquicos mais variados.

(*) — Nota: A pineal seria o órgão por onde o psiquismo profundo (espírito) se expressaria no soma. Devido a essa condição, a partir dos répteis, lacertídeos mais precisamente, podemos considerar como o início da individualização da energia espiritual; isto é, nesse momento a energia espiritual dos seres vives, que deverá ser representada por um "sincicio energético" (alma grupo das espécies), começa a ter individualidade — EU. Os deslocamentos dessa energia psíquica ou espiritual que adquiriu individualidade, quando na matéria (animais a partir dos lacertídeos) ou na dimensão que lhe é própria (desencarnação), passaria, doravante, a não mais pertencer ao patrimônio energético da espécie (sincicio energético ou alma grupo). Teria os seus limites próprios e seria um EU ou Individualidade, impulsionando na matéria a espécie e forma que lhe é afim, promovendo, desfarte, a evolução. Assim, os seres vivos, quer vegetais ou animais até determinados anfíbios, as suas respectivas essências psíquicas ou energias espirituais pertenceriam ao grupo (alma grupo), a espécie de que fazem parte. A partir dos lacertídeos, entretanto, haveria como que um desligamento no "sincicio energético", de uma série de vórtices, pontos centrais e vitais das respectivas Individualidades que se emanciparam energeticamente de suas próprias fronteiras. O EU indestrutível se afirmou, desligando-se dum determinismo compulsório para a conquista de mais um degrau evolutivo, embora ainda determinismo, bases do futuro livre arbítrio da espécie humana. Nos lacertídeos, as amiudadas reencarnações de suas energias espirituais em maturação, determinariam na massa cerebral marcos tão violentos que a estrutura química começaria a sofrer modificações no sentido do aparecimento do olho pineal, zona que evolve para a futura glândula pineal, local e sede onde mais bem se projetaria a quase totalidade dessa potente energética.

A glândula pineal ou epífise, na espécie humana, ocupa uma posição central em relação aos órgãos nervosos. Está situada numa verdadeira goteira que é o leito pineal, para diante do cerebelo, acima dos tubérculos quadrigêmeos e por baixo do corpo caloso. Mede 6 a 8 mm de comprimento por 4 a 5 mm de largura e 2 a 5 mm de espessura, sendo o peso médio de 0,16 gr. Sua configuração é semelhante a uma pinha (na criança), donde o nome, tornando-se achatada no adulto, podendo ter forma triangular ou ovalar. De cor rósea. Está revestida por uma cápsula conjuntiva que, além de proteger o órgão, lhe serve de sustentação em determinados pontos, onde adere as formações vizinhas, principalmente pelo pedículo.

Da periferia para o centro divisamos um tecido conjuntivo composto de fibras colágenas e elásticas, formando verdadeiras traves até o centro do órgão no seio das quais lançam-se vasos em abundância, penetrados através da cápsula por pequenos orifícios, que alcançam as partes mais nobres do órgão. Os linfáticos, igualmente, distribuem-se por toda área glandular. Esta abundante vascularização da pineal representou, para Roux e sua escola, a significação de um verdadeiro órgão glandular.
Nas zonas de tecido conjuntivo evidenciaram-se formações celulares da micróglia, células basófilas tipo mastzellen, células arredondadas de núcleos bastante coráveis e células acidófilas paravasculares.

As células pineais ainda não estão perfeitamente definidas e por isso confundem-se com as células neuróglicas. Alguns autores, entre eles Orlandi e Guardini, acham que as células pineais, não são mais do que elementos de origem nervosa. Apresentam-se com morfologia variável, arredondadas, poliédricas ou cônicas. As células neuróglicas caracterizam-se pelo aspecto lobado do núcleo, bastante grosso e rico em cromatina. O citoplasma contém ribonucleoproteína, uma fosfatase alcalina e pequena quantidade de glicógeno.

As células neuróglicas parecem ser responsáveis, na sua fase protoplasmática, pelo complexo endócrino neuro-glandular; demonstram particularidades próprias, bem evidenciadas pela histoquímica que conseguiu diferençá-las de outros elementos neuróglicos semelhantes, principalmente aqueles da hipófise que até bem pouco tempo eram descritos como idênticos. Daí a importância que devemos dispensar a estas unidades de trabalho.

As células ependimárias são encontradas facilmente na parte superior da glândula e com maior dificuldade no parênquima. Apresentam prolongamentos que têm origem num citoplasma bastante grande em relação ao das células pineais. No homem assinalou-se a presença de células mióides e gigantes. Verificou-se em algumas células da glândula pineal mitocôndrias. As mitocôndrias, principalmente, foram observadas em volta do centríolo, como que fornecendo energia para o trabalho ativo do centro-celular.

Pigmentos melânicos, férreos e lipocromos foram distinguidos (Orlandi e Gaurdini), variando de intensidade conforme a fase de trabalho do órgão. As experiências dirigidas no sentido de determinar a função pineal se revestem da maior dificuldade, porquanto a intervenção no órgão, além de difícil, geralmente compromete zonas nervosas vizinhas. Acresça-se que é um órgão bastante vascularizado, de localização profunda, e mantendo estreitas relações com os seios venosos. Quando se consegue uma perfeita ablação da glândula pineal, às vezes subsiste uma pineal accessória e não prevista. Ao lado disso, os fatores individuais, climáticos, regímem alimentar, etc, contribuem para um resultado que deixa sempre alguma dúvida, onde a argúcia interpretativa é sempre reclamada. No homem, a observação é feita através das doenças do órgão, mais precisamente dos tumores pineais, com posteriores comprovações pela histopatologia.

Daremos em síntese os resultados da pinealectomia obtidos por Thieblot e Bars como os mais credenciados. Dos efeitos da pinealectomia, em animais jovens, no ponto concernente ao desenvolvimento somático, ainda nada podemos concluir de definitivo, porquanto os resultados experimentais são absolutamente contraditórios. Sobre o desenvolvimento genital foram observadas modificações acentuadas nos animais machos e fêmeas. Nos animais machos: aumento dos testículos, com desenvolvimento da massa intersticial e das vesículas seminais, denotando franca hipertrofia com hiperatividade testicular. Nos animais fêmeas: hipertrofia ovariana, aceleração na formação do canal vaginal, engrossamento das trompas e aumento do útero. Desse modo, tanto no macho quanto na fêmea, há desenvolvimento precoce dos caracteres sexuais secundários com ativação do instinto sexual. Logo, é evidente o aparecimento da puberdade precoce.

Os efeitos da pinealectomia se corrigem, em quase sua totalidade, com implantações pineais. Vimos que a pinealectomia provoca marcada hipertrofia dos órgãos genitais. Os transplantes pineais, nos animais pinealectomizados, corrigem imediatamente a hipertrofia genital devido à presença de um princípio frenador; este princípio revelou-se, com precisão, nas ratas, quando o ciclo estral se detinha com a implantação da glândula. Existe, também, um princípio estimulante que se manifesta em condições especiais, quais sejam os casos de atrofia genital, onde o princípio frenador não tem mais ação; nessa situação o princípio estimulante exerce, a miude, grandes efeitos.

Inspirados nos trabalhos de Trautmenn, Goddard e Berkeley, verificou-se que, na aplicação do extrato pineal, há sempre uma acentuada resposta no jogo endócrino sexual, cujas reações deixam transparecer a existência de dois princípios: um frenador e outro estimulante. O fator estimulante responderia pela precocidade sexual que sempre aparece em primeiro lugar. Os efeitos do extrato pineal sobre a soma são, discutidos e, em parte, discrepantes. Pode-se afirmar que o extrato pineal determina uma aceleração no crescimento somático e, mais ainda, segundo Mc Cord haveria, em muitos animais, além dessa aceleração de crescimento, ligeira precocidade mental. Sobre a pele observa-se visível descoloração temporária, verdadeira contração dos melanóforos profundos, parecendo tratar-se de um fenômeno tipicamente simpático.

Sobre o metabolismo o extrato pineal assinalou modificações dignas de referência. O aumento do metabolismo basal é pronunciado. Os lipídios que se desenvolvem bastante, chegando mesmo a ativar a obesidade nos animais pinealectomizados, podem ser reduzidos e controlados com o uso do extrato pineal. Buttaro e Rottini observaram, com o extrato pineal, modificações no metabolismo glucídio, determinando hiperglicemia. Para o lado dos proteicos há aumento da eliminação azotada. Quanto aos sais minerais assinalou-se de importância, o aumento da taxa de cálcio sanguíneo.

As reações da glândula pineal com a cadeia glandular parece revestir-se do mais alto significado. A correlação gênito-pineal é de tal ordem, que um desequilíbrio, mesmo em uma de suas partes funcionais, reflete imediatamente na outra. Observou-se na castração, tanto testicular quanto ovariana, acentuada modificação na glândula pineal, determinando em alguns casos hiperatividade, em outros, atrofia. Diante deste aspecto oposto pode pensar-se que a correlação gênito-pineal obedece a uma íntima e desconhecida ligação. Tanto isto é verdade que as modificações fisiológicas da gravidez refletem no âmago da glândula pineal, determinando aumento dos lipídios vacoulares e das concresções calcáreas e lassidez das fibras neurológicas; tudo isso dá impressão ora de um aspecto involutivo, ora de atividade funcional marcada. Também as injeções de hormônios genitais (testosterona e foliculina) determinam modificações acentuadas no aspecto do órgão, variando de intensidade conforme as doses empregadas.

Foi admitido e observado por vários autores (Izawa, Calvet e outros), a existência de um antagonismo pineal-hipofisário anterior, com marcada ação inibidora no setor hipofisário. A pinealectomia determina hipertrofia do lobo anterior da hipófise, a ponto de triplicar o seu volume total. A influência pineal vai mais além no comando das funções hipofisárias, quando modifica as características funcionais dos hormônios gonadotrópicos, influenciando profundamente o setor genésico do organismo masculino e feminino. Os estudos sobre a correlação pineal-neürohipófise são raros, de penumbrosa interpretação, o que aliás é compreensível. A glândula pineal mantém outras relações endócrinas, apresentando ligações com a tireóide, suprarrenal, pâncreas e tímus. Com todas essas glândulas deixa transparecer sua influência em maior ou menor grau.

Os trabalhos de Popescu — Inotesti concluíram pela ação frenadora que a glândula pineal exerce no mecanismo insulínico. Quanto ao tímus, observa-se no homem, que os tumores da pineal impedem a regressão normal da glândula na idade oportuna. Lindenberg observou, em alguns animais, que a timectomia determinava rápida atrofia pineal. As relações entre a pineal e a tireóide são evidentes. A retirada cirúrgica de uma dessas glândulas reflete, imediatamente na outra; instala-se um violento processo, embora mais acentuado para o lado da tireóide.

Nas glândulas suprarrenais, a ablação pineal ocasiona modificações no índice do colesterol e ácido ascórbico. Foi observado nos tumores pineais a presença de evidente hiperplasia córtico-suprarrenal. Pelo que acabamos de expor, a glândula pineal está interligada com todo o setor glandular do organismo. Ainda é difícil estabelecer as relações exatas entre a pineal e as demais glândulas, embora possamos asseverar, pelos trabalhos e observações conjuntas, que a pineal seria realmente a orientadora da cadeia glandular, comunicando-se com as demais glândulas direta ou indiretamente, tendo na hipófise o grande campo de suas expansões com o organismo inteiro. Não seria a neuro-hipófise mais precisamente, a zona por intermédio da qual a pineal orientaria todo seu trabalho no equilíbrio endrócrino?

Há pouco tempo, semelhantemente à hipófise, foi constatado a existência de um complexo epitálamo-pineal. O hipotálamo contém determinados centros éxcito-secretores da glândula pineal e esta teria ação neuro-crínica no hipotálamo. Isto foi perfeitamente verificado às custas dos melancitos pineais (células especializadas carregadas de pigmentos melânicos), que se distribuem em grande numero ao redor dos vasos e entram em contacto direto com as fibras nervosas perivasculares. Lembre-se, no momento, a importância dos pigmentos das células nervosas nos mecanismos do psiquismo.

Atualmente está demonstrada a participação do epitálamo, naturalmente com sua coligação pineal, na regulação da temperatura; no metabolismo basal; no metabolismo da água, minerais, hidratos de carbono e gorduras; em todas as funções endócrinas pela associação pineal-hipofisária; nos mecanismos do sono e da vigília; nas expressões das emoções e no equilíbrio e regulação neuro-vegetativa de todos os sistemas e aparelhos. Por intermédio da pineal, como uma verdadeira estação coordenadora, haveria o contacto entre o neuro-vegetativo e a vida de relação.

Pelo exposto, podemos avaliar o valor que já se está atribuindo à glândula pineal. A complexidade do feixe epitálamo-pineal, embora ainda não completamente definido em suas relações mais íntimas, já nos deixa extrasiados diante de sua caprichosa disposição. A existência de numerosos centros ligados à função pineal dá-nos a impressão de não se tratar tão-somente de estações de comando, e sim de elementos com funções variadas ora como excitantes funcionais, ora como reguladores e mesmo como desligadores de circuitos.

A neuro-regulação pineal está simultaneamente ligada às excitações neuro-vegetativas (ventriculares e coroidianas) e neuro-somáticas (olfativas, ópticas, acústicas e sensitivas gerais). As correlações epitálamo-pineal e epitálamo-hipofisária, pelas tendências atuais da ciência, permitem-nos tirar conclusões de que a pineal exerce uma ação de controle maior sobre a hipófise e, através desta, sobre todas as glândulas do organismo. É lógico que existem variabilidades de excitações na ativação de determinados setores, de acordo com as necessidades orgânicas da fórmula hormônica individual. (…)

08 – Saúde e Espiritismo – A.M.E. Brasil – pág. 93

Cristais da Glândula Pineal: Semicondutores Cerebrais?
Sérgio Felipe de Oliveira (Médico formado pela Faculdade de Medicina da USP – Pesquisador do Instituto de Ciências Biomédícas da USP (Departamento de Anatomia), diretor do Departamento de Saúde Mental da AME-SP Diretor clínico do Pineal-Mind Instituto de Saúde de São Paulo). Neste texto, abordamos alguns tópicos do que atualmente a Ciência pesquisa sobre glândula pineal em importantes universidades no mundo, procurando correlacionar com os mitos erguidos pelo pensamento místico em torno do assunto.

Devemos lembrar que a pineal é uma glândula endócrina, e como toda glândula endócrina, a comunicação com o organismo é feita pelo sistema circulatório, através dos hormônios. Também os estudos imagiológicos mais modernos que fazem mapeamento cerebral e correlações de anatomia e função, como a ressonância magnética de supercondutividade quântica ou demais métodos que se utilizam de injeção de contraste na circulação no estudo das funções cerebrais, esses avanços tornam obrigatório o conhecimento da anatomia da circulação sanguínea local.

É sabido que no cérebro as áreas mais irrigadas, vascularizadas, estão ligadas as áreas de maior funcionamento neuronal. Ao observarmos a riquíssima rede circulatória da glândula pineal humana podemos inferir alto grau de função. Dentre outros motivos, esse fato nos faz pensar que a glândula pineal em humanos não é meramente um órgão vestigial, mas importante estrutura da anatomia e fisiologia do cérebro. Tal observação é reforçada por importantes descobertas da cronobiologia, ou seja, o núcleo supraquiasmático e a glândula pineal respondem pela função de "relógio biológico do corpo humano". Essa descoberta da fisiologia humana moderna nos fez pensar que a pineal esteja envolvida diretamente com o processo do desenvolvimento das fases da vida humana, daí em nosso projeto estarmos estudando desde o embrião até a pessoa idosa.

O nosso interesse sobre o assunto chega até o consultório psiquiátrico, pois a neurofïsiologia faz hoje importantes correlações experimentais entre a cronobiologia e as moléstias depressivas e esquizofreniformes. Por exemplo, a depressão se correlaciona com um avanço de fase do sono REM associado ao despertar precoce, relacionando o "relógio biológico"- núcleo supraquiasmático -, a glândula pineal com a fisiologia psíquica. Nos casos esquizofreniforme são conhecidos os ciclos sazonais em que ocorre a reincidência do surto psicótico. Temos assim plenamente justificada a importância do estudo desta glândula. Ainda, abordamos os seguintes tópicos referentes ao assunto.

INCURSÕES NO REINO ANIMAL

A filogênese da glândula pineal tem um interessante trajeto dos peixes, até os mamíferos e os seres humanos. Inicialmente nos peixes a pineal funciona como um fato receptor. A cabeça do peixe é translúcida e a pineal é facilmente exposta à luz. Histologicamente vamos encontrar células retinianas caracterizando a função fotorreceptora. Na evolução a anfíbios e répteis, a pineal passa a somar à função fotorreceptora as possibilidades de trandução neuroendócrina. 

Já nos mamíferos, o papel da fotorrecepção é deixado exclusivamente aos olhos, que faz a sua ligação com a pineal na comunicação da mensagem luminosa através de vias neuronais adrenérgicas. No homem julgamos que, além da função neuroendrócrina, a pineal esteja relacionada aos mecanismos de percepção extra-sensorial estando ligada a desconhecidos processos da Neurofisiologia da Mediunidade.

ANATOMOFISIOLOGIA

A pineal vai se relacionar com as estruturas encefálias através de vias neuronais adrenérgicas, assim como através de sua função endrócrina – a produção do hormônio Melatonina. Sua função cronobiológica a liga, via núcleo supraquiasmático, aos sistemas reticulares ativadores ou inibidores das funções corticoscerebrais. Também, por ser uma estrutura epitalâmica – é chamada pelo sinônimo epífise – está ligada aos tálamos, estrutura pela qual passam as vias neuronais sensoriais, exceto o olfato. Em seu papel endócrino vai ter ligação com o eixo hipotálamo hipofisário, no comando de todas as funções glandulares do corpo.

São conhecidos experimentos que correlacionam a pineal com as funções da fisiologia sexual, com a função pancreática e com o sistema imunológico. A ligação funcional entre a pineal e glândulas sexuais é também importante campo para a neuropsicologia e a psiquiatria, pois inumeráveis patologias psíquicas se ligam a transtornos que envolvem a sexualidade, liste componente da sexualidade nos faz inferir uma atividade funcional da pineal com o sistema límbico.

HISTOFISIOLOGIA

A pineal possui células especializadas na produção hormonal, que são os pinealócitos. Também vamos encontrar neurônios, células da glia e o endotélio. As funções metabólicas dessas células estão ligadas à produção de microesferas de fosfato e carbonato de cálcio (entre outros elementos em menor concentração). Essas esferas são constituídas por camadas concêntricas (como uma cebola), e haverá tantas camadas quanto mais idade tiver a pessoa.

A produção desses cristais não prejudica a função da pineal, mas é a representação de sua intensa atividade. Julgamos que esses cristais estão ligados a funções desconhecidas da estrutura biomagnética cerebral. Atualmente estamos investigando mais aprofundadamente esse assunto, através de estudos tomográficos e de microcospia eletrônica.

MELATONINA

A melatonina, hormônio produzido pelos pinealócitos, é altamente lopossolúvel. Com isso, consegue penetrar em todos os tecidos do corpo, já que a membrana plasmática de todas as nossas células é fosfolipídica. Essa alta penetrabilidade da melatonina lhe confere poderes de ação em múltiplas e inumeráveis funções de nossa fisiologia. Mas, cuidado, a propaganda e o comércio desse hormônio tem feito com que as pessoas se iludam com efeitos de cura não comprovados, podendo causar doenças como a conhecida atrofia dos testículos.

A melatonina é produzida a partir da serotonina, que é um neurotransmissor envolvido com infinitas funções neuropsicofisiológicas. À luz do dia temos um acúmulo de serotonina, e à noite vamos ter sua conversão em melatonina.
Assim, esse hormônio está em maior quantidade à noite ou a baixas incidências de luz ambiental. Será que há alguma correlação disso com as atividades mediúnicas que preferencialmente se realizam na penumbra?

RITMOS BIOLÓGICOS

Existe uma regência temporal de todas as funções do corpo humano. Sem essa coordenação no tempo não existe nem forma nem função. Dentro desse sistema temporal vamos ter diversos ritmos nos sistemas biológicos, quais sejam:

• ritmos circadianos – por exemplo, ciclo da vigília e sono, são os ciclos de um dia e estão relacionados à incidência luminosa dada pelo sol;

• ritmos ultradianos e infradianos – respectivamente ritmos de mais que um dia e menos que um dia, é o caso da produção de hormônios corticosteróides, hormônio de crescimento e muitos outros;

• ritmos mensais – obedecem ao mês lunar – por exemplo, o ciclo mentrual da mulher, também o desenvolvimento de anexos epidérmicos como cabelos e pêlos;

• ritmos anuais – seguem o ano lunar – a gravidez humana é exemplo clássico.

Assim temos, também, outros padrões rítmicos aqui não relatados. O comando dos ritmos biológicos do ser humano pode vir de fontes externas – chamados Zeitbergers exógenos, por exemplo o sol, a lua, o pólo magnético da Terra, a alimentação, as influências ambientais. Existem, também, comandos internos – Zeitbergers endógenos, por exemplo, estruturas genéticas. Ainda endogenamente, a mente humana pode alterar os ritmos biológicos. Assim, uma pessoa emocionalmente abalada por preocupações do trabalho ou desajustes familiares, pode alterar o ciclo de vigília e sono, não conseguindo dormir à noite, pode alterar seus ritmos hormonais promovendo um atraso menstrual e assim por diante.

Em nossa hipótese espiritista, consideramos que o espírito é Zeitberger endógeno predominante, tendo no sistema genético corporal elementos de predisposição biológica que responde às suas necessidades espirituais. Vale ressaltar que o complexo pineal numa visão descartiana representa o ponto de união do espírito ao corpo. Sendo o complexo pineal elemento anatômico que responde pela função tempo e sendo o tempo uma região dimensional no espaço – quarta dimensão – há que se pensar na hipótese de que a ligação do espírito ao corpo em se dando através da quarta dimensão – dimensão espaço-tempo – tenha seu foco de ligação no "relógio biológico", o complexo pineal.

A LUZ

A partir do momento que, na evolução filogenética, a pineal perde a sua capacidade fotorreceptora transformando-se num órgão neuroendócrino, os olhos passam a responder pela função fotorreceptora. Vale dizer que a visão não vai somente estar ligada à percepção e cognição mas também se liga a funções neuroendócrinas cujo órgão efetor é a glândula pineal. A luz atinge a retina dos olhos havendo estimulação de vias nervosas que seguem o seguinte trajeto: núcleo supraquiasmático -área tuberal ventral hipotalâmica – área hipotalâmica lateral -asta intermédio lateral – gânglio simpático cervical superior -glândula pineal.
Esta é uma via adrenérgica, isso significa que a estimulação indireta da Pineal pela luz se dá através das vias citadas, pela adrenalina.

Maior incidência de luz – menor funcionamento da Pineal. Menor incidência de luz – maior funcionamento da Pineal.
Se a Pineal é órgão da mediunidade, em hipótese, responda você: a manifestação mediúnica ocorre com mais facilidade de dia ou de noite? No claro ou no escuro? E a inspiração dos poetas, dos músicos, dos escritores, dos cientistas, ocorre com mais facilidade à luz do dia ou da noite? E as manifestações sensuais do namoro e do amor?

Julgamos que essas manifestações ocorrem com mais facilidade à noite porque a Pineal está funcionando mais. À noite há, portanto, uma tendência das pessoas meditarem, refletirem. Ao refletir numa vida atribulada de angústias, culpas, orgulho, egoísmo, o que seria um momento de reflexão acaba se configurando nos estados de depressão. Essa depressão pode se expressar em estados comportamentais ou manifestar-se subclinicamente como alterações cardiocirculatórias que levam ao infarto do miocárdio, às crises hipertensivas, aos acidentes vasculares cerebrais, que conhecidamente ocorrem na madrugada após uma noite de intensa agitação emocional manifesta nos órgãos.

A influência de padrões diversos de frequências luminosas – as cores – merece ser estudada observando-se os seguintes
critérios:

1) A luz é uma entidade física que impressiona a neurofisiologia cerebral – tema tratado no texto acima.

2) Uma vez sendo percebida, a frequência luminosa passa a ser interpretada pela mente em um fenômeno que não é mais físico, mas sim psicológico, mental, simbólico. O simbolismo das cores promove também alterações psíquicas, emocionais, promove indução da memória, associação de fatos, os quais podem ser traduzidos em alterações psicossomáticas retornando à esfera física.

3) A não incidência de luz física mas o imaginar luz e cores como em inúmeros tratamentos alternativos cromoterápicos não pode ser confundido com os mecanismos neurofisiológicos acima colocados. É um outro campo de estudos que deve ser realizado com metodologia apropriada.

O MAGNETISMO

O cérebro é uma circuitaria elétrica complexa, passível de mensuração em milivoltagem. Também expressa intenso magnetismo, já que perpendicularmente ao afluxo elétrico temos o fluxo magnético. São conhecidos os aparelhos de imageologia médica, como a ressonância nuclear magnética, ou mesmo a tomografia, que captam os campos magnéticos do cérebro, reproduzindo a imagem. Mais particularmente iremos aqui tratar dos campos magnéticos que atingem o cérebro vindo do meio externo. Vale ressaltar que o magnetismo é uma força física como imã. O que os espiritualistas e psiquistas chamam de magnetismo não é o mesmo ao qual estamos nos referindo.

O cérebro recebe influências dos campos magnéticos da Terra, do Sol, da Lua e dos diversos astros do universo que alcançam a superfície da Terra. Esses campos magnéticos têm ação norteadora da migração dos animais, mas no homem essa função está latente. A influência do magnetismo em nossa fisiologia é algo que merece estudos da ciência contemporânea. O cérebro capta o magnetismo externo conhecidamente através da glândula pineal. O mecanismo celular desse processo ainda é desconhecido.

O magnetismo mesmeriano corresponde às forças psíquicas e espirituais como nos passes espíritas, a água fluidificada, a água benta das igrejas, o processo de indução hipnótica, o mediunismo, enfim, envolve toda uma gama de energias não mensuráveis (ao menos no momento). Julgamos que essas energias não mensuráveis façam parte de um extremo desconhecido do espectro eletromagnético e que possivelmente tenha mecanismos de captação cerebrais ainda desconhecidos.

Julgamos que a pineal seja o órgão captador dessas energias sutis, pois além de trabalhar com captação de campos magnéticos, se liga à função tempo dentro de seus mecanismos cronobiológicos. Esses elementos já são bastante sutis, e a seguir na mesma linha é possível que consiga captar também o magnetismo mesmeriano.

PSICOPATOLOGIA E GLÂNDULA PINEAL

Trabalharemos este tema segundo uma ótica kardeciana sem perder a lógica científica. A memória é um conjunto de informações que são estocadas no cérebro espacial e temporalmente. Assim, algumas regiões corticais e hipocampais estocam memória, mas a temporalidade da memória, se é passado, presente ou futuro, estaria no relógio biológico representado pelo complexo pineal. Aí o complexo pineal funcionaria como um túnel do tempo, fazendo com que os fatos presentes e passados tenham uma coerência com a vida biológica da atual encarnação da pessoa.

Elementos de memória de outras existências são bloqueados pelo túnel do complexo pineal. A menos que haja um processo patológico em que revivecências anímicas de outras existências consigam transpassar o túnel temporal do complexo pineal, perfazendo muitas vezes as manifestações psicóticas em complexos casos psiquiátricos. Também através de hipnose ou algumas técnicas de regressão de memória poderíamos alargar o túnel temporal do complexo pineal permitindo a anuência de memórias de vidas passadas.
Também as possibilidades de captação de energias sutis pela glândula pineal permitiriam que as energias envolvidas no processo mediúnico de boas ou más influências espirituais atinjam a estrutura cerebral da pessoa transduzindo essas energias em patologias cerebrais orgânicas. A pineal serviu aí como um transdutor neuroendócrino e psico-espiritual.

GLÂNDULA PINEAL E O DUALISMO ESPÍRITO-MATÉRIA

O fato de a pineal funcionar como um transdutor psiconeuroendócrino, a faz uma glândula muito especial. Assim como os olhos detêm a capacidade de captar imagem, os ouvidos, o som, o tato, a geometria dos objetos, a pineal é um sensor capaz de "ver" o mundo espiritual e de coligá-lo com a estrutura biológica. É uma glândula portanto que "vive" o dualismo espírito-matéria.

O eminente cientista Renée Descartes, como na introdução deste texto foi mencionado, foi o primeiro pensador a associar a glândula pineal com a visão dualista. O estudo dos mecanismos físicos envolvidos no funcionamento dessa glândula são excelentes modelos experimentais para o estudo da relação do mundo espiritual com o mundo material. Sem no entanto abordar essa questão glandular, o físico e professor da Universidade de Oxford, Roger Penrose publicou uma tese em que se utiliza do teorema de Godel para representar o ser humano como sendo uma tríade biológica, psicológica e espiritual. Vale dizer que esse eminente cientista é a representação de toda uma geração que tem feito renascer uma nova e criteriosa ciência, a ciência do espírito. Há mais de um século, Allan Kardec deu o start para esse fenômeno social e científico, retrato deste terceiro milênio. (..)

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Sobre aricarrasco

sou simples mas co objetivos e convicções definidos.
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