Hipertensão

HIPERTENSÃO

HIPERTENSÃO OU PRESSÃO
ALTA

I – O QUE É PRESSÃO
ARTERIAL?

Assim como não há vida sem
atividades no cérebro, acontece o mesmo em relação ao coração. Qualquer problema
neste que é o mais importante conjunto de músculos do corpo, pode representar
risco de morte. Tamanha relevância se deve ao fato de o coração ser o
responsável pelo bombeamento do sangue para os demais órgãos do corpo por meio
de tubos chamados artérias, que levam oxigênio e nutrientes e, portanto, vida ao
organismo.

Em primeiro lugar, para se
compreender melhor esse processo, faz-se necessário saber como se dá o
funcionamento do coração: quando o sangue está sendo bombeado, o líquido é
"pressionado" contra a parede dos vasos sanguíneos para que possa circular pelo
organismo. A essa tensão gerada na parede das artérias se dá o nome de pressão
arterial.

Artérias são todos os vasos que
partem do coração com o propósito de levar o sangue oxigenado com nutrientes
para todas as células do organismo. Nesse processo, esses condutores precisam
suportar as fortes pressões com que o sangue é bombardeado para fora do coração.
Se acontecer de a pressão arterial ficar maior do que o normal durante um
período muito longo, pode-se caracterizar uma hipertensão não
tratada.

Neste caso, os vasos ficam
danificados e com grande possibilidade de apresentar problemas e até mesmo de
morte. Em outras palavras, a hipertensão arterial é a elevação persistente da
pressão sanguínea e não elevações ocasionais a que todas as pessoas estão
sujeitas de vez em quando, sem que isso represente qualquer anormalidade. É uma
pressão bem superior àquela encontrada na maioria das pessoas. Acontece dessa
forma, vale repetir, porque os vasos nos quais o sangue circula se contraem e
fazem com que a pressão do sangue se eleve.

Para uma melhor compreensão do
fenômeno, os médicos costumam comparar o coração e os vasos a uma torneira de
jardim aberta e ligada a vários esguichos. Quando se fecham os esguichos, a
pressão da água tende a subir, não é verdade? Da mesma forma acontece com o
coração quando bombeia o sangue e os vasos estão estreitados. Aí, a pressão
dentro dos vasos sanguíneos aumenta.

A – TROMBOSE

Um dos males que podem resultar da
pressão arterial é o processo de trombose que se dá por meio da formação de
coágulo sanguíneo. Pode ser provocado por uma lesão no forramento do vaso
sanguíneo como resultado de uma hipertensão. O coágulo resultante pode vir a
obstruir o fluxo de sangue através do vaso e causar lesões graves e até mesmo a
morte.

No momento em que esse entupimento acontece, o forro das artérias
fica bastante áspero e engrossado. Conseqüentemente passa a existir o risco
maior de uma
espécie de estreitamento das vias
condutoras. Ao mesmo tempo, as artérias ficam menos flexíveis ou elásticas do
que antes. Isso é o que ficou conhecido como arteriosclerose.

Se a artéria fica muito estreita,
assim como ocorre em um cano entupimento por sujeira, o sangue não conseguirá
passar de modo apropriado e parte do corpo que recebe da artéria seu suprimento
sanguíneo fica carente de sangue e de todo o oxigênio que ele carrega.

Ao
considerar que a artéria se estreita cada vez mais com o tempo, há uma tendência
maior de se desenvolver coágulos sanguíneos que resultarão em trombose. Em casos
mais graves, podem causar um bloqueio total da artéria de tal modo que a parte
do corpo a qual ela serve vem a morrer — ocorre a necrose. Se o coração for
afetado, a área morta é chamada de infarto.

B –
Leituras

E’ preciso destacar que as leituras da pressão arterial
hoje são extremamente precisas na indicação da expectativa de vida das pessoas:
quanto mais alta a pressão, mais elevado é o risco que se corre. Mesmo os
indivíduos que possuem pressão arterial na média da população, têm probabilidade
maior de doença cardíaca do que aquelas com níveis abaixo da
média.

Por esse motivo, tem sido
extremamente difícil para os médicos produzirem definição funcional de
hipertensão. Para muitos deles, parece mais sensato conceituá-la como "o nível
de pressão arterial onde o tratamento com medicamentos anti-hipertensivos fazem
mais bem do que mal". Isso porque para esse problema não existe tratamento
medicamentoso que não tenha efeitos colaterais em potencial.

C – ÍNDICES

Pela convenção estabelecida na
Medicina, se a pressão arterial supera 140/90 mmHg e se for identificado no
indivíduo outros fatores de risco de doença cardíaca – colesterol alto, fumante
ou de uma família com tendência a desenvolver doença cardíaca -recomenda-se de
imediato que a pressão alta seja tratada e o paciente submetido a um
acompanhamento médico regular.

No momento em que a pressão arterial é
medida, dois números são anotados, tais como 140/90. O maior número, chamado
pressão arterial sistólica, é a pressão do sangue nos vasos, quando o coração se
contrai, ou bombeia, para impulsionar o sangue para o resto do corpo. O menor
número, chamado pressão diastólica, é a pressão do sangue nos vasos quando o
coração encontra-se na fase de relaxamento (diástole). Em jovens com a pressão
arterial ligeiramente aumentada e sem outros fatores de risco de doenças
cardíacas, a função dos medicamentos que baixam a pressão arterial é muito
pequena. Por isso, recomenda-se que o tratamento medicamentoso seja contido.
Outra orientação é que os mesmos sejam reexaminados em intervalos de cerca de
seis meses.

D – Indícios

Segundo especialistas, a
hipertensão arterial é uma doença traiçoeira porque não apresenta nenhum indício
e, muitas vezes, os sintomas a ela atribuídos nem sempre são causados por seus
efeitos no organismo. Exemplos? Dores de cabeça, sangramento pelo nariz,
tonturas, falta de ar, entre outros.

Por isso, a hipertensão costuma ser
chamada de "inimiga silenciosa", uma vez que aumenta muito o risco de a pessoa
ter um infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral (derrame), insuficiência
cardíaca, insuficiência renal e comprometimento da visão por lesões na retina
etc.

Como a hipertensão não
apresenta sintomas até que as complicações se manifestem, cerca da metade de
todas as pessoas que sofrem de hipertensâo ou são hipertensas ignoram
completamente que tenham um problema. Vale ressaltar que a pressão alta é
perigosa e, portanto, deve se prestar atenção a dados como o de que o principal
fator é hereditário. Quer dizer, o indivíduo herda da família o risco de vir a
desenvolver hipertensão. Além desses fatores de risco incontroláveis, uma série
de motivadores ambientais pode aumentar a chance de instalação da hipertensão
arterial no funcionamento do organismo.

Dentre as interferências de
fatores ambientais, pode-se destacar ingestão excessiva de sal na alimentação —
acima de seis gramas diárias —, aumento exagerado de peso, vida sedentária,
consumo excessivo de bebida alcoólica, estresse, fumo e uso de alguns
medicamentos. Um tipo de hipertensão menos comum é chamada de hipertensão
arterial secundária. A doença, quando identificada, poderá ser controlada
através de tratamento médico especifico.

E –
Variação

Especialistas explicam que a pressão arterial varia
durante o dia, dependendo das atividades desenvolvidas na rotina. Ela aumenta
quando se exercita ou quando se está excitado. Diminui quando se está relaxado
ou quando dorme — situações que acontecem quase sempre à noite.

Muita
gente não sabe, mas até mesmo a postura — sentado ou em pé — influencia a
pressão arterial. Esse é o motivo pelo qual os médicos devem aferir várias vezes
a pressão arterial do paciente para constatar corretamente o diagnóstico de
hipertensão arterial.

II – COMO FAZER O
DIAGNÓSTICO

A –
PRECISÃO

Como está a pressão
arterial de um indivíduo? Como recomenda o Portal Unimeds, o único meio de saber
é a aferição da pressão arterial por um profissional da área de saúde. Cada vez
que aferir a pressão arterial, o ideal é que o paciente sempre anote o resultado
para ter um acompanhamento e diagnósticos mais precisos.

A pressão alta é
diagnosticada quando a medida revela uma pressão sistólica acima de 140 mmHg
e/ou uma pressão diastólica acima de 90 mmHg. Isto é, os populares "14 por 9".
Ao contrário, definir índices normais para a pressão arterial não é uma tarefa
muito fácil porque, quanto maior for a pressão, maior será o risco
cardiovascular e menor a sobrevida, não havendo uma linha divisória entre
normotensão e hipertensão.

B –
Limite

Assim, os médicos convencionaram que o limite arbitrário
adotado operacionalmente é que um indivíduo adulto é considerado hipertenso
quando os níveis de pressão arterial são iguais ou maiores do que 140/90 mmHg.
Esse número pode ser diagnosticado quando um tensiômetro é colocado no braço com
o propósito de registrar níveis iguais ou superiores a 140/90 mmHg em múltiplas
aferições sob diferentes condições.

Se os números ficarem acima
desse nível, o paciente corre maior o risco de sofrer agressões a órgãos nobres
como coração, cérebro e rins. Pode provocar também a aceleração do processo de
endurecimento das artérias, que leva a uma doença chamada arteriosclerose e
facilitar o depósito de gorduras nos vasos.

A chamada pressão
sistólica, ou máxima, representa a pressão nas artérias quando o coração se
contrai e ejeta sangue dentro delas. A pressão diastólica, ou mínima, acontece
no momento em que o coração relaxa seus músculos. O fenômeno representa a
pressão mínima a que as artérias estão expostos antes da contração cardíaca
subsequente.

C –
PERCENTUAL

Segundo dados do Ministério
da Saúde, a hipertensão afeta cerca de nada menos que 20% da população
brasileira. Sabe-se que, neste grupo, para um mesmo nível de pressão arterial,
os órgãos dos pacientes de raça negra são os mais afetados que os de outras
raças — e, portanto, é mais propensa a ter a doença.

Ao se fazer as
contas, 34 milhões de brasileiros são hipertensos. Mais que toda a população da
Argentina. Mas não há motivos para pânico. Em 80% dos casos, a pressão arterial
está levemente elevada. Quer dizer, a pressa diastólica está entre 90 e 104 mmHg
e/ou pressão sistólica entre 140 e 159 mmHg.

A "hipertensão sistólica
isolada", na qual apenas a pressa sistólica se encontra elevada, afeta entre 30
e 40% da população com idade acima de 65 anos. Associa-se com o mesmo risco de
derrame cerebral e infarto do miocárdio.

No item classificação por faixa
etária, vale observar, podi se notar os níveis da pressão arterial para pessoas
adultas. Entre crianças e adolescentes, classifica-se a pressão arterial em
função de estatura da pessoa, sua idade e seu sexo, respeitando-se tabelas
específicas.

D -Tratamento

Depois que o
médico constata que uma pessoa é hipertensa, como proceder corretamente e
tratá-la? O tratamento depende de uma série de fatores. Pode ser feito com
medicamentos ou não. Quem decide é o especialista. Ele vai considerar, por
exemplo, os níveis da pressão arterial da pessoa, do comprometimento ou não de
determinados órgãos e a presença de outras doenças. Depois de orientado, caberá
ao paciente não apenas tomar medicamentos, como se adaptar a uma nova
vida.

Existem várias dicas que
podem ajudar muito a controlar a pressão arterial. Se o indivíduo tem tensão
alta, é muito importante trabalhar em conjunto com o seu médico, planejando um
programa de controle adequado. Em primeiro lugar, terá que se disciplinar e
tomar os medicamentos regularmente, como prescrito. Caso venha sentir algo
diferente após a ingestão, deve informar logo o médico.

Dentro da disciplina, é
preciso comparecer no consultório nas datas marcadas de controle da sua pressão.
Tal medida "permitirá ao médico, se perceber algo anormal, tomar todas
providências adequadas. Caso o profissional recomende, o paciente deve aprender
a medir a pressão em casa.

O doutor poderá indicar a aparelhagem
necessária e ensinar como usá-la. O ideal é que alguém da família aprenda também
para o caso de alguma emergência. Pode-se medir periodicamente a tensão arterial
na farmácia, ou posto de saúde mais próximo da residência.

III – VIDA SAUDÁVEL CONTRA
HIPERTENSÃO

A –
PREVENÇÃO

Diz o ditado que é sempre
melhor prevenir do que remediar. Todo o mundo sabe disso, mas são poucos os que
o levam a sério. Isso vale principalmente para problemas de saúde. Controlar e
prevenir a hipertensão, por exemplo, podem ser feitos apenas a partir da mudança
de alguns hábitos.

1-A primeira providência
pode ser deixar de fumar.

2-Depois, minimizar o
consumo de álcool e

3-manter o peso ideal ou na
média.

4-E mais: fazer exercícios
físicos sob orientação médica,

5-diminuir o sal nos
alimentos,

6-evitar tensão e enfrentar
com mais sabedoria as dificuldades da vida.

B –
Dificuldades

Está bem, não é mesmo fácil mudar a rotina de uma
vida inteira para colaborar com o sucesso do tratamento. É preciso, porém. Mais
que isso, fundamental. Listamos algumas dessas medidas no capítulo anterior. Mas
vale aprofundá-las a seguir.

No item alimentação, qualquer leigo sabe que
diminuir o sal da comida é uma das regras básicas. Nunca se deve ultrapassar
seis gramas por dia; Ou seja, uma colher das de chá para toda a alimentação
diária. Uma medida de eficiência psicológica é tirar o saleiro da mesa. Além
disso, usar temperos naturais como limão, cebola, alho e
cheiro-verde.

Sim, perder peso é
fundamental. É uma medida que se aplica também a pacientes em processo de
hemodiálise. Os especialistas alertam que excesso de peso tem grande relação com
o aumento de pressão. Portanto, se a pessoa está com o peso acima do normal,
isto é, índice de "massa corpórea" superior a 25 kg/m2, precisa iniciar
urgentemente um programa de redução de peso no qual a ingestão de alimentos de
baixo valor calórico deve ser a regra.

C –
MILAGRES

Não é fácil resistir às
promessas das dietas oferecidas na TV. Os especialistas não se cansam de sugerir
para que sejam evitadas essas promessas milagrosas cujos resultados são
duvidosos. O melhor é usar a criatividade e a força de vontade para controlar a
gula. Como, por exemplo, consumir alimentos de todos os grupos – cereais
integrais, frutas, legumes, carnes, leite e derivados. Ao mesmo tempo, variar o
máximo que puder para não faltar nutrientes.

Existe uma fórmula para se
calcular o índice de massa corpórea. É muito simples: divida o peso pela
multiplicação da altura ao quadrado. Ou seja, peso/altura x altura = massa
corpórea. Um exemplo: se um indivíduo tem 98 quilos altura de l,75m = 32 kg/m2.
Assim, se a massa corpórea dessa pessoa é igual a 32 kg/m2, ele está com o peso
acima do normal.

D – Sedentarismo

Está
provado que levar uma vida sem atividades físicas é se auto-condenar a uma vida
breve. Portanto, é preciso abandonar o sedentarismo. O ideal é que a pessoa
passe a fazer uma caminhada regularmente de no mínimo 30 minuto todos os dias
ou, pelo menos, quatro vezes por semana.

Os melhores exercícios físicos
para hipertensos são as atividades mais simples como caminhar, nadar, correr,
andar de bicicleta. Práticas do tipo halterofilismo e musculação não são
recomendadas para hipertensos.

Os cuidados devem ser os
mesmos em relação às bebidas alcoólicas, como foi dito anteriormente. Seu
consumo exagerado eleva a pressão arterial. Para os homens, o uso de bebidas
destiladas do tipo uísque, vodka. aguardente etc não deve exceder 60 ml ao dia.
No caso do vinho, recomenda-se não passar dos 240 ml e a cerveja, dos 720
ml.

E – Mulheres

Por causa de
diferenças de metabolismo, tanto nas mulheres quanto nos indivíduos de peso
baixo, a ingestão alcoólica não deve ultrapassar a metade da permitida para os
homens. Se a pessoa não consegue se enquadrar nesses limites, a dica é que
abandone bebidas alcoólicas definitivamente.

É importante lembrar que,
além de fazer subir a pressão, o álcool é uma das causas de resistência ao
tratamento anti-hipertensivo. Sem esquecer que pode causar gastrite, problemas
no fígado, coração e cérebro.

F –
CIGARRO

Menos mal não faz o tabagismo. Pelo
contrário. Lidera as causas de morte. Fumar é o mais importante fator de risco
para se ter uma doença cardiovascular.

Tanto que é responsável por um em
cada seis óbitos, pois a nicotina aumenta a pressão arterial e acelera a
progressão da arteriosclerose (depósito de gordura nas paredes das artérias).
Abandonar o tabagismo deve ser a primeira providência do
hipertenso.

G –
ESTRESSE

Outro problema perigoso para quem tem hipertensão é o
estresse. Deve-se lembrar sempre que para cada pessoa as causas do estresse
podem ser diferentes. O melhor a se fazer é, se possível, identificar o motivo
que está gerando a tensão e eliminá-lo.

Recomenda-se administrar o problema
de maneira mais harmônica, sem deixar de recorrer a atividades de lazer como
complemento. É preciso identificar uma atividade que dê prazer, como ler,
pintar, bordar, participar de atividades sociais ou de grupos de
relaxamento.

IV – HIPERTENSÃO NA
GRAVIDEZ

A –
SIGNIFICADOS

Vários sinônimos são usados
para tratar da hipertensão na gravidez. Dentre eles, destacam-se hipertensão na
gestação, pré-eclâmpsia, toxemia gravídica, pressão alta da gestação; eclâmpsia,
hipertensão crônica associada à gestação.

Trata-se de um problema que
afeta as mulheres com bem mais frequência do que se imagina. A hipertensão
induzida pela gestação está relacionada a seu aparecimento em consequência da
gravidez. Normalmente se manifesta após as
primeiras vinte semanas de
gestação. Felizmente, desaparece até seis semanas após o parto.

B – Identificação

O diagnóstico é feito por meio da
verificação se a pressão arterial diastólica (mínima) é igual ou superior a 90
mmHg ou o aumento da pressão arterial acima de 15 mmHg o valor medido antes de
vinte semanas de gravidez.

De acordo com os especialistas, se foi
identificada a hipertensão na gravidez associada à perda de proteínas pela urina
— chamada de proteinúria -, está caracterizado um quadro chamado pré-eclâmpsia
ou toxemia gravídica.

Para entender melhor: acontece a pré-eclâmpsia ou
toxemia gravídica quando ocorre o aparecimento de hipertensão arterial
acompanhada de proteinúria em gestação acima de 20 semanas. Neste caso, pode
haver ou não inchaço nas pernas, rosto e mão.

O diagnóstico é clínico e
laboratorial: medida da pressão arterial, pesquisa de edema (inchaço) e dosagem
de proteínas na urina. Durante a gravidez, a pressão arterial deve ser medida
com a paciente sentada e confirmada após período de repouso em três
medidas.

C – CONVULSÕES

Acontece a eclâmpsia quando se dá o
aparecimento de convulsões que não podem ser atribuídas a outras causas. Dentre
elas, fatos graves como derrame cerebral ou intoxicação por drogas. Manifesta-se
em pacientes com quadro de pré-eclâmpsia. Pacientes com pré-eclâmpsia podem
evoluir para eclâmpsia.

O tratamento nesses casos se dá a
partir do manejo das pacientes. Leva-se em consideração o tempo de gestação e a
gravidade da pré-eclâmpsia — leve, grave ou eclâmpsia — para que se escolha a
conduta mais adequada.

O tratamento definitivo é a interrupção imediata
da gestação. Entretanto, algumas vezes é possível aguardar o amadurecimento do
feto para realizar o parto. Tudo vai depender de uma série de exames.

As
futuras mamães precisam ficar muito atentas porque a hipertensão pré-eclâmpsia
pode ser grave se houver algum dos seguintes sintomas: pressão arterial
diastólica igual ou maior que 110mmHg; presença de mais 2,0 g de proteínas na
urina de 24 horas; volume de urina inferior a 500 ml/dia ou 15 ml/hora.

E
mais: níveis sérios de creatinina maiores que 1,2 mg/dl; dor de cabeça
importante, vômitos e visualização de escotomas (estrelinhas); sinais de
falência cardíaca, como falta de ar, cansaço, aumento do número de batimentos
cardíacos; e dor abdominal, principalmente sobre a região do
fígado.

D –
Outros

Os médicos consideram também como sintomas: diminuição do
número de plaquetas no sangue e distúrbio dos fatores responsáveis pela
coagulação; aumento de enzimas hepáticas; e presença de líquido amniótico em
quantidade diminuída e feto pequeno para a idade gestacional — menor do que o
esperado.

São identificados como fatores de risco para mulher apresentar
pré-eclâmpsia: primeira gravidez; história de familiares com pré-eclâmpsia ou
eclâmpsia; ter apresentado pré-eclâmpsia em gestação anterior; ser a gestação
gemelar; ter hipertensão arterial crônica, nefropatia, lúpus ou diabetes; e
gestação com parceiro diferente.

E –
ECLÂMPSIA:

O procedimento médico em
casos de eclâmpsia é procurar no primeiro momento tratar as convulsões e os
distúrbios metabólicos maternos. Logo depois, a gestação deve ser interrompida.
Nos países desenvolvidos, a doença hipertensiva da gestação é a principal causa
de mortalidade materna.

Não é raro acontecer também
a Síndrome HELLP. Ou seja, conjunto de sinais e sintomas que ocorre com o
agravamento do quadro de pré-eclâmpsia. HELLP é uma sigla que quer dizer
Hemólise (fragmentação das células vermelhas do sangue na circulação), alteração
das provas de função hepática (elevated liver functions tests) e LP, diminuição
do número de plaquetas (células que auxiliam na coagulação) circulantes (low
platelets count).

A HELLP está associada ao
que se chama de mau desfecho materno e fetal, quando ocorrem complicações
maternas graves, como edema agudo de pulmão, falência cardíaca, insuficiência
renal, CIVD (coagulação intravascular disseminada) com hemorragias importantes,
ruptura do fígado e morte materna.

Segundo especialistas, a
síndrome está presente na mulher quando ela tem pré-eclâmpsia e apresenta
alterações laboratoriais ou clínicas compatíveis com hemólise, alteração das
enzimas hepáticas e diminuição das plaquetas. Para tratá-la, faz-se necessário
corrigir os distúrbios maternos, de modo a permitir que a gestação seja
interrompida de forma mais segura possível, independemente da idade
gestacional.

F –
CRÔNICA

A gestante pode, sim, ter
hipertensão crônica. O problema geralmente se manifesta antes da vigésima semana
de gestação, quando já havia sido diagnosticada previamente a gestação. Além
disso, a hipertensão não desaparece até seis semanas após o
parto.

Não se conhece a causa. Pode ter
origem renal, vascular (coartação da aorta) e endócrina (doenças da
supra-renal). Por tudo isso, recomenda-se que pacientes com histórico de
hipertensão devam consultar o médico para serem avaliados quanto à gravidade da
doença e informadas dos problemas que poderão surgir durante a gestação. Pelo
risco que oferece, as mulheres hipertensas graves devem estar cientes dos riscos
maternos antes da concepção.

G –
FUNCIONAMENTO

O ciclo de funcionamento do coração
começa com a batida no nó sinoatrial. Em seguida, vem a contração do átrio. Há
uma pausa durante a passagem da onda pelo feixe de His.

Logo em seguida, os ventrículos se
contraem. Tudo isso claro, é muito, muito muito rápido. Dura aproximadamente 0,8
segundos. Sua composição contém uma parte atrial – sistole (0,1 segundo) e
diástole (0,7 segundo) e de uma parte ventricular – sistole (0,3 segundo) e
diástole (0,5 segundo).

H –
DIÁSTOLE

O fluxo
sanguíneo tem início quando os átrios estão relaxados. Começa desse modo a
diástole ventricular isométrica. Em seguida, a pressão atrial se eleva e as
válvulas atrioventriculares se abrem permitindo o fluxo rápido do sangue para os
ventrículos. Estes se enchem em 70% antes que a contração atrial
ocorra.

Ocorre,
então, um aumento na pressão intraventricular e as valvas atrioventriculares se
fecham. Causam, dessa forma, o primeiro som cardíaco.

Os
ventrículos se mantêm contraídos, mas o sangue não sai. Essa é a fase de
contração isométrica ventricular, que eleva as pressões no ventrículo até o
ponto que excede a pressão na artéria aorta e pulmonar e as valvas semilunares
se abrem e o sangue é ejetado.

O
líquido deixa então os ventrículos. A pressão aumenta nos vasos sanguíneos e
diminui nos ventrículos. As valvas semilunares se fecham e produzem o segundo
som cardíaco.

I – DÉBITO

Dentre os fenômenos que acontecem
no funcionamento dessa bomba de drenagem do sangue que é o coração está o chamdo
débito cardíaco. Trata-se da quantidade de sangue bombeado para cada ventrículo
no espaço temporal de um minuto, dependendo da frequência cardíaca e do volume
sistólico.

A equação para fazer a medição é
assim: DC = FC x VS. A frequência cardíaca é o número de vezes que o coração
bate por minuto, dependendo do ritmo do nó sinoatrial.

Se o corpo está em um estado de
repouso, a atividade simpática é mínima e atividade parassimpática prevalece
através do nervo vago, inibindo o nó sinoatrial. Já em estados de tensão
emocional ou de prática de exercícios físicos, a atividade simpática prevalece
por meio da liberação de hormônios como a adrenalina e a noradrenalina, que agem
no sentido de acelerar o coração.

J –
ALTERAÇÃO

A
frequência cardíaca pode ser alterada pela elevação da pressão arterial, que
reduzirá o ritmo cardíaco e a queda da pressão arterial fará o contrário. Essas
mudanças da frequência relacionadas com a pressão arterial acontecem por causa
dos barorreceptores nos corpos carotídeos e aórticos.

Quando a pressão
arterial é elevada, os barorreceptores entendem que há um aumento do débito
cardíaco rápido. E os barorreceptores respondem inibindo a atividade
simpática.

Outro acontecimento regular identificado é o volume sistólico,
forma como é chamado o débito por ventrículo e por batida cardíaca. É
determinado pelo grau de enchimento dos ventrículos e pela força de contração
ventricular, sendo que um dos fatores mais importantes para o volume sistólico é
o retorno venoso.

A circulação sistêmica, o gradiente de pressão que a
afeta, é formada pela pressão resultante da contração ventricular esquerda e a
existente nas veias e átrio direito. O valor médio da pressão sanguínea arterial
é de 100 mmHg, enquanto que a pressão venosa é de zero mmHg.

O fenômeno
da atividade simpática ocorre no momento em que a pressão sanguínea se eleva, os
barorreceptores dos corpos carotídeos e aórticos aumentam os impulsos nervosos
para medula, inibindo a atividade do centro vasomotor, reduzindo o tônus
simpático.

A circulação pulmonar é um sistema de baixa pressão cuja
função é transportar sangue aos pulmões. Os vasos venosos são mais extensíveis
que os vasos arteriais, para poderem acomodar todo o volume de sangue
adequadamente. A pressão média na artéria pulmonar é por volta de 15 mmHg. A
anóxia e hipercapnia aumentam a resistência vascular
pulmonar.

V –
RELAÇÃO DE DOENÇAS CARDÍACAS

A Medicina identifica nada menos
que vinte importantes doenças que podem ter relações com o funcionamento
cardíaco nos primeiros tempos de vida. Além dessas, existem muitas outras formas
de doenças cardíacas congênitas, algumas delas muito complexas e raras. Se o
caso do seu filho não está relacionado abaixo, peça ao seu cardiologista para
que tente descrevê-lo em termos simples.

1 – ATRÉSIA DA TRICÚSPIDE
(AT)

Acontece esse tipo de doença quando
a válvula tricúspide está completamente ocluída, de modo que o sangue que chega
pelas veias cavas tem de passar do aurículo direito para o aurículo esquerdo,
antes de chegar aos ventrículos.

O ventrículo direito é muito
pequeno e não é aproveitável para fazer uma correção completa. Os sinais que as
crianças apresentam quando têm esse problema dependem muito das lesões que são
associadas.

Assim, tem de existir uma via para
que o sangue circule do aurículo direito para o esquerdo. Se não há, é preciso
fazer urgentemente um cateterismo para fazer esse condutor – chamado
Atrioseptostomia com balão ou procedimento de Rashkind.

Em seguida, o sangue, para chegar
ao ventrículo direito, tem de ir do ventrículo esquerdo, através de uma CIV, que
pode ser grande ou pequena, e neste caso temos uma estenose que será pulmonar se
as artérias tiverem relação normal ou aórtica se estiverem
trocadas.

As crianças que têm cianose muito
intensa necessitam efetuar anastomose-pulmonar. Os médicos recomendam que a
correção seja feita numa idade mais avançada através de uma operação delicada em
que se liga diretamente o aurículo direito (ou as veias cavas) à artéria
pulmonar (Operação de Fontan).

Esse tipo de cirurgia costuma dar
bons resultados se a criança está em boas condições de saúde. Normalmente,
porém, ficam com a pressão nas veias elevada, o que pode provocar problemas nos
meses seguintes à operação. Daí a necessidade de um rigoroso acompanhamento
médico.

2 – ATRÉSIA PULMONAR COM CIV (AP +
CIV)

Trata-se de uma doença que se
caracteriza pela forma extrema da Tetralogiade Fallot, quando há uma oclusão
total da saída do ventrículo direito para as artérias pulmonares. Desse modo,
todo o sangue do ventrículo direito passa para a aorta, de forma que a cianose é
quase sempre muito intensa.

O ventrículo tem um bom tamanho, ao
contrário do que acontece na Atrésia Pulmonar com septo interventricular
intacto. Assim, a possibilidade de correção do problema vai depender das
artérias pulmonares.

Em algumas crianças, as artérias
pulmonares não existem. Em outras, são extremamente pequenas, o que
impossibilita a correção. É comum que haja vasos anormais que liguem a artéria
aorta aos pulmões e que mantêm a criança viva.

Como tratamento, os médicos
recomendam quase sempre que é necessário efetuar uma ou várias anastomoses
sistêmico-pulmonares antes de se tentar a correção completa. Esta é possível por
meio de um tubo que é colocado entre o ventrículo direito e as artérias
pulmonares.

3 – ATRÉSIA PULMONAR COM SEPTO IV
INTACTO (AP + SI)

Se ocorrer algo parecido com um
aperto na saída do sangue do ventrículo direito para a artéria pulmonar em
condições relevantes, essa saída ficará completamente obstruída. Trata-se de um
fenômeno chamado de atrésia pulmonar.

Em casos assim, as artérias
pulmonares costumam ser bastante estreitas e a única fonte de sangue para os
pulmões só se dá por meio do canal arterial. No momento em que o problema
aparece,tem-se uma situação muito grave. Costuma acontecer imediatamente após o
nascimento e o tratamento tem de ser sempre cirúrgico.

A intervenção cirúrgica nesse caso
considera muito o tamanho do ventrículo direito, que costuma ser muito pequeno,
embora por vezestenha medidas normais. São casos que normalmente obrigam a mais
de uma cirurgia para conseguir que o sangue chegue aos pulmões. Não raro, a
correção tem de ser executada como se existisse só um
ventrículo.

4 – CARDIOMIOPATIA HIPERTRÓRICA
(CMH)

Trata-se de uma situação rara de
problema cardíaco que pode estar associado muitas vezes com doenças genéticas de
outros sistemas. Nesse caso, os ventrículos se revelam muito engrossados – tanto
acontece em um como e como em ambos.

Pelo fato de esse músculo estar
engrossado, o organismo tem dificuldade para receber o sangue das aurículas. Por
vezes, ao se contrair, provoca também obstrução a qual é considerada de muita
gravidade se é na saída do ventrículo esquerdo.

O tratamento para esses casos se dá
apenas pela ingestão de medicamentos adequados e exige vigilância constante.
Muitos doentes, no entanto, passam toda a infância sem apresentar qualquer
sintoma.

5 – COARTAÇÃO DA AORTA
(CoAo)

A palavra soa estranha: coartação
da aorta. Mas esse é o termo médico usado para definir um estreitamento da
principal artéria do corpo, a artéria aorta. Sua ocorrência se dá quase sempre
imediatamente após o arco aórtico, por baixo da saída da artéria que irriga o
braço esquerdo.

A doença pode estar associada a
anomalias de duas válvulas importantes, a aórtica e a mitral. Esse afinamento do
canal aumenta o esforço que o ventrículo esquerdo, tem de fazer para fluir o
sangue. Como consequência, provoca hipertensão arterial nos braços e na cabeça e
hipotensão na parte inferior do corpo.

Se acontecer da coartação
da aorta for muito severa e se apresentar nos primeiros dias de vida — nota-se
com falta de ar e cansaço com as mamadas —, o agravamento pode ser muito rápido
na situação do bebê. Em casos gravíssimos, o óbito pode vir em poucas horas se
não for adequadamente tratado.

Caso a obstrução seja mais num grau
considerado mais leve, sua ocorrência é habitualmente detectada mais tarde ao
encontrar-se um sopro cardíaco ou hipertensão arterial.

De qualquer
modo, a operação corretiva é quase sempre necessária — exceto em casos muito
leves, devidamente conduzídos por um especialista. A intervenção consiste em
alargar a zona estreita. Isso pode ser efetuado com várias técnicas, mas sempre
por uma abertura na parte esquerda do peito e sem tocar no
coração.

Existem casos bem graves em que a operação é urgente. Mas a
experiência mostra que os resultados são melhores quando a cirurgia é efetuada
depois do terceiro mês de vida.

Os cardiologistas chamam a atenção de que
é necessária vigilância permanente em crianças operadas porque pode acontecer
que essa zona volte a estreitar com o crescimento e ser necessária nova operação
ou dilatação por meio de cateterismo.

Por vezes também acontece de
persistir a hipertensão arterial mesmo após a cirurgia, especialmente quando
essa é efetuada em crianças mais velhas. Esses pacientes precisam
prioritariamente de acompanhamento médico.

6-
Comunicação Interaurícular (CIA)

A comunicação interauricular,
mais conhecida como CIA, consiste na existência de uma comunicação no septo, que
separa as duas aurículas. Isso é normal na vida fetal devido à diferença na
circulação, mas esse orifício, que é normal no feto, deve encerrar
espontaneamente durante os primeiros tempos de vida.

A medicina
identifica vários tipos de CIA. Tudo depende do local onde exista o buraco. Os
casos mais frequentes de acontecer são na parte central do septo, onde existe
‘foramen oval’. Mas pode aparecer junto à entrada das veia cavas superior ou
inferior. Ou mesmo na parte baixa do septo, junto às válvulas mitral e
tricúspide.

Os últimos são as chamadas CIAs do tipo "ostium primum". São
casos que estão habitualmente associados a um defeito na válvula mitral que
permite a regurgitação através dessa válvula.

Segundo especialistas,
outra doença particular que é muito semelhante à CIA é a chamada Drenagem Venosa
Pulmonar Anômala Parcial, que é registrada quando uma ou várias veias pulmonares
— não todas — entram na aurícula direita em vez de entrar na aurícula
esquerda.

Tanto neste caso como nas várias formas de CIA o efeito é o
mesmo: há passagem de sangue da aurícula esquerda para a aurícula direita, o
qual vai passar ao ventrículo direito e aos pulmões. Essa operação leva a uma
dilatação dessas cavidades.

Normalmente as crianças que têm algum desses
problemas passam muito bem. Vivem sem apresentar qualquer sintoma. A ponto de a
doença passar despercebida por muito tempo, o sopro que se encontra parece um
sopro inocente.

A situação tende a se agravar no momento em que a CIA é
de tamanho moderado ou grande. Assim, as crianças podem apresentar infecções
respiratórias repetidas e dificuldade em ganhar peso. Se a doença não é
corrigida, as cavidades direitas vâo ficar sujeitas a um trabalho excessivo e de
sobrecarga durante anos. Consequente, entram em falência na meia
idade.

Não por acaso, os especialistas recomendam que é conveniente
operar esses doentes, de forma efetiva, ainda na idade pré-escolar. A operação
consiste em encerrar o buraco nas formas simples e corrigir o defeito da válvula
mitral nas CIAs tipo "ostium primum". É uma cirurgia hoje considerada simples,
praticamente sem complicações, e a criança fica completamente bem.
(…)

Joel Cardoso 

Anúncios

Sobre aricarrasco

sou simples mas co objetivos e convicções definidos.
Esse post foi publicado em Saúde e bem-estar. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s