Homossexualidade

HOMOSSEXUALIDADE

DESAFIOS EM
PSICOTERAPIA

A homossexualidade há muito
vem sendo motivo de preocupação e questionamentos em todos os campos de estudos,
entretanto, pouco encontramos de uma literatura realmente idônea acerca do tema,
muito provavelmente pela delicadeza do assunto. Na lembrança de Emmanuel, na
introdução do livro Vida e Sexo, reafirmamos que nossa Terra não possui elemento
humano em condições de mestre no tema sexualidade, pois temos "telhado de vidro"
e o nosso posicionamento poderá ser hipócrita, ao querermos julgar ou ensinar o
que não vivenciamos ainda.

Ao aceitarmos o desafio do tema, fazemo-lo na
condição de simples aprendizes, com a preocupação de que nossa pesquisa e
proposições sirvam como alavanca para outros profissionais da área de saúde e
companheiros de ideal espírita, objetivando auxiliar, verdadeiramente, aqueles
que passam pela provação do desvio sexual. Em nosso trabalho profissional, temos
nos deparado com inúmeros casos de homossexualismo, levando-nos a avaliar nossa
própria responsabilidade diante do tratamento dessas criaturas, (já que o acaso
não existe), e, entendendo nossas dificuldades pessoais no campo do sexo,
buscamos direcionar a nossa tarefa nas seguintes diretrizes:

"O homem do
mundo é mais frágil do que perverso"; "Misericórdia quero, e não sacrifício";
"Amarás o teu próximo como a ti mesmo". Pode parecer uma posição um tanto piegas
para um profissional médico, mas diante da dor do outro, mais do que teorias e
explicações, precisamos nos colocar na verdadeira posição do terapeuta, como nos
ensinavam os gregos: verdadeiro sacerdote a buscar caminhos de religação com o
Pai.

No cotidiano dos consultórios, o que temos encontrado são criaturas
conturbadas em suas dores, julgadas e condenadas em si mesmas, consideradas por
muitos como párias e classificadas por algumas escolas terapêuticas como sem
cura, fadadas a um sofrimento eterno, não muito diferente das realidades
infernais, narradas por diversas mitologias. Em sua maioria, são pessoas
ignorantes dos conhecimentos espíritas (que nos sustentam os passos), sem
condições de tomar atitudes ou posturas radicais, obrigando-nos aprocurar meios
de auxílio, evitando que muitos se percam em outros vícios ou no abismo do
suicídio.

Por outro lado, encontramos na maior parte da literatura
posicionamentos radicais. Uns, tendentes a um liberalismo amoral, estimulando as
condutas e acreditando que o homossexualismo seria uma opção, ou mesmo uma
categoria sexual; outros, opostamente colocados, postulam-no como uma doença e
defeito moral grave, exigindo uma atitude de total abstinência e retraimento de
todas essas tendências, em sua vida de relação; e ainda outros, que se acercam
do tema de forma irresponsável ou jocosa, sem valorizar a situação daquele que
vive a problemática.

Nosso trabalho será desenvolvido em três
etapas:
• conhecimento científico;
• visão espírita;
A abordagem é a
médica – psicológica.

CONCEITO

Homossexualidade é a condição do indivíduo
na qual a sua preferência sexual (tanto afetiva quanto genital) está voltada
para parceiros do mesmo sexo, sendo que essa preferência pode ser exclusiva ou
predominantemente homossexual. Alguns estudiosos tentam diferenciar a
homossexualidade do homossexualismo, entendendo a primeira como a simples
atração sexual, enquanto o segundo seria a vivência do primeiro, ou seja, uma
seria a tendência e o outro, a prática.

Em abril de 1974, a Associação
Americana de Psiquiatria estabeleceu que a homossexualidade ‘per se’ não seria
mais considerada uma
perturbação mental, criando uma nova categoria de
"distúrbios de orientação sexual", incluindo a homossexualidade como distúrbio
apenas nos casos de distonia do ego. Assim sendo, somente o homossexual que se
sinta em conflito com sua identidade anatômica e psíquica deve ser alvo de
atendimento ou assistência psicológica. Essa tendência foi mantida nas revisões
seguintes do Manual de Diagnóstico e Estatística e na orientação do
CID-10.

Os melhores dados sobre uma estatística da presença de
homossexuais e bissexuais, em uma população, continuam sendo os de Kinsey,
realizado nos Estados Unidos, relatando que 4% dos adultos homens eram
exclusivamente homossexuais, durante toda a vida e 13% foram-no pelo menos
durante três anos seguidos, entre as idades de 16 e 55 anos. Mostraram também
que de cada três homens mais de um teve experiências de interação sexual,
seguido de orgasmo, com parceiros do mesmo sexo, durante os anos pós-púberes. A
proporção para mulheres, no mesmo relatório, foi aproximadamente a metade da
atribuída aos homens.

CAUSAS

Para as
ciências tradicionais, o que levaria ao comportamento sexual é ainda enigmático
e controverso, tanto no nível hetero como homossexual. No campo da
heterossexualidade, a menos controversa das explicações advém da visão
darwiniana, que a apresenta como uma predisposição biologicamente programada,
necessária à sobrevivência das espécies.

Sigmund Freud trata a
homossexualidade como uma repressão do desenvolvimento psicossexual. Ela seria o
resultado de uma má resolução do Complexo de Édipo, quando o indivíduo se
identificaria com a figura materna, dando vazão ao seu componente feminino,
buscando sua realização sexual com um parceiro do mesmo sexo. Os indivíduos que
tivessem seu desenvolvimento psicossexual normal transformariam os vestígios da
sua primeira fase (homossexualidade latente), por sublimação, em comportamentos
afetuosos em relação a pessoas do mesmo sexo ou em tendências passivas nos
homens e agressivas nas mulheres.

Freud identificava, também, fatores
traumáticos vinculados ao temor da castração como elementos importantes no
surgimento da homossexualidade. Bieber, outro estudioso da sexualidade, rejeitou
a teoria da bissexualidade psíquica, afirmando que a heterossexualidade seria o
estado humano biologicamente normal. Relacionou a homossexualidade às
experiências familiares patogênicas precoces.

No caso da homossexualidade
masculina, ela resultaria de vivências com uma mãe sufocante e sedutora e de um
pai passivo, hostil, isolado ou ausente. No caso feminino, ele não conseguira
padrões familiares bem definidos. Hatterer relacionou uma lista de situações do
início de vida, as quais poderiam resultar no surgimento do homossexualismo
masculino, ou sejam:
• forte fixação na mãe;
• falta de cuidados paternos
efetivos;
• inibição do desenvolvimento masculino pela mãe;
• fixação ou
regressão ao estágio narcísico do desenvolvimento; e perdas na competição com os
irmãos e irmãs.

No caso da homossexualidade feminina, os pais são vistos
como criaturas muito sedutoras, com uma vinculação importante com a filha. As
pesquisas não demonstraram posicionamento materno diferente daquele apresentado
por mães de heterossexuais. No momento atual das pesquisas genéticas, é muito
cedo para afirmar ou negar o componente hereditário para a homossexualidade, o
chamado popularmente ‘gene gay’. Na realidade, os estudos são inexpressivos e há
uma tendência dos defensores de uma postura liberalizante do homossexualismo
para enfatizar esses resultados.

ASPECTOS CLÍNICOS E
PSICOPATOLÓGICOS

Os aspectos comportamentais de homens e mulheres
homossexuais são tão variados como os do heterossexuais. As práticas sexuais são
semelhantes, limitadas pelos aspectos anatômicos e os padrões de experiências
variam de par a par. São encontrados casais homossexuais com relacionamentos
monogâmicos de longa duração e outros de contatos passageiros, sendo que,
conforme as pesquisas, os casais femininos são mais estáveis. Muitos dos
relacionamentos masculinos iniciam-se em ambientes homossexuais ou através de
encontros em parques e ambientes públicos. No caso feminino, os ambientes
exclusivos têm aumentado em menor proporção, fazendo com os encontros ocorram de
outras formas.

Os homossexuais têm
conquistado, nos últimos tempos, determinações legais, em diversos países, que
tendem progressivamente a desaparecer com as discriminações do ponto de vista
civil e social. No Brasil, encontra-se em tramitação, no Congresso Nacional, um
projeto de lei que assegura os direitos de herança e assistência aos
companheiros homossexuais. O processo de estigmatização social é maior em
relação aos homossexuais femininos.

Partindo do ponto de vista do qual a
homossexualidade não seria um transtorno mental, o grau de psicopatologia que
pode ser encontrado entre os homossexuais não seria diferente daquele presente
entre os heterossexuais. O quadro clínico, no caso da homossexualidade,
considerado digno de acompanhamento é assim descrito: o indivíduo possui o
desejo de adquirir ou aumentar o estímulo heterossexual, de modo que os
relacionamentos desse tipo possam ser iniciados ou mantidos e o padrão
sustentado de estímulo homossexual manifesto, do qual o indivíduo explicitamente
se queixa, é indesejado e fonte de aflição. Os indivíduos com essa perturbação
tanto podem não ter estímulo heterossexual como tê-lo muito fraco.

Uma
pessoa, para ser diagnosticada como sofrendo de "homossexualidade
ego-distônica", deve estar fortemente desejosa de ter o estímulo heterossexual e
de estabelecer esses relacionamentos, a fim de conduzir esse estilo de vida e
deve ter sido malsucedida no alcance desse objetivo devido aos padrões de
estímulo predominantemente homossexual. Além disso, a pessoa deve considerar os
padrões homossexuais como uma fonte considerável de sofrimento.

TRATAMENTO

Quanto à terapêutica, existe uma disputa
em relação à eficácia de vários procedimentos. Bieber relatou que, com um mínimo
de 350 horas de sessões psicanalíticas, aproximadamente um terço de 100 homens
bissexuais ou homossexuais conseguiu reorientar-se no sentido da
heterossexualidade, num acompanhamento de cinco anos. Terapeutas comportamentais
relatam números semelhantes.

MacCulloch e Feldman usaram em seus
trabalhos o condicionamento de evitação antecipada. Essa verificação manteve-se
em dois anos de acompanhamento. Outros métodos menos detalhados têm produzido
resultados menores que um terço. Um deles é o da sensibilização
dissimulada.

Um estilo alternativo de intervenção é dirigido à
capacitação da pessoa para viver mais confortavelmente como homossexual, sem
culpa, vergonha, ansiedade ou depressão. A maioria dos trabalhos é dirigida aos
homossexuais masculinos, existindo poucos dados e estudos no campo da
homossexualidade feminina.

A VISÃO
ESPÍRITA

A pergunta 202 de O Livro dos Espíritos afirma: "Quando
errante, que prefere o espírito: encarnar no corpo de um homem ou de uma mulher?
Resposta: Isso pouco lhe importa. O que o guia na escolha são as provas por que
haja de passar". Essa colocação da Codificação demonstra a existência da
bissexualidade psicológica do Espírito, o que não identifica, entretanto, uma
concordância com a vivência bissexual do ser enquanto encarnado no campo da
genitalidade. Essa postura doutrinária encontraria posteriormente sua
confirmação nos estudos da Psicanálise.

Kardec, na Revista Espírita,
assim se expressa quanto às experiências sexuais do Espírito, em suas diversas
encarnações: "É com o mesmo objetivo que os Espíritos encarnam nos diferentes
sexos; aquele que foi homem poderá renascer mulher e aquele que foi mulher
poderá renascer homem, a fim de realizar os deveres de cada uma dessas posições
e sofrer-lhes as provas. (…) Pode acontecer que o Espírito percorra uma série
de existências no mesmo sexo, o que faz com que, durante muito tempo, possa
conservar, no estado de Espírito, o caráter de homem ou de mulher, cuja marca
nele ficou impressa".

O Espírito André Luiz, através da mediunidade de
Francisco C. Xavier, assim esclarece: "O sexo, na essência, é a soma das
qualidades passivas ou positivas do campo mental do ser. É natural que o
espírito acentuadamente feminino se demore, séculos e séculos, nas linhas
evolutivas da mulher e que o espírito marcadamente masculino se detenha por
longo tempo nas experiências do homem.

É essa condição de que o sexo seja
mental, como bem esclarece a Codificação e as obras subsidiárias, que pode
explicar a questão da homossexualidade. Se o sexo não fosse
mental, não haveria razão para a existência de tal condição; a morfologia do
corpo não se superpõe aos poderes da mente, mas sujeita-se às suas
ordens
. E essa estrutura psicológica, em que se nos erguem os destinos,
foi manipulada com os ingredientes do sexo, através de milhares de
reencarnações, no dizer de Emmanuel, pela psicografia de Francisco C.
Xavier.

Na vida espiritual, cada Espírito será definido de conformidade
com as qualidades masculinas ou femininas que forem predominantes em seu campo
mental. Segundo a visão da maioria dos estudiosos espíritas, o Espírito precisa
passar pelas experiências dos dois sexos, porque o campo do aprendizado de cada
um é diferente. Assim, através de milênios e milênios o Espírito passa por
fieira imensa de reencarnações, ora em posição de feminilidade, ora em condições
de masculinidade, o que sedimenta o fenômeno da bissexualidade, mais ou menos
pronunciado, em quase todas as criaturas. O homem e a mulher serão, desse modo,
de maneira respectiva, acentuadamente masculino ou acentuadamente feminino, sem
especificação psicológica absoluta, conforme afirma-nos o Benfeitor
Emmanuel.

André Luiz, avaliando a situação, assim se expressa: "Na Crosta
Planetária os temas sexuais são levados em conta, na base dos sinais físicos que
diferenciam o homem da mulher e vice-versa; no entanto, ponderou que isso não
define a realidade integral, porquanto, regendo esses marcos, permanece um
Espírito imortal, com idade às vezes multimilenária, encerrando consigo a soma
de experiências complexas, o que obriga a própria Ciência terrena a proclamar,
presentemente, que masculinidade e feminilidade totais são inexistentes na
personalidade humana, do ponto de vista psicológico. Homens e mulheres, em
Espírito, apresentam certa percentagem mais ou menos elevada de características
viris e femininas em cada indivíduo, o que não assegura possibilidade de
comportamento íntimo normal para todos, segundo a conceituação de normalidade
que a maioria dos homens estabelece para o meio social".

Desse modo,
Camilo, Espírito orientador de J. Raul Teixeira, afirma: "Provenientes dos
recônditos da alma, onde se alocam reminiscências de desrespeito e de crimes
hediondos, cometidos contra as leis morais que são presentes nas consciências
humanas, ou, por outro modo, decorrentes de processos educacionais deletérios
que se apoiaram em inclinações morais deficitárias, ainda não suficientemente
amadurecidas para a verdadeira liberdade, os dramas homossexuais têm lugar na
intimidade das criaturas, largamente".

Motivados, ainda, por terríveis
programas obsessivos, que antigos inimigos desencarnados engendram por vingança
ou, ainda, decorrentes de perturbações psiquiátricas não devidamente
diagnosticadas, explodem quadros homossexuais aqui e acolá. Aproveitemos essas
últimas colocações para tentarmos classificar as causas da homossexualidade do
ponto de vista doutrinário:
• Causas morais;
• Causas educacionais;

Causas obsessivas;
• Causas psiquiátricas.

No campo das causas morais,
encontraríamos aquelas criaturas que abusaram das faculdades genésicas, tanto na
posição masculina quanto feminina, arruinando a vida de outras pessoas,
destruindo uniões e lares diversos, as quais são induzidas a buscarem nova
posição em corpos físicos opostos às suas estruturas psicológicas, ao
reencarnarem, para aprenderem, em regime de prisão, a reajustarem em seus
próprios sentimentos. Encontraríamos, também, aqueles outros que persistem
nessas práticas por uma busca hedonista, sem maior compromisso com a vida, que
assim reencarnaram na tentativa de retratarem suas posições, em nova
oportunidade de resgate. São Espíritos rebeldes, pertinazes em seus erros, que
encontram na questão de inversão sexual uma oportunidade para o refazimento de
suas vidas, onde as leis divinas colocam-nos diante de situações semelhantes do
passado de faltas, a cobrar-lhes posturas mais éticas perante si e o
outro.

As causas educacionais poderiam ser agrupadas em atávicas e
atuais. A atávica é resultante de vivências repetitivas dos Espíritos em
culturas e comunidades onde a prática homossexual seria aceita e até estimulada,
como na Grécia antiga e em tribos indígenas, nos diversos continentes ou nas
sociedades culturais e religiosas que segregavam ou segregam seus membros,
facilitando nas criaturas esse comportamento; assim, ao reencarnarem em um local
onde o homossexualismo não mais fosse aceito como prática livre, esbarrariam com
sua condição viciosa.

Dentro das atuais, teríamos aquelas frutos dos
defeitos de educação nos lares, onde o comprometimento dos afetos já estaria
anteriormente presente, nas quais as paixões deterioradas do passado tenderiam a
levar pais e parentes ascendentes a estimularem posturas psicológicas e sexuais
inversas ao seu estado físico em seus descendentes , sem que necessariamente
ocorressem comportamentos ostensivamente incestuosos .

Encontraríamos,
também os casos de pais contrariados em seus desejos quanto ao sexo do rebento,
levando-o a uma condição inversa ao do seu sexo físico ou, ainda, aqueles dos
quais a entidade reencarnante ao perceber esse desejo inconsciente dos pais,
durante o processo da gestação, buscaria patologicamente adaptar-se a essa
situação.

Outra causa estaria na presença de segmentos atuais da
sociedade e da cultura a estimularem essas condutas, onde uma linguagem mais
política e sem comprometimento ético, através dos diversos meios de comunicação,
estimularia e condicionaria as criaturas a acreditarem que essas vivências
seriam uma postura natural, dependendo unicamente da escolha do indivíduo. Esse
posicionamento iria de encontro com uma visão social maior, que continua
atribuindo ao homossexualismo uma condição de marginalidade, mantendo um
processo de segregação social e associando a ele outras posturas marginalizadas,
como o abuso das drogas e a prostituição, agravando ainda mais a situação
daqueles que optaram por essa postura sexual.

Entre as causas obsessivas
podemos citar os casos em que parceiros do passado delituoso, em processos
homossexuais ou vivências sexuais heterossexuais pervertidas, reencontram-se em
condição de ódio ou paixão doentia, a estimularem no encarnado uma postura
homossexual, com o objetivo de atender o desencarnado em suas ânsias viciosas ou
de levar a sua vítima a situação constrangedora e de intenso sofrimento. Esses
desencarnados poderiam estar numa condição mental de homossexualidade ou não,
induzindo o encarnado num projeto de total desestruturação íntima e
social.

O processo obsessivo não precisa necessariamente ter sua origem
numa encarnação anterior. Ocorre que, nos casos de uma obsessão atual, os
parceiros da vivência patológica participam de opções de vida viciosas, onde
geralmente o encarnado invigilante busca posições mentais sexualmente
pervertidas ou locais nos quais esses comportamentos são socialmente aceitos,
condicionando-se a essas práticas.

Uma outra situação possível, oriunda
de um processo obsessivo, seria aquela na qual um espírito obsediando um
encarnado em posição sexual inversa à sua passaria, enfermado por uma interação
intensa e duradoura, a sentir prazer sexual semelhante à sua vítima,
pervertendo-se nesse campo e condicionando-se, numa próxima encarnação, a uma
vivência homossexual. Nesses casos, a situação obsessiva teria existido numa
encarnação anterior e a homossexualidade seria a desdita daquele que teria sido
o algoz, naquela vivência; seria o famoso caso em que "o tiro saiu pela
culatra".

As causas psiquiátricas reúnem os casos onde a criatura, presa
a um processo de deficiência mental ou de desestruturação psicótica, vê-se com a
crítica comprometida, permitindo-se condutas sexuais das mais diversas, sem
necessariamente existir uma escolha do objeto de desejo ou compreensão da
condição moral. São relações homossexuais sem necessariamente representarem
opções de homossexualidade. Resultam de um passado delituoso, em outras áreas, a
influenciar a criatura nos diversos setores de sua vida.

No campo da
psicopatologia, encontramos, ainda, os transtornos psicopáticos, nos quais as
criaturas posicionam-se numa condição de amoralidade e imoralidade, optando por
uma vida de prazeres sem limites, não se constrangendo, por nenhum motivo, na
busca do hedonismo, estimulando em si e nas criaturas psiquicamente
influenciáveis a homossexualidade.

Teríamos, de maneira especial, os
processos frutos de vivências traumáticas na infância, quando a criança seduzida
sexualmente por um dos seus ascendentes familiares, viu-se condicionada por ele
a um comportamento sexual invertido (por exemplo: um pai que usa sexualmente um
filho); ou quando o jogo de sedução e perversão realizado por parentes de sexos
opostos provoca uma situação de ódio intenso, levando a criança ou o jovem a
fazer uma opção homossexual, como forma de rejeitar aquela
vivência.

A TERAPÊUTICA ESPÍRITA

A
Doutrina dos Espíritos oferece-nos recursos, em diversas áreas de atuação,
capazes de facilitar não só a compreensão das pessoas ligadas direta ou
indiretamente nos casos de homossexualismo como a proporcionar condições de
mudança, para os que buscam se renovar.

Do ponto de vista do conhecimento
doutrinário, ou seja, do contato do indivíduo com as verdades espíritas, estas
facilitam-lhe a compreensão daquilo pelo qual a criatura está passando,
despertam-lhe as idéias no campo da reencarnação, da lei de causa e efeito, da
busca da realidade maior sobre o caminho mais adequado para a melhoria e das
técnicas espíritas para o tratamento. Elas abrirão espaço para que a criatura
pense por um outro ângulo, conscientizando-se da necessidade de
renovação.

Os aspectos filosóficos ampliam-lhe o campo de abordagem,
fazem com que a pessoa pense nas possíveis causas que levaram-na à situação da
homossexualidade, à real gravidade do seu comportamento e das prováveis
consequências de seus atos. O ângulo religioso oferece ao indivíduo oportunidade
de conhecer um caminho orientado pela verdadeira ética, o consolo ao aceitar o
chamado de renovação e a certeza do Amor Divino através dos mensageiros do Alto,
que velam e amparam-no, sustentando-o quando assume propósitos
superiores.

A terapêutica espírita proporciona-nos recursos energéticos
através do passe, da água fluidificada e da sintonia pela prece. Estes são
capazes de asserenar o ser, em sua busca de paz e alegria.Os conhecimentos da
ciência espírita demonstram-lhe a realidade do processo em si próprio, as
consequências energéticas do corpo físico e dos demais corpos da individualidade
espiritual e como seus instrumentos terapêuticos podem ser
eficazes.

Oferecem, também, a assistência através do esclarecimento e
auxílio mediúnico aos desencarnados vinculados ao processo, aliviando os irmãos
que se alimentam dessas energias psíquicas viciosas.

TRATAMENTO DA HOMOSSEXUALIDADE: DESAFIOS EM
PSICOTERAPIA

A dinâmica do trabalho psicoterapêutico exige-nos
recursos para auxiliarmos a quem nos procura, sem, entretanto, exigirmos do
indivíduo aquilo que ele ainda é incapaz de dar, não significando essa atitude
conivência com o erro. A postura do terapeuta espírita não pode repetir a
posição de preconceitos, exigências moralistas ou de permissividade, presentes
na maioria das criaturas. O paciente espera uma compreensão de sua dor, de
atitudes e auxílio que permitam a ele encontrar o caminho de mudança, sem o
constrangimento de nossa intransigência que, na maioria das vezes, afasta a
criatura do tratamento, fazendo-a persistir no sofrimento, sem uma chance de
encontrar a saída tão esperada.

É papel fundamental do terapeuta entender
o homossexual como um ser fragilizado, complicado pelo seu passado e pela ilusão
na crença do prazer a qualquer custo, e não como uma criatura má, sem
escrúpulos, que contamina a sociedade como epidemia grave e fatal. Relembrar que
no campo da sexualidade a imensa maioria da humanidade encontra-se no mesmo
lodaçal, precisando rever conceitos e atitudes, pois a realidade é que o sexo
precisa ser dignificado e divinizado, onde quer que se manifeste. Compreender
que, antes de tudo, a questão dos desvarios da sexualidade não parte somente da
escolha do parceiro sexual, mas da postura íntima da criatura, que vê no sexo
simples mecanismo de prazer e no outro o instrumento para alcançar esse
fim.

Sabemos, como o apóstolo Paulo lembra-nos em sua Epístola aos
Romanos, que existe um uso dito natural para o sexo, o qual não compreenderia
apenas a questão da escolha do parceiro, mas também uma postura mais radical (em
relação aos moldes vividos pela nossa sociedade), na qual os parceiros sexuais
deveriam entregar-se ao relacionamento apenas para a procriação e com mútuo
consentimento, como opção diante das dificuldades de se manterem castos e sempre
voltados aos aspectos espirituais (vide I Cor.,7).
O sexo deve ser uma fonte
de bênçãos renovadoras do corpo e da alma, conforme as palavras do espírito
André Luiz, em Conduta Espírita. Assim, toda a postura de orientação deve visar
às condições que possibilitem à criatura alcançar esse estado de
bênçãos.

A mentora Joanna de Ângelis concita-nos: -"Enriquece o teu sexo
com o estímulo do amor, a fim de que este o controle com sabedoria e nobreza;
sendo assim o instrumento fundamental para a transformação é o amor". É
necessário, portanto, buscar na criatura a presença do amor, para que ele possa
conduzir a vivência sexual num campo de sublimação.

Na realidade, o que
encontramos, entre a maioria dos homens, é um posicionamento leviano diante da
vida sexual. O sexo é, na atualidade, simples meio de prazer e a sua função
procriativa tem sido relegada a segundo plano, transformando as criaturas em
objeto e o relacionamento sexual em um jogo de trocas, com desrespeito aos
sentimentos, conturbando as pessoas, estimulando uma busca desenfreada e
patológica de um orgasmo duradouro e acentuando a baixa estima naqueles que se
vêem como mero instrumento de satisfação do outro.

O ângulo da
criatividade superior do sexo é desconhecido pela maioria, sendo, portanto,
preocupação de poucos, exigindo um trabalho de esclarecimento e de estímulo
quanto à necessidade de buscá-lo, objetivando a felicidade. Acreditamos,
portanto, que todo trabalho no campo da sexualidade deve enfatizar a postura
íntima do indivíduo quanto à sua própria vivência sexual, buscando dignificar
esse instrumento de crescimento evolutivo e, dessa forma, os desvios de qualquer
espécie nessa área serão progressivamente corrigidos, possibilitando à criatura
alçar vôos em direção à Felicidade.

É comum buscarmos atuar diretamente
nos grandes problemas, tentando combatê-los, sem bases seguras para vencer o
intento. Nesse aspecto da abordagem, reportamo-nos ao Evangelho de Lucas( 14:31-
"Ou, qual é o rei que, indo para combater outro rei, não se assenta primeiro
para calcular se com dez mil homens poderá enfrentar o que vem contra ele com
vinte mil? Caso contrário, estando o outro ainda longe, envia-lhe uma embaixada,
pedindo condições de paz".

Diante dessa fala, questionaríamos se não
seria prudente oferecermos recursos de crescimento espiritual ao que nos busca
antes de exigir-lhe postura tão difícil, frustrando-lhe toda a oportunidade de
tratamento? A criatura teria condições de adotar mudanças de atitudes tão
radicais, como abandonar a opção da homossexualidade através da abstinência,
antes da aquisição de conhecimentos e virtudes tão importantes para essa
transformação? A problemática maior é a da opção pelo parceiro do mesmo sexo ou
encontra-se na desestruturação do componente afetivo da criatura a influenciar
toda a sua vida?

É novamente Joanna de Ângelis que nos afirma: -"O homem
que se candidata a uma existência feliz tem a obrigação de vigiar as suas
emoções perturbadoras, a fim de se evitarem desarmonias perfeitamente
dispensáveis, na economia de seu processo de evolução. As emoções perturbadoras
decorrem do excesso da auto-estima, do apego aos bens materiais e às pessoas e
do orgulho, entre outros fatores negativos".

Dentro dessa visão, não
seria mais conveniente trabalharmos com as dificuldades que determinam essas
emoções perturbadoras? Seria incorreto ou inadequado buscar condições para a
criatura que, apesar de não refletir o ótimo, corresponderia ao melhor possível,
naquele determinado momento?

O processo de sublimação é contínuo, como já
determina a palavra "processo", por isso é imperioso que busquemos com a
criatura, em terapia, um caminho a seguir, etapas a se vencerem, de modo que ela
possa alcançar o fim tão esperado: a felicidade. No campo da homossexualidade
propomos, depois do acompanhamento de diversos casos, alguns itens para se
trabalhar:

• Buscar, através de anamnese criteriosa as características do
quadro do paciente, identificando a sua condição ou real preferência sexual,
percebendo as suas possibilidades de estímulo tanto no campo da homossexualidade
quanto no da heterossexualidade;

• Perceber o grau de
insatisfação do cliente quanto à sua possível homossexualidade e os seus anseios
diante do tratamento;

• Fazer uma avaliação minuciosa, procurando as
possíveis causas do ponto de vista espírita, facilitando o entendimento e
conseqüentemente o tratamento;

• Esclarecer progressivamente o paciente
sobre os diversos aspectos da homossexualidade e das possibilidades
terapêuticas, enfatizando a necessidade da renovação dos conceitos de prazer e
felicidade, sem os quais não serão possíveis as medidas a serem
tomadas;

• Afastar o paciente de
viciações outras que entorpecem a sensibilidade , impedindo que o indivíduo
perceba os aspectos transcendentais de mudança;

• Na presença de
comportamentos que caracterizem prostituição, estimular relacionamentos afetivos
e amorosos;

• No caso de relacionamentos com diversos parceiros, procurar
a diminuição gradual desse número, até alcançar a monogamia, caso não seja
possível dar esse passo de forma mais rápida;

• Nos relacionamentos
homossexuais monogâmicos, incentivar a busca do amor mais espiritualizado e
menos sensual, mostrando que os afetos têm formas mais sublimes e verdadeiras de
manifestar-se, até que a criatura possa optar pelo celibato, dentro de uma visão
transcendental da sexualidade;

• Nos casos de possível encaminhamento ou
busca de vivência heterossexual, auxiliar o mesmo no encontro da melhor forma,
sempre tendo em mente a preocupação com os sentimentos e a fidelidade consigo e
com o outro;

• Levar o paciente a auxiliar o companheiro de
relacionamento na conquista desses mesmos passos, de forma que o crescimento
seja mútuo e o resgate possa ser feito simultaneamente. Quando o companheiro
mostrar-se resistente a essas mudanças, respeitá-lo em suas dificuldades, não o
abandonando, entendendo a sua responsabilidade junto a ele, nesse processo de
crescimento, sem entretanto desviar-se do seu caminho de renovação;


Trabalhar, simultaneamente, os aspectos positivos do sexo oposto, auxiliando-o,
assim, a ver de forma mais digna o seu próprio sexo;

• Orientá-lo sobre
as várias técnicas facilitadoras do processo de sublimação, tais como as artes,
leituras edificantes e meditação; e, quando ele aceitar a utilização dos métodos
espíritas, encaminhá-lo para reuniões de estudos, fluidoterapia, atividades de
assistência social e tratamento desobsessivo;

• Pacientemente, auxiliá-lo
em suas possíveis recaídas, sempre lhe oferecendo recursos de esperança, tendo
sempre em vista não ser conivente com a manutenção de atitudes que ofendam a
Ética.

Um trabalho psicoterápico, como descrevemos acima, envolve um
relacionamento profundamente baseado no Amor, dentro do sentido mais crístico da
palavra, por isso, acreditamos que seja de fundamental importância certas
posturas do terapeuta, de modo que ele não venha se tornar móvel de complicação,
tais como:

• Buscar no recurso da prece o auxílio dos mentores
espirituais, ao iniciar cada sessão;

• Trabalhar intensamente os aspectos
da sua própria sexualidade, de maneira que ele não encontre na atitude do outro
forma de realização das suas próprias fantasias;

• Postar-se dignamente
na sua vivência sexual, não abrindo campo para atuação de espíritos obsessores,
ligados ou não ao seu cliente, evitando assim ser motivo de escândalo e
infelicidade do outro;

• Procurar oferecer sempre uma abordagem mais
espiritualizada da sexualidade, do prazer e da felicidade, tendo em mente a
capacidade de compreensão do paciente, evitando interpretações que levem ao
remorso destruidor, mas sim a um entendimento do erro com busca de
reconstrução;

• Entender que as dificuldades presentes em todas as
criaturas são, na maioria das vezes, fruto da fragilidade da criatura,
auxiliando-nos (num trabalho bilateral) a encontrar a força divina que reside em
nosso Espírito;

• Compreender que o Amor é o instrumento imprescindível
para a cura, em qualquer setor da Vida e, em especial, no campo da
sexualidade.

CONCLUSÃO:

Reafirmando nossa condição
de ignorantes e devedores na área da sexualidade, entendemos que muito nos
falta, tanto do ponto de vista do conhecimento quanto da vivência para que
possamos realmente ser capazes de oferecer ajuda integral nesse campo. Por isso,
gostaríamos de encerrar, fazendo algumas colocações do espírito Emmanuel,
através da abençoada mediunidade de Francisco Xavier:

"Observadas as tendências
homossexuais dos companheiros reencarnados nessa faixa de prova ou de
experiência, é forçoso que se lhes dê o amparo educativo adequado, tanto quanto
se administra instrução à maioria heterossexual. E para que isso se verifique em
linhas de justiça e compreensão, caminha o mundo de hoje para o mais alto
entendimento dos problemas do amor e do sexo, porquanto à frente da vida eterna,
os erros e acertos dos irmãos de qualquer procedência, nos domínios do sexo e do
amor, são analisados pelo mesmo elevado gabarito de Justiça e
Misericórdia.

Isso porque todos os
assuntos nessa área da evolução e da vida se especificam na intimidade da
consciência de cada um".

Dr. Roberto Lúcio Vieira de
Souza – A.M.E. – Brasil

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Sobre aricarrasco

sou simples mas co objetivos e convicções definidos.
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