Obsessão e Cura

OBSESSÃO E
CURA

Possessão
demoníaca, exorcismo, obsessão… Ao longo do tempo, vem sendo propagada a idéia
de que a violência é necessária para "expulsarmos" um espírito obsessor. Hoje, a
luz do espiritismo sabemos que só o amor traz a libertação

Por: Ney
Pietro Peres

Para fundamentar o nosso estudo, vamos analisar
os conceitos de espírito e de matéria inseridos no pensamento do codificador
Allan Kardec.

ESPÍRITO

O
espírito, originado do princípio inteligente do universo, embora de natureza não
palpável, é algo que existe como individualização desse princípio. É incorpóreo
e não pode ser percebido pelos nossos sentidos. Pode existir independentemente
do corpo que anima e, na sua forma, seria comparado a uma chama, um clarão, uma
centelha luminosa, cuja cor pode variar do escuro ao brilho do rubi. Pode
penetrar e atravessar a matéria e se deslocar ao espaço tão rapidamente como o
pensamento. Mesmo não se dividindo, se irradia para diferentes lados, como o sol
envia seus raios a muitos lugares distantes, parecendo estar neles
simultaneamente.

Entende-se por alma o espírito encarnado, que, não
estando enclausurado no corpo, se irradia e se manifesta, se exteriorizando como
a luz elétrica através de um globo de vidro.

MATÉRIA

A
matéria é o segundo elemento geral do universo, tanto como o espírito, é também
criado por Deus, constituindo, esses três, o princípio de tudo que existe, a
Trindade Universal: Deus, espírito e matéria.

A matéria pode ser
entendida como aquilo que tem extensão, é impenetrável e pode impressionar os
nossos sentidos, mas ela existe em outros estados desconhecidos, tão etérea e
sutil que não produza nenhuma impressão aos sentidos físicos.


Para
se proteger dos espíritos obsessores, é preciso, como indicou o Mestre, orar e
vigiar, além de procurar levar uma vida de acordo com os ensinamentos
evangélicos

Ao
elemento material deve-se acrescentar uma de suas formas de apresentação, entre
as inumeráveis combinações distingüidas por propriedades especiais: o Fluido
Universal, que exerce o papel de intermediário entre o espírito e a
matéria.

FLUIDO
UNIVERSAL

Este Fluido Universal, ou Primitivo, ou Elementar, é o
princípio da matéria ponderável cujos elementos e compostos químicos são
transformações dele, nas modificações que as moléculas elementares sofreram ao
unirem-se em determinadas circunstâncias, lhes dando diferentes propriedades,
como o sabor, o odor, as cores, as ações cáusticas, salutares, nutritivas,
radioativas etc.

O Fluido Universal é suscetível de inúmeras combinações
com a matéria e, ainda, sob a ação do espírito, produzir infinita variedade de
coisas. E o agente de que o espírito se serve para animar, agregar, transmitir,
alterar, condensar, dispersar, materializar, vitalizar, dar forma e estrutura a
todas as constituições físicas, quer sejam minerais, vegetais, animais ou
humanas.

Entre as muitas modificações do Fluido Universal, duas se
revestem de maior importância para os seres vivos: o Princípio Vital e o
Perispírito.

PRINCÍPIO
VITAL

O Princípio Vital é a força motriz dos corpos orgânicos. A
sua união com a matéria a animaliza, diferenciando-a dos corpos inorgânicos. Ele
dá vida a todos os seres que o absorvem e assimilam. É também chamado fluido
magnético ou fluido elétrico animalizado, é o intermediário entre o espírito e a
matéria. Ao mesmo tempo que impulsiona os órgãos, a ação destes o mantém,
conserva e desenvolve, como o atrito produz o calor e a corrente elétrica produz
o campo magnético ou a irradiação luminosa.

O Princípio Vital ou fluido
magnético pode ser transmitido pela vontade dirigida do seu portador a outros
seres vivos, contribuindo em favor do seu reabastecimento ou reequilíbrio
orgânico.

PERISPÍRITO

O
Perispírito, ou corpo fluídico do espírito, ou ainda psicossoma, ou corpo
espiritual, é um dos produtos mais importantes do Fluido Universal, é uma
condensação dele em torno de um foco de inteligência ou espírito. Os espíritos
compõem seu Perispírito do ambiente onde se encontram. Isto quer dizer que se
forma dos fluidos ambientais e, portanto, varia em conformidade com o mundo em
que vivem. A natureza do Perispírito está sempre relacionado com o grau de
adiantamento moral do espírito.

O
Perispírito pode ser entendido como a vestimenta do espírito, o que lhe dá
propriamente forma. Entre as muitas atribuições do Perispírito, se coloca aquela
de intermediário entre o espírito e o corpo. É ele constituído de substância
vaporosa, não visível aos olhos humanos, porém assumindo consistência nos planos
do Espírito.

Ao Perispírito se pode atribuir a qualidade de estruturador
do corpo orgânico, a partir da fecundação, na embriogênese, bem como estar
diretamente relacionado à memória biológica, isto é, o registro das múltiplas
experiências nos campos dos seres vivos, no decurso dos milênios, a partir das
primeiras manifestações das formações protoplásmicas. Nele aglutinamos todo o
equipamento de recursos automáticos que governam as bilhões de células,
adquiridos vagarosamente pelo ser através dos tempos, nos esforços de
recapitulação pelos diversos setores da evolução anímica.

Pode-se
visualizar o Perispírito ou Corpo Espiritual à semelhança de uma estrutura
eletromagnética integrada, enriquecida de informações que se foram acumulando
experimentalmente num mecanismo de estímulo-resposta, dentro de uma diretriz
evolutiva, ou seja, de autoseleção e auto-aprimoramento, conduzida por um
principio de conservação de energia, onde o máximo de informações são
armazenadas com o mínimo dispêndio de energia.


Na
fascinação, a ação do espírito no pensamento do indivíduo é de tal ordem que ele
não se considera iludido, nem é capaz de compreender o absurdo do que faz

Esse
Corpo Espiritual vem se diversificando e aumentando de complexidade do mesmo
modo como se observou nos seres vivos a evolução biológica e a formação dos
aparelhos e sistemas no organismo animal. É ele sensível aos impulsos ou às
irradiações dos nossos pensamentos, refletindo as imagens fluídicas plasmadas
pelas idéias.

Pode também o Perispírito se alterar no seu equilíbrio
magnético em decorrência das próprias impregnações que as nossas imagens
perniciosas e deteriorantes nele se projetem e se gravem. Interligado como se
acha, interagindo na intimidade celular por contato molecular, portanto, nas
estruturas atômicas da matéria, tais desequilíbrios se transmitem ao organismo
físico, nas áreas mais sensíveis ao tipo de impulso desencadeado, determinando
desordens físicas, causas de certas moléstias.

Assim, os descontroles
emocionais, nos ódios, na irritação, as extravagâncias no comer e no beber, a
maledicência, os desequilíbrios do sexo, o fumo, o álcool, os tóxicos, podem
gerar enfermidades, tais como, respectivamente: cardiopatias, doenças hepáticas,
gastralgias, surdez e mudez, cansaço precoce e distrofias musculares, asmas e
bronquites, loucura, idiotia.

AÇÕES
MAGNÉTICAS NO PERISPÍRITO

Entende-se por obsessão o domínio que
alguns espíritos podem adquirir sobre certas pessoas. Pressupõe-se na obsessão a
ação de espíritos inferiores com tal tenacidade que a pessoa sobre quem atua não
consegue se desembaraçar.

Na obsessão, não ocorre a simultânea coabitação
de corpos pelo espírito encarnado na posição de vítima e pelo espírito
desencarnado na posição de algoz. Há, no entanto, o efeito de constrangimento de
um sobre o outro, ou seja, de tolher, forçar, compelir, obrigar pela força,
induzir.

OS
TIPOS DE OBSESSÃO

As principais variedades da obsessão
classificam-se em: obsessão simples, fascinação e subjugação.

Na
obsessão simples, o espírito malfazejo se impõe, intrometendose contra a vontade
do indivíduo, impedindo a ação de outros espíritos que possam vir em seu auxílio
e causando-lhe inconvenientes como embaraço nas comunicações mediúnicas,
insinuações levianas, incentivos à vaidade e a desejos ilícitos. Evidentemente,
essas ações exteriores serão mais acentuadas e exercerão maior influência na
medida em que mais apoio encontrarem no íntimo das criaturas por elas
atingidas.

Na fascinação, a ação do espírito no pensamento do indivíduo é
de tal ordem que ele não se considera iludido, nem é capaz de compreender o
absurdo do que faz, podendo até ser arrastado a cometer ações ridículas,
comprometedoras ou perigosas. Admite-se, nesses casos, estarem agindo espíritos
inteligentes, ardilosos e com objetivos de maior alcance no mal, pois quase
sempre utilizam a tática de afastar do seu intérprete aqueles que possam abrir
os seus olhos ou esclarecer sobre seus erros. Os homens mais instruídos e
inteligentes não estão livres desse tipo de obsessão.

A subjugação é um
envolvimento que produz a paralisação da vontade da vítima, fazendo-a agir mesmo
contrariamente ao seu desejo. A subjugação pode ser moral ou corpórea. Na
primeira, o indivíduo é levado a tomar decisões freqüentemente absurdas e
comprometedoras. Na segunda, a pessoa realiza movimentos involuntários, nos
momentos inoportunos, e até atos ridículos. Na subjugação, estão compreendidos
os casos de possessão, cuja denominação pressupõe a ocupação do corpo da vítima,
fato esse não admitido pelo Codificador.

UM CASO DE
OBSESSÃO
C.,
28 anos, solteira,

Profissão:
caixa de diversas casas
foi despedida porque
tinha ataques epileptiformes

Sofria de ataques convulsivos, resistentes às
medicações prescritas.

Ao
mudar-se para Bauru, passou perfeitamente bem lá durante um ano, freqüentando o
Círculo Esotérico local. Ao voltar para São Paulo, reapareceram os ataques.
Declara que testemunhas afirmam que, em certas ocasiões, apresentava movimentos
como de cobra durante os ataques. Estes cessaram com a medicação
anticonvulsivante, porém restavam formigamentos nos braços e uma tristeza
interna. Levada a um médium espírita, dr. Z., entrou imediatamente em transe
quando ele pediu-lhe que repousasse as suas mãos nas dele. Ela readquire
imediatamente a consciência, após a aplicação de alguns “passes”. Pergunta-lhe o
dr. Z. quem era um cidadão moreno, forte e uma jovem de cabelos compridos,
castanhos e com um dente lateral saliente. Responde-lhe a paciente que se
tratava de um avô, já falecido e uma amiga que se suicidara três meses após o
casamento. Nunca mais teve ataques, sem usar medicação alguma. Quatro anos
depois continuava bem.

Diagnóstico
Psiquiátrico:
provável histeria, de
aspecto epileptiforme.

Espiriticamente: obsessão espírita (pelo espírito da
suicida).

CARACTERÍSTICAS
Há uma relação de características pelas quais
se pode reconhecer os casos de obsessão. Tais caracteres vão da insistência dos
espíritos em se comunicar, ilusão do médium que não reconhece a falsidade das
comunicações, crença na infalibilidade dos espíritos comunicantes, aceitação dos
elogios feitos pelos espíritos, reações agressivas às críticas feitas sobre as
comunicações recebidas, a quaisquer formas de constrangimento moral ou físico,
ou ainda ocorrências de ruídos e movimentos de objetos sem causas normalmente
explicáveis.

CAUSAS

Os
motivos ou causas da obsessão podem ser geralmente admitidos como originados
de:

a) Vinganças de espíritos contra
pessoas que lhes fizeram sofrer nessa ou em vidas anteriores;

b) Desejo simples de fazer outros sofrerem, por ódio,
inveja, covardia;

c) Para usufruir
dos mesmos condicionamentos que tinham quando na vida física, induzem os seus
afins a cometê-los;

d) Apego às
pessoas pelas quais nutriam grandes paixões quando em vida;

e) Por interesse em destruir, desunir, dominar,
provocar o mal, manter distúrbios, partindo de inteligentes espíritos das hostes
inferiores.

A
TERAPÊUTICA NAS OBSESSÕES

No estudo de O Livro dos Médiuns, Cap.
XXIII, o autor indica alguns meios para se combater a obsessão, aqui
apresentados para discussão, como segue: – Paciência para com os obsessores(id.,
ib. item 249)

No
trato com as entidades incorpóreas que estejam agindo mentalmente sobre as
criaturas, há que compreender-lhes seus motivos de perseguição e, com espírito
humanitário, induzir-lhe pacientemente a mudarem suas disposições. Mesmo entre
criaturas humanas, uma abordagem respeitosa e compreensiva transmite sempre um
envolvimento fraterno e uma radiação de amor que, certamente, age sobre as
próprias estruturas perispirituais, de forma confortadora, carinhosa,
estabelecendo importantes apoios para as necessárias mudanças comportamentais. A
severidade, no entanto, ao lado da benevolência, aliadas à prece em favor deles,
constituem fatores eficazes na solução dessas influências. – Apelo ao anjo bom e
aos bons espíritos (id., ib. item 249)

Recorrer à assessoria daqueles que
operam no mesmo plano da vida espiritual é fator preponderante em qualquer
trabalho dessa natureza quando, na maioria das vezes, todo o encaminhamento e
aproximação com aqueles perseguidores (às vezes, nossas vítimas) realizam-se nos
territórios do imponderável, livre ao acesso desses auxiliares espirituais. –
Interrupção das comunicações escritas”(id., ib. item 249)

Alterando-se o
intermediário, na posição de instrumento mediúnico nas comunicações
psicografadas, ou mesmo na psicofonia, por ações de mentes perturbadoras
(encarnadas ou desencarnadas), a interferir no fluxo das mensagens transmitidas
por meios telepáticos, como providência criteriosa e prudente, a interrupção
provisória desses exercícios mediúnicos é de todo aconselhável, até que se
restabeleçam os canais de vazão telepática com os bons espíritos e se afastem as
infiltrações prejudiciais. – Intervenção de um colaborador que atue pelo
magnetismo ou pelo império da vontade”(id. ib.,item 251)


A
severidade, no entanto, ao lado da benevolência, aliadas à prece em favor deles,
constituem fatores eficazes na solução dessas influências

A
ação mental de apoio diretamente sobre o paciente, estimulando-lhe os próprios
recursos de reação, tanto pela aplicação das energias fluido-dinâmicas nos
mecanismos do passe, como pelo esclarecimento renovador, elevando-lhe o padrão
dos próprios pensamentos e fortalecendo a vontade no bem, atinge as estruturas
perispirituais e os campos de radiações da psicosfera (ou mente) momentaneamente
desarticulados, devolvendo-lhes a ordem e a sanidade.

Os resultados
benéficos obtidos serão tanto mais significativos quanto maior for a
superioridade moral dos colaboradores e menores as imperfeições do obsediado.
Essas imperfeições morais constituem freqüentemente para o paciente obstáculos à
sua libertação (id. ib., item 252)

Ensina-nos André Luiz: "… almas
regularmente evoluídas, em apreciáveis condições vibratórias pela sincera
devoção ao bem, com esquecimento dos seus próprios desejos, podem, desse modo,
projetar raios mentais, em vias de sublimação, assimilando correntes superiores
e enriquecendo os raios vitais de que são dínamos comuns".

Fonte: Revista Cristã de Espiritismo (edição
08)
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Sobre aricarrasco

sou simples mas co objetivos e convicções definidos.
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