Doenças Escolhidas

EMMANUEL

1 – DOENÇAS
ESCOLHIDAS

Convictos de que o Espírito escolhe
as provações que experimentará na Terra, quando se mostre na posição moral de
resolver quanto ao próprio destino, é justo recordar que a criatura, durante a
reencarnacão, elege, automaticamente, para si mesma, grande parte das doenças
que se lhe incorporam às preocupações.

Não precisamos lembrar, nesse
capítulo, as grandes calamidades particulares, quais sejam o homicídio, de que o
autor arrasta as consequências na forma de extrema perturbação espiritual, ou o
suicídio frustrado, que assinala o corpo daquele que o perpetra com dolorosos e
aflitivos remanescentes.

Deter-nos-emos, de modo ligeiro, no exame das
decisões lamentáveis, que assumimos quando enleados no carro físico, sem saber
que lhe martelamos ou desagregamos as peças. Sempre que já tenhamos deixado as
constrições do primitivismo, todos sabemos que a prática do bem é simples dever
e que a prática do bem é o único antídoto eficiente contra o império do mal em
nós próprios.

Entretanto, rendemo-nos, habitualmente, às sugestões do
mal, criando em nós não apenas condições favoráveis à instalação de determinadas
moléstias no cosmo orgânico, mas também ligações fluídicas aptas a funcionarem
como pontos de apoio para as influências perniciosas interessadas em
vampirizar-nos a vida.

Seja na ingestão de alimento inadequado, por
extravagâncias à mesa, seja no uso de entorpecentes, no alcoolismo mesmo brando,
no aborto criminoso e nos abusos sexuais, estabelecemos em nosso prejuízo as
síndromes abdominais de caráter urgente, as úlceras gastrintestinais, as
afecções hepáticas, as dispepsias crônicas, as pancreatites, as desordens
renais, as irritações do cólon, os desastres circulatórios, as moléstias
neoplásicas, a neurastenia, o traumatismo do cérebro, as enfermidades
degenerativas do sistema nervoso, além de todo um largo cortejo de sintomas
outros, enquanto que na crítica inveterada, na inconformação, na inveja, no
ciúme, no despeito, na desesperação e na avareza, engendramos variados tipos de
crueldade silenciosa com que, viciando o próprio pensamento, atraímos o
pensamento viciado das Inteligências menos felizes, encarnadas ou desencarnadas,
que nos rodeiam.

Exteriorizando idéias conturbadas, assimilamos as idéias
conturbadas que se agitam em torno de nosso passo, elementos esses que se nos
ajustam ao desequilíbrio emotivo, agravando-nos as potencialidades alérgicas ou
pesando nas estruturas nervosas que conduzem a dor.

Mantidas tais
conexões, surgem frequentemente os processos obsessivos que, muitas vezes, sem
afetarem a razão, nos mantêm no domínio de enfermidades — fantasmas que nos
esterilizam as forças e, pouco a pouco, nos corroem a
existência.

Guardemo-nos, assim, contra a perturbação, procurando o
equilíbrio e compreendendo no bem – expressando bondade e educação – a mais alta
fórmula para a solução de nossos problemas.

E ainda mesmo em nos sentindo
enfermos, arrastando-nos embora, aperfeiçoemo-nos ajudando aos outros, na
certeza de que, servindo ao próximo, serviremos a nós mesmos, esquecendo, por
fim, o mercado da invigilância onde cada um adquire as doenças que deseja para
tormento próprio.

Emmanuel

2 – DESLIGAMENTO DO
MAL

AS PENAS FUTURAS SEGUNDO O
ESPIRITISMO

Antes da reencarnação, no balanço
das responsabilidades que lhe competem, a mente, acordada perante a Lei, não se
vê apenas defrontada pelos resultados das próprias culpas. Reconhece, também, o
imperativo de libertar-se dos compromissos assumidos com os sindicatos das
trevas.

Para isso partilha estudos e planos
referentes à estrutura do novo corpo físico que lhe servirá por degrau decisivo
no reajuste, e coopera, quanto possível, para que seja ele talhado à feição de
câmara corretiva, na qual se regenere e, ao mesmo tempo, se isole das sugestões
infelizes, capazes de lhe arruinarem os bons propósitos.

Patronos da guerra e da desordem,
que esbulhavam a confiança do povo, escolhem o próprio encarceramento na
idiotia, em que se façam despercebidos pelos antigos comparsas das orgias de
sangue e loucura, por eles mesmos transformados em lobos inteligentes; tribunos
ardilosos da opressão e caluniadores empeçonhados pela malícia pedem o martírio
silencioso dos surdos-mudos, em que se desliguem, pouco a pouco, dos
especuladores do crime, a cujo magnetismo degradante se rendiam, inconscientes;
cantores e bailarinos de prol, imanizados a organizações corrompidas, suplicam
empeços na garganta ou pernas cambaias, a fim de não mais caírem sob o fascínio
dos empreiteiros da delinquência; espiões que teceram intrigas de morte e
artistas que envileceram as energias do amor imploram olhos cegos e estreiteza
de raciocínio, receosos de voltar ao convívio dos malfeitores que, um dia,
elegeram por associados e irmãos de luta mais íntima; criaturas insensatas, que
não vacilavam em fazer a infelicidade dos outros, solicitam nervos paralíticos
ou troncos mutilados, que os afastem dos quadrilheiros da sombra, com os quais
cultivavam rebeldia e ingratidão; e homens e mulheres, que se brutalizaram no
vício, rogam a frustração genésica e, ainda, o suplício da epiderme deformada ou
purulenta, que provoquem repugnância e consequente desinteresse dos vampiros, em
cujos fluidos aviltados e vômitos repelentes se compraziam nos prazeres
inferiores.

Se alguma enfermidade irreversível te assinala a veste
física, não percas a paciência e aguarda o futuro. E se trazes alguém contigo,
portando essa ou aquela inibição, ajuda esse alguém a aceitar semelhante
dificuldade como sendo a luz de uma bênção.

Para todos nós, que temos
errado infinitamente, no caminho longo dos séculos, chega sempre um minuto em
que suspiramos, ansiosos, pela mudança de vida, fatigados de nossas próprias
obsessões.

Emmanuel

3 – DOENÇAS DA
ALMA

Na forja moral da luta em que
temperas o caráter e purificas o sentimento, é possível acredites estejas sempre
no trato de pessoas normais, simplesmente porque se mostrem com a ficha de
sanidade física.

Entretanto, é preciso pensar que as
moléstias do espírito também se contam. O companheiro que te fala, aparentemente
tranquilo, talvez guarde no peito a lâmina esbraseada de terrível
desilusão.

A irmã que te recebe, sorrindo,
provavelmente carrega o coração ensopado de lágrimas. Surpreendeste amigos de
olhos calmos e frases doces, dando-te a impressão de controle perfeito, que
soubeste, mais tarde, estarem caminhando na direção da
loucura.

Enxergaste outros, promovendo
festas e estadeando poder, a escorregarem, logo após, no engodo da delinquência.
É que as enfermidades do espírito atormentam as forças da criatura, em processos
de corrosão inacessíveis à diagnose terrestre.

Aqui, o egoísmo sombreia a
visão; ali, o ódio empeçonha o cérebro; acolá, o desespero mentaliza fantasmas;
adiante, o ciúme converte a palavra em látego de morte…

Não observes os
semelhantes pelo caleidoscópio das aparências. É necessário reconhecer que todos
nós, espíritos encarnados e desencarnados em serviço na Terra, ante o volume dos
débitos que contraímos nas existências passadas, somos doentes em laboriosa
restauração.

O mundo não é apenas a escola, mas também o hospital em que
sanamos desequilíbrios recidivantes, nas reencarnações regenerativas, através do
sofrimento e do suor, a funcionarem por medicação compulsória. Deixa, assim, que
a compaixão retifique em ti próprio os velhos males que toleras nos
outros.

Se alguém te fere ou desgosta, debita-lhe o gesto menos feliz à
conta da moléstia obscura de que ainda se faz portador. Se cada pessoa ofendida
pudesse ouvir a voz inarticulada do Céu, no instante em que se vê golpeada,
escutaria, de pronto, o apelo da Misericórdia Divina: «Compadece-te!»

Todos somos enfermos pedindo alta.
Compadeçamo-nos uns dos outros, a fim de que saibamos auxiliar. E mesmo que te
vejas na obrigação de corrigir alguém — pelas reações dolorosas das doenças da
alma que ainda trazemos —, compadece-te mil vezes antes de examinar uma
só.

Emmanuel

4 – COMPROMISSOS EM
NÓS

Considerando as elevadas missões
dos Espíritos que se agigantaram nos louros da virtude, reflitamos nos
compromissos anônimos que rogamos, com ardor, em nós e por
nós.

Encontraste o marido ideal e a
abastança doméstica; no entanto, recebeste no próprio sangue o filho retardado
que te corta o coração por difícil problema. Um dia, compreenderás que, noutras
épocas, foi ele o companheiro que induziste à loucura.

Dispõe de títulos respeitáveis para
luzir nos encargos mais nobres e padeces uma esposa mentalmente fixada na
fronteira do hospício. Um dia, compreenderás que, em estradas distantes, foi ela
a parceira menos feliz, em cujos pés colocaste lama escorregadia, para que
resvalasse, desamparada, na esquina do sofrimento.

Tens dinheiro e
instrução, mas carregas um pai irascível e intransigente, que mais se assemelha
a um tigre de sentinela. Um dia, compreenderás que ele vive assim por defeitos
da educação que lhe impuseste em outra existência.

Percebes a grandeza da
obra de que te responsabilizas, sem achar colaborador que te dê mão no trabalho,
arrostando, sozinho, a obrigação de fazer. Um dia, compreenderás que te valias,
ontem, da confiança alheia para tiranizar os que mais te amavam, e lutas, hoje,
desentendido, para te libertares da violência.

Possuis conhecimentos
admiráveis e legiões de amigos que tudo fazem por ajudar-te; contudo, amargas
penosa anormalidade orgânica, à maneira de espinho oculto. Um dia, compreenderás que a mutilação e a deformidade, a inibição
e a moléstia constituem remédios nos pontos fracos da própria
alma.

Desfrutas mediunidade notável e não consegues outro mister
que não seja o consolo e o apaziguamento na própria casa. Um dia, compreenderás
que carecias de longo tempo, desempenhando a função de bússola viva para alguns
poucos viajantes do mundo, arrojados por ti mesmo nas trevas das grandes
provas.

Acalentas projetos superiores, exaltando anseios de ascensão e
sonhos de arte; no entanto, gastas o próprio corpo, dobrando a cerviz sobre o
tanque ou lavando pratos e caçarolas. Um dia, compreenderás que para sermos
livres é preciso escravizar-nos, por algum tempo, ao pé daqueles que, por algum
tempo, nos foram também escravos.

Bendize as dores desconhecidas que te
pungem, silenciosas ! Agradece as ocupações ignoradas que pediste alegremente,
na Vida Espiritual, e que, muita vez, exerces chorando na vida física.

Se
ninguém, na Terra, te anota o serviço obscuro, recorda que Deus te vê! Se todos
te desprezam, à face das tuas atividades supostas insignificantes e humildes,
ainda mesmo por entre lágrimas, regozija-te nelas, aguardando o futuro. Ninguém
consegue realmente ser grande, quando não aprendeu a ser
pequenino.

Emmanuel

5 – A CADA UM

"Levanta-te direito sobre os teus
pés." – Paulo, (Atos, 14:10)

De modo geral, quando encarnados no
mundo físico, apenas enxergamos os aleijados do corpo, os que perderam o
equilíbrio corporal, os que se arrastam penosamente no solo, suportando
escabrosos defeitos. Não possuímos suficiente visão para identificar os doentes
do espírito, os coxos do pensamento, os aniquilados de
coração.

Onde existissem somente cegos,
acabaria a criatura perdendo o interesse e a lembrança do aparelho visual; pela
mesma razão, na Crosta da Terra, onde esmagadora maioria de pessoas se
constituem de almas paralíticas, no que se refere à virtude, raros homens
conhecem a desarmonia de saúde espiritual que lhes diz respeito, conscientes de
suas necessidades incontestes.

Infere-se, pois, que a missão do
Evangelho é muito mais bela e mais extensa que possamos imaginar. Jesus continua
derramando bênçãos todos os dias. E os prodígios ocultos, operados no silêncio
de seu amor infinito, são maiores que os verificados em Jerusalém e na Galiléia,
porquanto os cegos e leprosos curados, segundo as narrativas apostólicas,
voltaram mais tarde a enfermar e morrer.

A cura de nossos espíritos doentes
e paralíticos é mais importante, porquanto se efetua com vistas à eternidade. É
indispensável que nos nos percamos em conclusões ilusórias. Agucemos os ouvidos,
guardando a palavra do apóstolo aos gentios. Imprescindível é que nos
levantemos, individualmente, sobre os próprios pés, pois há muita gente
esperando as asas de anjo que lhe não pertencem.

Emmanuel

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Sobre aricarrasco

sou simples mas co objetivos e convicções definidos.
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