Mensagem Irmão X

IRMÃO X
(H.C.)

Para que o Homem adquirisse
confiança em Sua Bondade Infinita, determinou o Senhor que vários Anjos o
amparassem na Terra, amorosamente… Em razão disso, quando mal saía do berço,
aproximou-se dele um Anjo Lirial que, aproveitando os lábios daquela que se lhe
constituíra em mãezinha adorável, lhe ensinou a repetir:

– Deus.. Pai do Céu… Papai do
Céu… Era o Anjo da Pureza.

Mais tarde, soletrando o alfabeto,
entre as paredes da escola, acercou-se dele um Anjo de Luz Verde que, por
intermédio da professora, o ajudou a pronunciar em voz
firme:

– Deus, Nosso Pai Celestial, é o
Criador de todos os seres e de todas as coisas. Era o Anjo da
Esperança.

Alongaram-se-lhe os dias, até que penetrou uma casa de ensino
superior, sob cujo teto venerável foi visitado por um Anjo Vestido em Luz de
Ouro que, através de educadores eméritos, lhe falou acerca da glória e da
magnificência do Eterno, utilizando a linguagem da filosofia e da ciência. Era o
Anjo da Sabedoria.

O Homem compulsou livros e consultou autoridades,
desejando a comunhão mais direta com o Senhor e fazendo-se caprichoso e
exigente. Olvidando o direito dos semelhantes, propunha-se conquistar as
atenções de Deus tão somente para si. A Majestade divina, a seu parecer, devia
inclinar-se-lhe aos petitórios, atendendo-lhe as desarrazoadas solicitações, sem
mais nem menos; e, porque o Criador não se revelasse disposto a personalizar-se
para satisfazê-lo, começou a cultivar o espinheiro da negação e da
dúvida.

Por mais insistisse o Anjo Dourado, rogando-Ihe reverenciar o
Senhor, acatando-lhe as leis e os desígnios, mais se mergulhava na hesitação e
na indiferença. Atormentado, procurou um templo religioso, onde um Anjo Azul o
socorreu, valendo-se de um sacerdote para recomendar-lhe a prática do trabalho e
da humildade, com a retidão da consciência e com a perseverança no bem. Era o
Anjo da Fé.

O Homem registrou-lhe os avisos, mas, sentindo enorme
dificuldade para render-se aos exercícios da virtude, clamava intimamente: —
"Deus? mas existirá Deus, realmente? por que razão não mo oferece provas
indiscutíveis do seu poder?" Frequentando o templo para não ferir as convenções
sociais, foi auxiliado por um Anjo Róseo, que lhe conduziu a inteligência à
leitura de livros santos, comovendo-lhe o coração e conduzindo-lhe o sentimento
à prática do amor e da renúncia, da benevolência e do sacrifício, de maneira a
abreviar o caminho para o Divino Encontro. Era o Anjo da Caridade.

O teimoso estudante aprendeu que não lhe seria lícito aguardar as
alegrias do Céu, sem havê-las merecido pela própria sublimação na Terra.

Ainda assim, monologava indisciplinado: — "Se sou filho de Deus e se Deus
existe, não justifico tanta formalidade para encontrá-lo…" E prosseguia surdo
aos orientadores angélicos.

Casou-se, constituiu família, amealhou
dinheiro e garantiu-se contra as vicissitudes da sorte; entretanto, por mais se
esforçassem os Anjos da Caridade e da Sabedoria, da Esperança e da Fé, no
sentido de favorecer-lhe a comunhão com o Céu, mais repudiava os generosos
conselheiros, exclamando de si para consigo: — "Deus? mas existirá efetivamente
Deus?" Enrugando-se-lhe o rosto e encanecendo-se-lhe a cabeça orgulhosa,
reuniram-se os gênios amigos, suplicando a compaixão do Senhor, a benefício do
rebelde tutelado.

Foi quando desceu da Glória Celeste um Anjo Cinzento,
de semblante triste e discreto. Não tomou instrumentos para comunicar-se. Ele
próprio abeirou-se do revoltado filho do Altíssimo, abraçou-o e assoprou-lhe ao
coração a mensagem que trazia… Sentindo-lhe a presença, o Homem cambaleou,
deitou-se e começou a reconhecer a precariedade dos bens do mundo… Notou quão
transitória era a posse dos patrimônios terrestres, dos quais não passava de
usufrutuário egoísta…

Observou que a sua felicidade
passageira era simples sombra a esvair-se no tempo… E, assinalando sofrimento
e desequilíbrio no âmago de si mesmo, compreendeu que tudo que desfrutava na
vida era empréstimo divino da Eterna Bondade. Meditou… meditou..
reconsiderando as atitudes que lhe eram peculiares e, em lágrimas de sincera e
profunda compunção, qual se fora tenro menino, dirigiu-se pela primeira vez, com
toda a alma, ao Todo Poderoso, suplicando:

– Deus de Infinita Misericórdia,
meu Criador e meu Pai, compadece-te de mim !… O Anjo Cinzento era o Anjo da
Enfermidade.

Irmão X (Humberto de
Campos)

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Sobre aricarrasco

sou simples mas co objetivos e convicções definidos.
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