A MISSÃO DOS ESPÍRITAS

A missão dos espíritas
  Por: Rubens Policastro Meira

Há quase 2.000 anos, um Homem, Jesus, descortinando o futuro, nos dizia: Ide e pregai. Ide! Eis que vos mando como cordeiros ao meio de lobos (Lucas 10:3).

 Naquela mesma ocasião, o Mestre nos asseverava da vinda do Consolador. (João 16:7). Igualmente nos chamava a atenção sobre os trabalhadores da última hora, dizendo-nos: Assim, os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos, porque muitos são os chamados e poucos os escolhidos (Mateus 20:1 a 16).

 No devido tempo, cumprem-se as promessas de Jesus, e o Consolador surge, sob a égide do Espírito Verdade, na feição da Doutrina dos Espíritos, codificada por Kardec. Surge como foi anunciado, visando realizar a transformação da humanidade pelo melhoramento das massas, o que se dará gradualmente, pouco a pouco, pelo melhoramento dos indivíduos (LM – cap. XXIX – item 130).

 Mas, para realizar sua missão cósmica, a Doutrina Espírita necessita dos trabalhadores, e surgem no contexto histórico, aqueles que são os trabalhadores da última hora, os quais têm o direito de receber o mesmo salário dos demais que o antecederam, desde que a sua boa vontade os haja conservado à disposição daquele que os tinha de empregar e que o seu retardamento não seja fruto da preguiça ou da má vontade. Têm eles direito ao salário, porque desde a alvorada esperavam com impaciência aquele que por fim os chamaria para o trabalho (Ev. Seg. Esp. – Cap. XX – item 2).

 A ordem imperativa do Mestre, IDE! Eis que vos mando como cordeiros ao meio de lobos, reflete-se nos trabalhadores espíritas, em que Jesus se reportava a cordeiros fortes, e que conseguissem superar as lutas da estrada e respirar em planos mais altos que os lobos vorazes. Jamais o Mestre iria enviar cordeiros e ovelhas frágeis à luta. Seria o mesmo que ajudar a carnificina.

 E como fortalecer os cordeiros? Com o conhecimento adquirido, através da Doutrina dos Espíritos; com a certeza, a convicção da imortalidade; da reencarnação; da Lei da Ação e Reação etc.

 Todos os que já tomamos contato com a Doutrina Consoladora, somos os cordeiros que Jesus envia. E Ele necessita de cooperadores fiéis, prudentes, mas valorosos.

 Envia-nos ao centro do conflito, não como quem remete cordeiros ao matadouro, mas sim à gleba de serviço, onde se pode semear novos e sublimados dons espirituais, entre os lobos famintos, através da exemplificação e do amor incessante e incondicional. 

Objetivo do Espiritismo

Jesus já nos falara da Doutrina dos Espíritos, quando em reunião íntima dissera: Mas, quando vier aquele Espírito de Verdade, ele vos guiará em toda a verdade… (João 16:13).

 E Kardec nos informa quando diz: A Doutrina Espírita, como movimento renovador, tem um papel considerável no seio da humanidade. Pelas verdades fundamentais que traz, preenche o vazio que a incredulidade faz nas idéias e nas crenças; pela certeza de um futuro conforme a Justiça de Deus, tempera as agruras da vida e evita os funestos efeitos do desespero. Dissipa a incredulidade e a superstição, pois que dá a conhecer novas leis da natureza, chave para os fenômenos incompreendidos e problemas até então julgados insolúveis.

 Coloca-se como campeã absoluta da liberdade de consciência, longe de substituir um exclusivismo por outro; combate o fanatismo sob todas as formas; em vez de desencorajar o fraco, encoraja-o, mostrando-lhe o fim a que pode atingir. Destrói o império da fé cega, que aniquila a razão e da obediência passiva que embrutece; emancipa a inteligência do homem e levanta a sua moral (RE – 1866 – OUTUBRO – PAG. 298).

 A Doutrina Espírita vem, como o Cristianismo, mostrar ao homem a absoluta necessidade de sua renovação interior pelas conseqüências mesmas que resultam de cada um de seu atos, de cada um de seus pensamentos (RE – 1866 – MAIO – PAG. 158), objetivando dessa forma, levar à transformação da humanidade pelo melhoramento individual. O melhoramento é, pois, o objetivo essencial do Espiritismo (RE – 1866 ABRIL – PAG. 113/114), pois assim tornará patente a destruição das idéias materialistas (RE – 1863 – MARÇO – PAG. 82).

O que entendemos por idéias materialistas, por materialismo?
A imensa maioria de nossos companheiros espíritas, seja por ignorância, seja por comodismo, seja pelo espírito místico e de religiosidade igrejeira, entende que o materialismo é uma doutrina que descrê de Deus. Mas o materialismo que os Espíritos informaram a Kardec, quando da pergunta 799 de O Livro dos Espíritos: De que maneira pode o Espiritismo, contribuir para o progresso? Resp. Destruindo o materialismo, que é uma das chagas da sociedade…, não se circunscreve a crer ou deixar de crer, mas sim, ao espírito de lascívia, luxúria, impiedade, de exploração, de desperdício dos bens da Terra, de impunidade, de corrupção sob todos os aspectos, e todos os outros males. Este é o materialismo, que cabe ao Espiritismo destruir.

 E para encerrar este tópico de nosso estudo, Kardec ainda nos informa que Ele (o Espiritismo) traz o elemento regenerador da humanidade e será a bússola das gerações futuras (RE – 1865 – OUTUBRO – PAG. 299). 

 Objetivo do espírita perante si mesmo
Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, perguntou aos Espíritos, pergunta 573: Em que consiste a missão dos Espíritos encarnados? Em instruir os homens, em lhes auxiliar o progresso; em lhes melhorar as instituições, por meios diretos e materiais… responderam-lhes as entidades. Sabedor do comportamento humano, muitas vezes inútil, Kardec continua as perguntas, e, à pergunta 574, do mesmo livro, interroga:

 Qual pode ser, na Terra, a missão das criaturas voluntariamente inúteis? Há efetivamente pessoas que só para si mesmas vivem e que não sabem tornar-se úteis ao que quer que seja. São pobres seres dignos de compaixão, porquanto expiarão duramente sua voluntária inutilidade, começando-lhes muitas vezes, já neste mundo, o castigo, pelo aborrecimento e pelo desgosto que a vida lhes causa.

 Todos reconhecemos que não somos espíritos perfeitos, que trazemos conosco pesados fardos a carregar, mas também reconhecemos que O Pai não coloca fardos pesados em ombros frágeis.

 Tomando conhecimento da Doutrina dos Espíritos, pelo estudo, pela meditação, estaremos sendo conscientizados pela Verdade, que nos tornará livres.

 Com esse conhecimento, com essa conscientização, é que encetaremos a marcha para o melhoramento individual, caminho a que tenderá todo espírita sério (RE – 1866 – ABRIL – PAG. 114). Portanto, cabe a todos nós fazermos jus àquela frase, inserida no Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XVII, item 3, in-fine, de que Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más.

 Consciente de que sendo a Doutrina Espírita uma ciência, com conseqüências essencialmente morais e éticas, todos nós, espíritas, não podemos abstermo-nos das obrigações que a nós são impostas, livremente.

 Com o entendimento racional e o estudo constante, compreenderemos melhor o valor de cada um de nossos atos; sondaremos melhor todos os escaninhos de nossa consciência; compreenderemos melhor a maneira de nos erguer das quedas advindas da longa série de experiências passadas, possibilitando-nos adquirir novos conhecimentos e novas forças, fazendo-nos evitar o mal e a praticar o bem, conforme a Lei de Justiça.

 Assim, após estarmos esclarecidos, e continuarmos orgulhosos, egoístas, cúpidos, estaremos continuando com a consciência em trevas, embora estejamos em meio à Luz.

 Seremos espíritas apenas de nome, de rótulo, tendo em vista que continuaremos ligados aos prazeres materiais, muitas vezes por comodismo.

 É importante que todos compreendamos que somos mensageiros do Alto, que somos os trabalhadores da última hora, e como tais não devemos permitir que nosso espírito venha a aviltar-se, a degradar-se ao contato dos prazeres da volúpia; das ignóbeis tentações da avareza, que subtrai a alguns o gozo dos bens que Deus deu a todos.

 Deveremos compreender que o egoísmo, nascido do orgulho, cega a alma e a faz violar os direitos da Justiça, da Humanidade, desde que gera todos os males que assolam a Terra fazendo dela um lugar de dores e expiação.

 Cabe a nós, para sermos verdadeiros espíritas, exercer vigilância cuidadosa e permanente sobre nós mesmos, isto é, velarmos sobre os arrebatamentos de nossos corações, a fim de caminharmos de acordo com as Leis da Justiça e da Fraternidade. E agindo com tal disposição, vivenciarmos a Doutrina, Kardec, Jesus, para podermos exercer influência sobre a humanidade no sentido de sua renovação.

 Esclarecidos, aceitando as conseqüências da Doutrina Espírita para nós mesmos, colocaremos nosso devotamento a toda prova e sem segundas intenções ou subterfúgios; colocaremos os interesses da causa, que são os do CRISTO e da Humanidade, acima de quaisquer interesses pessoais ou de amor próprio.

 Os aspectos moral e ético da Doutrina Espírita não são simples teoria. Devemos envidar esforços para pregar pelo exemplo; conscientizarmo-nos para ter a coragem de dar nossa opinião, em quaisquer situações, sejam elas morais, científicas, filosóficas, sociais, em qualquer campo. Mas também se necessário, sabermos pagar tais opiniões com nossa própria pessoa, com nossa própria vida.

 Para encerrarmos este item, é importante lembrarmos de Jesus, na parábola que ficou conhecida como Parábola da Figueira Estéril. Todos devemos nos comparar à Figueira. Devemos dar bons frutos. A parábola nos diz: (Lucas 13:6 a 9) Um certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha, e foi procurar nela fruto, não o achando; E disse ao vinhateiro: Eis que há três anos venho procurar fruto nessa figueira, e não o acho; corta-a; porque ocupa ainda a terra inutilmente? E, respondendo ele, disse-lhe: Senhor, deixa-a este ano, até que eu a escave e a esterque; e, se der fruto, ficará, e, se não, depois a mandarás cortar.

 

Vejamos, na análise da parábola:

Um certo homem …………………. Símbolo de Deus, o Pai.
Figueira …………………………….. Nós, espíritos encarnados.
Fruto ………………………………… Conhecimento, justiça, amor, bondade, etc.
Vinhateiro ou Viticultor ………….. Jesus. 

 

Na Literatura Judaica, principalmente no saber rabínico, a figueira é mencionada freqüentemente como símbolo nacional, daí ter o Mestre utilizado essa figura.

 O aviso transmitido é óbvio. A figueira representa todos nós, individual e coletivamente; O vinhateiro, o viticultor é Jesus, o Mestre, que intercede ao Senhor (O PAI) por nós (a árvore estéril) na esperança de que ainda dê frutos. A parábola é de alcance e aplicação universal, cabendo a cada um de nós produzir frutos sazonados, em vista do conhecimento que a Doutrina nos enseja, e para que não se concretize, para nós espíritas, as palavras de Jesus no Sermão da Montanha: Toda árvore que não dá bom fruto, corta-se e lança-se no fogo (Mateus 7:19).

  

Perante a Doutrina

A obrigação essencial do verdadeiro espírita é lutar e zelar pela prevalência dos Princípios Básicos da Doutrina dos Espíritos. Mas para tal é imprescindível estudá-la bem, conhecê-la bem. Entender, estar consciente, saber enfim, que o Espiritismo não é apenas uma eclosão mediúnica, não é somente manifestações de espíritos. Espiritismo é VIDA ETERNA.

 Assim sendo, freqüentar sessões, fazer preces, implorar auxílio dos bons espíritos, freqüentar socialmente o centro espírita, NÃO BASTA. É preciso mais, muito mais, principalmente vivê-la, vivenciá-la, estudá-la em suas obras básicas, em sua codificação. Kardec nos legou suas obras, em conjunto com os Espíritos, como roteiro, como luz a iluminar nossas estradas em trevas.

 Muitos companheiros acham que não dispõem de tempo para estudar as Obras Básicas. Entendem que basta ouvir os Guias nas sessões mediúnicas, para entendê-la. Falsa idéia, falso conceito.

 Esquecem que muitas vezes esses próprios Guias não possuem conhecimento doutrinário, são espíritos ainda em processo de aprendizado.

 Jesus já nos alertava: se um cego guia outro cego, ambos cairão no barranco. No momento de transição histórica em que vive a humanidade, enxameiam, tanto por parte dos encarnados, quanto dos desencarnados, espíritos agitados por novas idéias, novos conceitos, ansiosos por transmitirem suas novas revelações.

 Estamos assistindo agora, neste instante, a DISPENSA de médiuns nas comunicações (TCI), revelações mil via TVP, e outros mais. Novidades absurdas, que perturbam o movimento doutrinário, confundem, e muitas vezes impedem a divulgação da luz. São os falsos profetas encarnados e desencarnados. E muitos espíritas deixam-se levar por eles, pelas novidades que trazem. Demonstram os novidadeiros, e aqueles que o seguem e os aceitam, que Kardec estaria superado, e dessa forma a obra kardequiana nada mais tem a nos ensinar.

 

Kardec, em 1866, já nos alertava sobre esses fatos, quando escreveu: …as comunicações dos Espíritos deram fundamento à Doutrina. Repeli-las depois de as terem aclamado é querer SOLAPAR o Espiritismo pela base, tirando-lhe o alicerce. Tal NÃO PODE ser o pensamento dos espíritas sérios e devotados…

 É necessário portanto lutar, travar o bom combate, munido das armas nas trincheiras de Kardec, que já nos alertava sobre os inimigos do Espiritismo.

 É um fato constante que o Espiritismo é mais entravado pelos que o compreendem mal, do que pelos que os não o compreendem absolutamente e, mesmo por seus inimigos declarados. E é de notar que os que o compreendem mal geralmente têm pretensão de o compreender melhor que os outros; …Tal pretensão, que delata o orgulho, é uma prova evidente da ignorância dos verdadeiros princípios da Doutrina (RE – 1864 – NOVEMBRO – PAG. 321).

 Portanto, somente o estudo, a conscientização e a vivência espírita poderão municiar as armas para esse bom combate, pois o Espiritismo só reconhece como adeptos os que põem em prática os seus ensinamentos… pois este é o sinal característico do verdadeiro espírita (RE – 1869 – JANEIRO – PAG. 17).

 Para encerrar este item, lembremo-nos de Bezerra de Menezes, quando, por intermédio de Chico Xavier, nos dizia: ESTUDAR KARDEC, CONHECER KARDEC, PARA VIVER JESUS.

 

 

Perante a sociedade

Uma das finalidades da Doutrina dos Espíritos é demonstrar que o espírito é imortal. Do conceito da imortalidade, flui o estudo das relações entre o mundo dos encarnados e o dos desencarnados.

 Assim, temos que o processo de humanização é uma necessidade, uma determinante das Leis Naturais, com o fim de atingir-se a perfeição, obviamente, relativa. É o que se depreende das perguntas 132 e 166 de O Livro dos Espíritos quando analisadas conjuntamente. Vejamos:

 

132 – Qual o objetivo da encarnação dos espíritos?

Deus lhes IMPÕE a encarnação com o fim de fazê-los chegar à perfeição …Mas para alcançarem essa perfeição, têm que sofrer todas as vicissitudes da EXISTÊNCIA CORPORAL. /…Visa ainda outro fim a encarnação: o de por o Espírito em condições de suportar a PARTE QUE LHE TOCA NA OBRA DA CRIAÇÃO. /…É assim que CONCORRENDO para a obra Geral, ELE PRÓPRIO se adianta.

 

166 – Como pode a alma, que não alcançou a perfeição durante a vida corpórea, acabar por depurar-se?

Sofrendo a prova de uma nova existência.

 Nas perguntas acima demonstradas estão as bases da EVOLUÇÃO e da JUSTIÇA:

 

REENCARNAÇÃO

 Continuando na análise, verificamos que do processo de humanização e das relações existentes surge uma nova necessidade: a de viver em sociedade.

 Kardec formula então a perg. 766, de O Livro dos Espíritos:

 766 – A vida social está na Natureza?

Certamente. Deus fez o homem para VIVER EM SOCIEDADE.

 

Abrindo um parênteses em nosso estudo, perguntamos: Como está a sociedade Humana? O que estamos assistindo diuturnamente?

 A sociedade humana está profundamente enferma. A Humanidade, com raras exceções, geme, chora, desespera-se, pelo muito que sofre; o egoísmo, o amor próprio, a cupidez, a tudo devoram; a corrupção, a miséria, o vício, geram as vítimas da maldade e da violência, que se sucedem sem parar; as religiões, ditas cristãs, a tudo assistem, acomodadas, pois que se desviaram do caminho traçado pelo Cristo; os homens de bem, verdadeiros intermediários entre a Humanidade e a Providência, são raros, escassos, e impotentes ante a onda avassaladora do utilitarismo que vige.

 Assistimos diuturnamente, milhões de pessoas, de irmãos nossos, que vivem em estado de miséria absoluta. Milhões se alimentam do LIXO; sobrevivem do LIXO, disputando com as aves de rapina, e entre si, as sobras de alimento acumuladas no LIXO. Espetáculo terrificante, degradante, que assistimos todos os dias.

 

Somente no Brasil, hoje, existem cerca de 45 MILHÕES de irmãos em estado de MISÉRIA ABSOLUTA.

 Caros irmãos! Se o objetivo da encarnação é permitir ao espírito atingir a perfeição (relativa); se durante a vida corpórea, não conseguiu depurar-se, sofrerá novas existências; se o homem (espírito encarnado) deve viver em sociedade, podemos concluir que dessa conjugação de respostas de O Livro dos Espíritos (132-166-766) resulta que as leis da matéria, que são divinas, devem ser respeitadas, pois sem elas, o homem, individualmente, e a sociedade humana, coletivamente, não lograrão atingir e cumprir o seu destino.

 Para que o ser humano (espírito encarnado) ou a sociedade humana possa cumprir seu destino, o instinto e os meios de conservação são os fatores básicos, conforme podemos constatar, no LIVRO DOS ESPÍRITOS, Cap. V – DA LEI DA CONSERVAÇÃO – perg. 702 e seguintes.

 Tais fatores básicos conjugados nos levam ao PRIMEIRO de todos os direitos naturais do homem: o de VIVER (O Livro dos Espíritos – perg. 880).

 Diante do exposto, a que conclusão chegamos?

 Conclui-se que o homem (espírito encarnado) para atingir e cumprir seu destino, para aprofundar sua fé (certeza, convicção) e sua tranqüilidade, necessita de uma ORDEM SOCIAL-ECONÔMICA mais justa nas relações humanas, coerentes com o pensamento e o espírito de Jesus.

 Nós espíritas estamos encarregados de levar a luz, já que sabemos, com os conhecimentos emanados da Doutrina Espírita, porque a Humanidade está doente; porque sofre; porque chora; porque desespera.

 

Ide e pregai! falou-nos Jesus.

 Ide e pregai! repetiu Erasto (Evang. Segundo o Espiritismo – Cap. XX – item 4) em Paris no ano de 1863.

 Ide! Eis que vos mando como cordeiros ao meio de lobos (Jesus – Lucas 10:3).

 O verdadeiro espírita, convicto das realidades da vida que estuda, NÃO deve ficar na posição cômoda, passiva, dos que esperam e aguardam Jesus, levantando as mãos postas aos céus, em atitude suplicante.

 Ide! Eis que vos mando… foi a ordem peremptória do Mestre. Cabe a nós respondermos:

 PRESENTE, estou pronto.

 Mas muitos companheiros reclamam contra a cruz e o martírio.

 Esquecem-se que o Mestre e seus corajosos sucessores encontraram na cruz e no martírio, as trincheiras de lutas, através da resistência construtiva contra o mal.

 É necessária, imperiosa, nossa ida aos lobos.

 É por demais perigoso esperá-los.

 Para levarmos adiante as tarefas de Jesus, de Kardec, da Doutrina Espírita, visando o porvir grandioso da Humanidade, é necessário não mensurarmos os esforços, nem regatearmos sacrifícios, lembrando de que Jesus, ensejando a libertação pelo AMOR, tornou-se servo de todos; desde o começo até hoje, sem cansaço, sem queixas…

 Mas, para irmos aos lobos, atendendo ao apelo de Jesus, é necessário estarmos preparados, do conhecimento doutrinário espírita, mas também do conhecimento, do estudo das leis da matéria, da natureza física, dominadora, para que possamos aproveitar suas energias em benefício da humanidade, do homem, que está sujeito diretamente a uma dessas leis: a Lei da Natureza Econômica.

 Por conseguinte, a ética do amor (moral), da solidariedade, entre os homens, não deriva da vontade de quem quer que seja, mas de uma NECESSIDADE social, porque, estando os homens privados do alimento, da saúde, do trabalho, da educação, se descontrolam, se degeneram, se violentam, apelando pelo instinto de conservação, redundando para o egoísmo das lutas de concorrência, que acabam se degenerando em conflitos, vícios, guerras, etc., etc.

 Se as leis de Produção Social, para acabar com a fome, a miséria e o desemprego, forem dominadas pela inteligência e não pelo egoísmo, aí estará a chave para ajustar-se com as aspirações de Jesus, de Kardec, da Doutrina dos Espíritos.

 Vejam a resposta à pergunta 930 de O Livro dos Espíritos, com comentários de Kardec:

 Numa sociedade organizada segundo a Lei do Cristo ninguém deve morrer de fome. Comentário de Kardec.

 Com uma organização social criteriosa e previdente, ao homem só por culpa sua pode faltar o necessário. Porém, suas próprias faltas são freqüentemente resultado DO MEIO onde se acha colocado. Quando praticar a lei de Deus, terá uma ordem social fundada na Justiça e na solidariedade e ele próprio também será melhor.

 O que nós espíritas, o que o movimento espírita tem feito, para que possa influir em nossos representantes legislativos, a fim de que as leis sejam mais justas?

 Quase nada, ou absolutamente nada.

 Todos falamos, criticamos, entre nós mesmos, conscientes das mazelas que assolam o ser humano, e encetamos campanhas BENEFICENTES, com amor e solidariedade, mas sem irmos ao cerne do problema.

 IDE! Eis que vos mando como cordeiros ao MEIO de lobos. Precisamos ir ao MEIO, ao centro do problema.

 O que fazemos representa o dar esmolas. E que pensar da esmola? O Livro dos Espíritos, à pergunta 888, nos dá a resposta: Condenando-se a pedir esmola, o homem se degrada física e moralmente: embrutece-se. Uma sociedade que se baseia na lei de Deus e na Justiça DEVE PROVER a vida do fraco sem que haja para ele humilhação. DEVE assegurar a existência dos que NÃO podem trabalhar, sem lhes deixar a vida a mercê do acaso e da boa vontade de alguns.

 É de grande importância para nossa meditação, a leitura e compreensão da pergunta, resposta e comentário de Kardec, à pergunta 793 de O Livro dos Espíritos.

 Kardec, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XVI, item 7, nos informa: Com efeito, o homem tem por missão trabalhar pela melhoria do planeta. E mais adiante: Para nutrir uma população sempre crescente, é preciso aumentar a produção.

 Esta uma das Leis da Produção Social.

 Mas o que realmente vemos e assistimos por parte da grande maioria dos espíritas?

 Assistimos e vemos que a grande maioria dos espíritas são espíritas religiosos, aguardando que o Mestre, que os Espíritos venham resolver o problema, sanar as dificuldades, realizar o milagre de transformar a sociedade em uma sociedade mais justa.

 Invertem o problema, pregando e ensinando, que tudo deriva do Karma, que se deve atender unicamente a alma e a moral cristã, desprezando os aspectos materiais, da saúde do corpo físico, da alimentação, da educação, indo de forma contrária às recomendações da resposta à pergunta 677 de O Livro dos Espíritos (LEI DO TRABALHO).

 Tais pregações e ensinamentos incentivam a vida contemplativa, a pieguice, a covardia, a subserviência, a falta de confiança nas energias criadoras do espírito, que se esmaga, se estiola, vencido diante das desditas, para atribuí-las a castigos divinos, ao Karma, e, por isso, resignam-se a pedir a misericórdia de Deus, como se o homem devesse resignar-se à miséria, à fome, à doença, para com tal resignação aceitar um convite de Deus aos que desejem chegar a Ele.

 É importante a conscientização do espírita em particular e do movimento espírita em geral, de que enquanto persistir no mundo a FOME, o DESEMPREGO, a EXPLORAÇÃO, NÃO haverá FRATERNIDADE, nem LIBERDADE, nem IGUALDADE, nem MORAL CRISTÃ que possa impedir a violência, o crime, a miséria, os vícios, os desregramentos físicos e morais. Tais fatores terrificantes são frutos dos dominadores, exclusivistas, egoístas, corruptos e corruptores, que detém egoisticamente em suas escassas mãos o poderio.

 É importante nossa conscientização de que não se alcançará uma sociedade de paz, de amor, num mundo dividido entre a abundância de poucos e a miséria de milhões, entre o esbanjamento e a fome. É absolutamente necessário lutar a fim de terminar com esta tremenda desigualdade social. Kardec, em OBRAS PÓSTUMAS, sobre o Espiritismo, nos diz:

 Não será ele que fará as instituições do mundo regenerado; os HOMENS é que as farão, sob o império da Justiça, de caridade, de fraternidade e da solidariedade, mais bem compreendidas, graças ao Espiritismo.

 

E para encerrar nosso estudo, nada melhor que a mensagem de Erasto, extraída da RE – 1861 – JUNHO – PAG. 197/198, e inserida em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XX, item 4, MISSÃO DOS ESPÍRITAS:

 …Ide e Pregai a palavra divina. É chegada a hora em que deveis sacrificar à sua pregação os vossos hábitos, os vossos trabalhos, as vossas ocupações fúteis.

 …certamente falareis a pessoas que não quererão escutar a voz de Deus, porque essa voz as exorta incessantemente à abnegação; pregareis o desinteresse aos avarentos, a abstinência aos dissolutos, a mansuetude aos tiranos domésticos como aos déspotas.

 …lançai-vos em cruzada contra a injustiça e a iniqüidade. Ide e proscrevei esse culto do bezerro de ouro, que cada dia mais se alastra.

 …Somente lobos caem em armadilhas para lobos,…

 

Companheiros, irmãos em Jesus, lembremo-nos sempre que o espírita é o construtor consciente de uma nova forma de sociedade humana na terra; sua responsabilidade é proporcional ao seu conhecimento da realidade, que a Doutrina dos Espíritos lhe proporcionou; que é seu dever enfrentar as dificuldades atuais, e transformá-las em novas oportunidades de progresso. Cumpramos assim nosso dever para com Jesus; para com Kardec; para com a Doutrina dos Espíritos; para com a Humanidade. Esta a nossa missão.  

Fonte: http://www.espirito.org.br/portal/artigos/gebm/a-missao-dos-espiritas.html

 

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Sobre aricarrasco

sou simples mas co objetivos e convicções definidos.
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