NOSSO GUIA E MODELO.

Nosso Guia e Modelo

 

 
Na questão 625 de O Livro dos Espíritos, Kardec perguntou “Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo?”, ao que os bondosos e sábios espíritos que ditaram a Doutrina Espírita responderam com a resposta mais curta encontrável em toda a Codificação, portadora, no entanto, de um profundo significado que nos propomos a explorar neste estudo, qual seja: “Jesus”.

Sabemos, pela leitura dos evangelhos, que Jesus não ensinou o que lhe haviam ensinado seus pais ou outros mestres na existência neles relatada, mas, sim, aquilo que ele mesmo havia aprendido em vidas anteriores e nelas tinha vivenciado através de seus pensamentos e suas ações. Tal fato faz de Jesus o Mestre perfeito, aquele que tudo sabe sobre as Leis de Deus por experiência própria.

Pelo relato dos evangelistas, ficamos sabendo que Jesus conhecia profundamente as escrituras (a Lei e os Profetas), pois constantemente as citava junto aos doutores da lei sem jamais ter sido contrariado por eles quanto ao acerto do que falava. O que aprendemos com isso é que devemos estudar profundamente a Doutrina Espírita de modo a sempre termos em mente o que ela ensina e estarmos prontos a manifestar nossa opinião sobre qualquer assunto sob a sua luz. Jesus não guardava para si o que sabia, mas estava a todo instante ensinando ao povo. Termos Jesus como modelo significa que não existe hora mais apropriada para esclarecermos nossos irmãos, a nós cabendo fazê-lo em toda oportunidade que se nos apresentar, seja no lar, no trabalho ou na rua, não nos limitando a fazê-lo no centro que freqüentamos.

Somos informados, também, que Jesus orava e meditava constantemente, pondo-se em sintonia com as Leis de Deus e seguindo-as religiosamente como filosofia de vida. Em qualquer circunstância da vida saibamos, portanto, nos colocar em sintonia com a espiritualidade superior, não só nos momentos em que temos algo a pedir, mas, também, para agradecer, louvar ou apenas para nos sentirmos renovados antes das empreitadas das quais nos compete participar. Mantermo-nos em constante sintonia com o bem pode ser difícil para nós no estágio em que nos encontramos, no entanto, se não tentarmos desde já, mais tempo levará para termos sucesso nesse intento.

Encontramos no Novo Testamento o relato das inúmeras curas que Jesus praticou, todas elas atendendo a três condições básicas que foram: a fé do paciente, a não mais necessidade da doença para o fim a que se destinava e o indiscutível equilíbrio emocional do Mestre, possibilitando a sua contínua vinculação com os bons espíritos que o auxiliavam no processo.

Saibamos, portanto, que se, por um lado, as curas espirituais são possíveis, por outro elas nem sempre ocorrem, pois dependem de condições a serem atendidas. Saibamos, ainda, que nós também podemos ser agentes de cura pois, se Jesus é nosso modelo e guia, é nossa obrigação tentarmos imitá-lo. Comecemos aos poucos exercitando o passe magnético na casa espírita à qual estamos vinculados. No entanto, tenhamos em mente que tal atividade é um ensaio, um aprendizado, tendo como finalidade desenvolver em nós as condições necessárias à realização de curas. Não sejamos “burocráticos” na administração dos passes. Tentemos, antes, melhorar a cada dia, aumentando nossa sintonia com os bons espíritos e desenvolvendo a nossa fé na capacidade de ajudarmos a nossos semelhantes. Lembremos da exortação de Jesus de que, se o seguíssemos, faríamos as mesmas obras que ele fazia e ainda maiores. Logo, não desanimemos jamais.

Jesus nos ensinou que devemos odiar o pecado, mas amar o pecador. Trabalhemos, pois, nossos sentimentos para não nutrir qualquer forma de emoção negativa contra nossos irmãos, não importa se nos fizeram mal ou se nos invocam repulsa aparentemente gratuita. Odiar o pecado é agir com firmeza para eliminá-lo através do trabalho no bem e do esclarecimento do pecador. Saibamos, em toda circunstância, olhar para todos como nossos irmãos, mesmo aqueles que estão em momentâneamente em desvio. Se focarmos nosso combate contra o mal e não contra quem o pratica, estaremos ajudando o mal a desaparecer do mundo.

Um dia, para que não tivéssemos dúvida quanto ao destino que espera a todos nós, o Mestre nos exortou: “Sede perfeitos como vosso Pai é perfeito”. Saibamos, portanto, que ao final da jornada, quando nada mais tivermos a aprender em nenhum mundo, tendo desenvolvido totalmente nosso potencial de bondade e sabedoria seremos perfeitos.

Vejamos, finalmente, que orientação deu Jesus àqueles que o desejassem seguir. Quando anunciava a seus discípulos a proximidade de seu martírio, Jesus disse-lhes um dia: “Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me”. (Mt 16:24).

Com renunciar-se a si mesmo, Jesus quis nos dizer que abandonássemos o egoísmo e o apego exagerado às coisas materiais e não orientar-nos a ignorar as necessidades básicas do corpo, o que seria contradizer a própria necessidade da vida.

Quanto à cruz que devemos tomar, não é difícil concluir que ela é a nossa missão neste mundo. Para saberemos qual é a nossa cruz basta respondermos a algumas perguntas que podemos fazer a nós mesmos. Ainda temos vícios ou falhas morais a corrigir ou já somos perfeitos? Além de nós mesmos, alguém mais depende de nós ou todos os nossos familiares, amigos e conhecidos prescindem de nossa ajuda? O ambiente em que vivemos, no lar, na cidade, no país, nos diversos locais que freqüentamos é organizado, limpo, saudável e feliz ou pode melhorar se dermos nossa contribuição nesse sentido?

Renunciemos, pois, ao egoísmo, praticando a caridade cristã em nossos pensamentos e ações e tomemos com alegria a nossa cruz, aceitando as dificuldades que se nos apresentarem como provas a serem por nós superadas com paciência e perseverança. Sigamos a Jesus, nosso guia inigualável, lembrando de tudo o que ele nos ensinou e, a cada situação difícil que enfrentarmos, imaginemos o Mestre como modelo, pensando em como ele agiria em nosso lugar. Que sempre saibamos permitir que os bons espíritos estejam do nosso lado nos ajudando nessa empreitada.
 

Artigo publicado originalmente em O Espírita Fluminense, Ano L, No 309, Novembro/Dezembro de 2006
 

 

 

Publicado nesta HP A ERA DO ESPÍRITO, com a autorização do autor.

 

 
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Sobre aricarrasco

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