Estudo das células tronco

Luiz Carlos Formiga*

> Estudo das Células-tronco – Abordagem científica, jurídica e espírita

Artigos

Este estudo é um resumo do que foi abordado no seminário “Células-tronco”, coordenado por Luiz Carlos Formiga com auxílio de Cláudia Valente, realizado em 29 de maio de 2008, no Centro Espírita Amaral Ornellas, Rua Doutor Leal, 76 (Engenho de Dentro), Rio de Janeiro, RJ.

 

Abaixo a relação de perguntas previamente formuladas pelo grupo de estudos e abordadas durante o seminário:

Para espiritualistas em geral, é perfeitamente compreensível que, ao se utilizar os embriões de células tronco, está se interrompendo a existência de algum espírito. Mas como convencer os céticos? Que justificativa utilizar?

A Doutrina Espírita é a favor de utilizar as células tronco de uma pessoa nela mesma. Por que os cientistas e políticos não pensaram apenas neste tipo de utilização? Aos olhos deles, isso traria algum tipo de prejuízo?

Quanto tempo demora, mais ou menos, para que uma questão polêmica como essa seja aprovada?

Segundo a questão 344 de “O Livro dos Espíritos”, "No momento da concepção, o espírito designado para habitar determinado corpo se liga a ele por um laço fluídico e vai aumentando essa ligação cada vez mais (…). Se a utilização dos embriões de células tronco já fosse permitida, a que tipo de sofrimentos estes espíritos recém ligados estariam suscetíveis, além da impossibilidade de reencarnar?

Estamos sendo testemunhas de uma discussão entre os que estão a favor e aqueles que estão contra. E em relação ao mundo espiritual? É possível que espíritos interessados neste obstáculo à reencarnação possam estar influenciando de alguma forma?

Um grupo de mulheres doa suas células-tronco embrionárias para a pesquisa. Cientificamente, isto não seria considerado um aborto?

Os argumentos a favor da utilização de células-tronco embrionárias (cura de doenças, reconstituição de órgãos etc) poderiam ser uma forma de mascarar um objetivo principal como a clonagem, por exemplo?

Os espíritos Superiores não se têm manifestado em relação à questão?

 

Questões adicionais enviadas posteriormente por e-mail

Creio que toda existência carnal do Espírito se inicia na fecundação ou quando um novo corpo começa a existir (na possível clonagem humana, não há fecundação, não é?). E será que em toda fecundação humana, natural ou in vitro, liga-se a todo embrião um Espírito reencarnante?

Haverá meios científicos de se detectar a existência de um ser vivo nos embriões? Fala-se de equipamentos que futuramente poderão identificar se determinado embrião tem a ele ligado, ou não, um espírito reencarnante. Isto se daria através da identificação de campos biomagnéticos, utilizando-se um tensionador espacial magnético (TEM). Será possível?

O embrião, desde a sua fase inicial de zigoto, já é o próprio organismo humano vivo, já que está totalmente constituído para o seu pleno desenvolvimento e também porque, até a sua fase de blastócito – período em que as células se multiplicam de forma ordenada, mas ainda não são diferenciadas – já exerce atividades programadas que darão suporte às próximas fases da sua formação?

Uma vez que se conclua que todos ou parte dos embriões congelados já sejam seres vivos, com espíritos a eles ligados, além de parar de se produzir embriões excedentes nas reproduções assistidas, o que fazer com os que já estão armazenados?

Na fertilização in vitro, ao se manipular os embriões que serão colocados no útero para gerar filhos, não estaria havendo uma agressão imposta ao corpo desses seres humanos, já que o método utilizado não está isento de possíveis seqüelas? Ou seja, os que manipulam os embriões humanos, mesmo os que serão implantados no útero para reprodução, não serão eles agentes nos problemas de saúde que daí possam surgir nesses indivíduos? Não acha que não cabe ao homem, imprimir a vida de quem quer que seja, uma doença, assim como a sua morte?

As células adultas têm o mesmo potencial que as células embrionárias para se transformar em diferentes tipos de células?

Nos casos de fetos anencéfalos (sem cérebro) e também de estupro, também nesses casos não se deve praticar o aborto, certo?

Em seguida temos alguns textos usados como referencias para responder às questões colocadas acima.

 

Ser professor universitário (1)
Ética, sociedade e terceiro milênio

A ética visa mais o bem a ser conquistado e garantido que ao mal que deve ser evitado. A bioética é a ética aplicada aos novos problemas que se desenvolvem nas fronteiras da vida. Vem em salvaguarda do ser humano: na singularidade da individualidade, mas também na universalidade da sua humanidade. Não pretende ser restritiva, mas tem a tarefa de colocar limites éticos a fim de salvaguardar a pessoa humana, sua vida e humanidade.

O progresso tecnológico da biomedicina levanta problemas éticos, que requerem da bioética reflexão prática. A questão “o que posso fazer?” Deve estar acompanhada das perguntas do imperativo ético “o que devo fazer? O que é bom fazer? Qual é o bem a ser preservado e o bem a ser promovido”.

A ética ao falar de valores e agir humano, parte do pressuposto que todo ser humano age por uma motivação em vista de uma finalidade. É sabido que entre a motivação e a finalidade não existe uma transparência que determine ser todo ato bom e responsável. Vários fatores psicológicos, sociais e culturais podem influenciar estes atos. Um ato humano, mesmo os atos médicos e científicos, podem ser maus e irresponsáveis se as motivações forem egoístas ou se a finalidade for a ganância de fama, poder ou riquezas.

A reflexão ética visa identificar os valores humanos e a elaboração de normas de comportamento, para a garantia do bem humano e social. A bioética identifica a vida como um bem, e quer compreendê-la melhor, identificando os valores que a acompanham e favorecem como um bem. Busca também a elaboração de normas de comportamento que garantam este bem. Normas que são regidas pela humanidade presente em cada um de nós. Esse progresso depende da educação.

O projeto de declaração sobre o genoma humano, do comitê internacional da UNESCO, proclama a necessidade do ensino:
“art.16: os Estados se comprometem a promover um ensino específico concernente às implicações éticas, sociais e médicas da biologia e da genética humana.”

É um ensino que deve permitir a todos exercerem responsabilidades próprias ante as novas situações derivadas do avanço das ciências da vida. Os novos e diferentes desafios precisam ser apreendidos em toda a sua complexidade.

Produzir profissional qualificado implica em aquisição e produção de conhecimento; de capacidade técnica e de atitudes profissionais. Assim existe a necessidade de contínua informação, atualização técnica e formação permanente. Ser informado das novas técnicas implica em saber executá-las, mas também em saber posicionar-se diante dos problemas éticos que dela decorrem.

O salto de qualidade no ensino será o da informação para a formação de uma nova consciência profissional, integrada a um universo biomédico com a sua especificidade humana, capaz do diálogo, da clareza de percepção dos problemas éticos e da objetividade de apresentação destas questões em vista da decisão a ser tomada em conjunto com outros envolvidos naquele ato biomédico, seja ele um atendimento ou uma pesquisa.

Em síntese: um profissional ético com consciência crítica, livre, criativa e responsável, capaz do diálogo.

 

O preparo para a reencarnação

Existe algum preparo para o espírito reencarnar? Se existe, qual é? O espírito pode ser obrigado a reencarnar? A lei de hereditariedade influi no espírito? Ele reencarna consciente ou inconsciente? Quando termina o processo da reencarnação? Por que o esquecimento?

"Missionários da Luz", capítulo 12, Preparação de experiências, André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier:

"Segismundo voltará ao rio da vida física. A situação assim exige e não devemos perder a oportunidade de encaminhá-lo ao necessário resgate… Tudo está preparado afim de que Segismundo regresse à companhia da vítima e do inimigo do pretérito, no sentido de santificar o coração. Será ele, de conformidade com a permissão de nossos Maiores, o segundo filhinho do casal… Infelizmente, Adelino, que lhe será o futuro pai transitório, repele-o com calor, tão logo surgem as horas do sono físico, trabalhando contra os nossos melhores propósitos de harmonização. Em vista disso o trabalho preparatório da nova experiência tem sido muito moroso e desagradável."

Palavras de Alexandre, instrutor de André Luiz, sobre o preparo da reencarnação:

"Temos bons amigos no Planejamento de Reencarnações. Nesta instituição, durante alguns dias, você terá idéia aproximada da nossa tarefa, portas adentro de semelhante trabalho. Grande percentagem de reencarnações se processa em moldes padronizados para todos, no campo das manifestações puramente evolutivas. Mas outra porcentagem não obedece ao mesmo programa. Elevando-se a alma em cultura e conhecimentos, e, em responsabilidade, o processo individual é mais complexo, fugindo à expressão geral, como é lógico. Em vista disso, as colônias espirituais mais elevadas mantêm serviços especiais para trabalhadores e missionários."

"As entidades sob nossos olhos são trabalhadores da nossa esfera interessados em reencarnações próximas. Nem todos estão diretamente ligados a semelhantes propósitos, porque grande parte está no trabalho de intercessão, obtendo favores desta natureza para amigos íntimos. Os rolos brancos que conduzem são pequenos mapas de formas orgânicas, elaborados por orientadores do nosso plano, especializados em conhecimentos biológicos de existência terrena. Conforme o grau de adiantamento do futuro reencarnante e de acordo com o serviço que lhe é necessário estabelecer planos adequados aos fins essenciais."

E a lei da hereditariedade? "Funciona com inalienável domínio sobre todos os seres em evolução, mas sofre, naturalmente, de todos aqueles que alcançam qualidades superiores ao ambiente geral. Além do mais, quando os interessados em experiências novas no plano da crosta e merecedor de serviços “intercessórios”, as forças mais elevadas podem imprimir certas modificações à matéria, sede de atividades embriológicas, determinando alterações favoráveis ao trabalho de redenção." Após conseguir o perdão e a permissão dos futuros pais para a reencarnação encontramos Segismundo momentos antes de reencarnar: "Já estive mais animado – disse-me ele, triste -, entretanto agora falecem-me as energias… sinto-me fraco, incapacitado… agora tenho receio de novos fracassos…".

Em “O Livro dos Espíritos”, questão 339: O momento da encarnação é acompanhado de uma perturbação semelhante aquela que tem lugar na desencarnação? – Muito maior e sobretudo mais longa. Na morte, o espírito sai da escravidão, no nascimento, entra nela.

"Existem, então aqueles que reencarnam inconscientes do ato que realizam?Certamente – respondeu Alexandre, solícito – assim também como desencarnam diariamente na crosta milhares de pessoas sem a menor noção do ato que experimentam, somente as almas educadas tem compreensão real da verdade que se lhes apresenta em frente da morte do corpo. Do mesmo modo, aqui, a maioria dos que retornam a existência corporal na esfera do globo é magnetizada pelos benfeitores espirituais, que lhe organizam novas tarefas redentoras, e quantos recebem semelhante auxílio são conduzidos ao templo maternal de carne como crianças adormecidas. O trabalho inicial, que a rigor lhes compete na organização do feto, passa a ser executado pela mente materna e pelos amigos que os ajudam de nosso plano. São inúmeros os que regressam a crosta nessas condições."

Emmanuel em "Esquecimento e reencarnação", do livro Religião dos Espíritos: "Encetando uma nova existência corpórea, para determinado efeito, a criatura recebe, desse modo, implementos cerebrais completamente novos, no domínio das energias físicas, e, para que se lhe adormeça a memória, funciona a hipnose natural como recurso básico, de vez que, em muitas ocasiões, dorme em pesada letargia, muito tempo ates de acolher-se ao abrigo materno. Na melhor das hipóteses, quando desfruta de grande atividade mental nas esferas superiores só é compelida ao sono, relativamente profundo, enquanto perdure a vida fetal. Em ambos os casos, há prostração psíquica nos primeiros sete anos de tenra instrumentação fisiológica dos encarnados, tempo que se lhes reaviva a experiência terrestre…"

"E isso, na essência, e o que verdadeiramente acontece, porque, pouco a pouco, o espírito reencarnado retoma a herança de si mesmo, na estrutura psicológica do destino, reavendo o patrimônio das realizações e das dívidas que acumulou, a se lhe regravarem no ser, em forma de tendências inatas, e reencontrando as pessoas e as circunstâncias, as simpatias e as aversões, as vantagens e as dificuldades, com as quais se afinizado ou comprometido…".

"A moldura social ou doméstica, muitas vezes, é diferente, mas, no quadro do trabalho e da luta, a consciência é a mesma, com a obrigação de aprimorar-se, ante a benção de Deus, para a luz da imortalidade." (2)

 

Anomalias fetais: abortar?

Anencéfalo tem alma? Que é a alma? Seria válido o aborto diante de anomalias fetais graves e incuráveis? Como detectar a presença do espírito? Há um espírito encarnado?

Segundo estimativas extra-oficiais, existem hoje no Brasil mais de 350 alvarás judiciais autorizando a prática da interrupção seletiva da gravidez em nome de anomalias fetais incompatíveis com a vida extra-uterina.

Sabe-se que há relação direta entre fetos anencéfalos e abortamento espontâneo. Cerca de 65% morrem no período intra-útero. Dos que sobrevivem, cerca de 2/3 falecem nas primeiras três horas. Alguns registros mostraram que, de 180 anencéfalos vivos, 58% não sobreviveram após as primeiras 24 horas. Quando a alma está presente?

Que é a alma? A resposta é encontrada em “O Livro dos Espíritos”, na questão 134 e diz que é “um espírito encarnado”. Mas, que era a alma antes de se unir ao corpo? “Um Espírito”. O corpo pode existir sem alma, não sendo um homem mas massa de carne sem inteligência (questão 136). Na agonia (processo de desencarnação), algumas vezes, já tem deixado o corpo havendo apenas vida orgânica. Cabe perguntar, sob o ponto de vista prático, como saber se o espírito já deixou o corpo e como saber se está ligado ao corpo do anencéfalo. Nas questões deste capítulo de "O Livro dos Espíritos" vamos encontrar novamente o vocábulo (alguns/ algumas) na questão 356, onde verificamos que entre os natimortos há alguns onde não foi destinada a encarnação de espíritos. Por outro lado, “O Livro dos Espíritos” é claro quando informa que se a criança vive após o nascimento ela tem forçosamente encarnado em si um espírito e é um ser humano (questão 356b). Interessante é que não tendo sido destinado à encarnação de espíritos, corpos podem chegar a termo de nascimento, algumas vezes (de novo o vocábulo), mas não vivem (questão 356a). Essas questões parecem explicar (percentuais referidos anteriormente) os 65% de anencéfalos que morrem no período intra-útero e ainda os outros 42% que sobrevivem após as primeiras 24 horas.

Uma mulher tem o direito de levar a termo uma gestação com uma criança seriamente afetada, quando isso representa uma carga financeira e social imensa para toda a sociedade?

No momento de decisão vamos nos debruçar sobre a resposta dada pelos Espíritos Superiores (na questão 356b) – “há forçosamente um espírito encarnado”. Fontes é enfático: “decretar viver ou morrer não é poder do juiz.” Certamente ele vai deixar os calouros de direito em reflexão profunda, quando adjetiva: “mais inviável do que o nascituro tido como anencéfalo é a pretensão de alcançar judicialmente uma autorização de aborto, porquanto injusta, ilegal, inconstitucional, juridicamente impossível, irrelevante e inútil.” (3)

“Ora, minha amiga, estamos discutindo a existência de alguém que ainda nem é uma pessoa. É apenas um amontoado de células. Eu estou defendendo a mulher e você vai ficar defendendo um feto!” (…) “A mulher é sempre ignorada. Essa é a grande questão do nosso século. As mulheres que abortam, no Brasil, não o fazem por opção. Quando falo no direito de abortar falo em direito à vida humana, decente e digna. É preciso existir estrutura para gerar filhos, foi você mesma quem colocou!”

“Sim”, veio a resposta: “e deve ser aí que devemos gastar a nossa energia e não tentando desumanizar o outro! Sempre que se quer humilhar, castrar, limitar ou matar o outro, recorre-se a esta técnica consagrada. O primeiro ato é desumanizar. Se o embrião é um "vir a ser", mas não é ainda por que não suprimi-lo em favor dos que são? Hitler e Stálin tinham idéias, até nobres, pelas quais se delegaram o direito, e até o dever, de matar judeus, dissidentes, capitalistas, comunistas e católicos. O que se quer é “desumanizar” o embrião para adormecer as consciências com uma legitimidade. "A ciência não tem uma definição de vida, portanto não pode justificar um procedimento tão grave sobre o que desconhece.”. (4)

Com relação às pesquisas no campo das células tronco, dos embriões congelados, há divergências entre a opinião da ciência e a da religião. O que você nos diz sobre essa questão? Responde o médium Divaldo Pereira Franco. – Quando for possível fazer uma ponte entre ciência e religião, fica muito mais fácil. A tarefa da ciência, indubitavelmente, é pesquisar. Se a ciência tivesse limites, hoje nós não teríamos a tecnologia de ponta que nos facilita tanto a comunidade, inclusive o prolongamento da vida. Mas, nessa busca da investigação científica, às vezes alguns pesquisadores exorbitam. Toda vez, quando a vida corre ameaça, é compreensível que haja uma bioética. As grandes nações trabalham isto e o Brasil também, para que se estabeleça uma bioética. Nem tudo deve ser permitido na área da investigação.” (…) "No caso das células tronco, a Doutrina Espírita, na sua visão religiosa, é totalmente favorável. Toda e qualquer pesquisa que objetive o progresso, a diminuição das dores, a mudança de situação da criatura, é válida, mas para tanto é necessário respeitar a vida que está em processo de desenvolvimento.” (…) “A ciência vai descobrir que essa vida embrionária não é de espontaneidade da matéria, mas sim da presença do Espírito. Ao destruí-los se interrompe uma futura existência, com menos conseqüências negativas, porque os Espíritos que ali se encontram imantados estão também cumprindo um período de provas e essa própria prova é uma maneira de resgatar débitos do passado.” (5)

 

Transdisciplinaridade (6)

Artigo 13. A ética transdisciplinar recusa toda atitude que recusa o diálogo, a discussão, seja qual for sua origem – de ordem ideológica, científica, religiosa, econômica, política ou filosófica. O saber compartilhado deverá conduzir a uma compreensão compartilhada baseada no respeito absoluto das diferenças entre os seres, unidos pela vida comum sobre uma única e mesma Terra.

Artigo 1 – Qualquer tentativa de reduzir o ser humano a uma mera definição e de dissolvê-lo nas estruturas formais, sejam elas quais forem, é incompatível com a visão transdisciplinar.

Artigo 2 – O reconhecimento da existência de diferentes níveis de realidade, regido por lógicas diferentes é inerente à atitude transdisciplinar. Qualquer tentativa de reduzir a realidade a um único nível regido por uma única lógica não se situa no campo da transdisciplinaridade.

Artigo 12 – A elaboração de uma economia transdisciplinar é fundada sobre o postulado de que a economia deve estar a serviço do ser humano e não o inverso.

Artigo 3 – A transdisciplinaridade é complementar à aproximação disciplinar: faz emergir da confrontação das disciplinas dados novos que as articulam entre si; oferece-nos uma nova visão da natureza e da realidade. A transdisciplinaridade não procura o domínio sobre as várias outras disciplinas, mas a abertura de todas elas àquilo que as atravessa e as ultrapassa.

Artigo 5 – A visão transdisciplinar está resolutamente aberta na medida em que ela ultrapassa o domínio das ciências exatas por seu diálogo e sua reconciliação não somente com as ciências humanas, mas também com a arte, a literatura, a poesia e a experiência espiritual.

Artigo 9 – A transdisciplinaridade conduz a uma atitude aberta com respeito aos mitos, às religiões e àqueles que os respeitam em um espírito transdisciplinar.

Artigo 10 – Não existe um lugar cultural privilegiado de onde se possam julgar as outras culturas. O movimento transdisciplinar é em si transcultural.

Artigo 7 – A transdisciplinaridade não constitui uma nova religião, uma nova filosofia, uma nova metafísica ou uma ciência das ciências.)

Artigo 14 – Rigor, abertura e tolerância são características fundamentais da atitude e da visão transdisciplinar. O rigor na argumentação, que leva em conta todos os dados, é a barreira às possíveis distorções. A abertura comporta a aceitação do desconhecimento, do inesperado e do imprevisível. A tolerância é o reconhecimento do direito às idéias e verdades contrárias às nossas.

 

O Biodireito e a Tendência da Constitucionalização do Direito Internacional:
A Dignidade da pessoa Humana como Valor Universal (7)

Conclusão

É indiscutível, nos dias atuais, que a humanidade está assistindo a uma verdadeira “revolução” provocada pela biotecnologia e pela biomedicina, trazendo uma série de questionamentos jamais pensados por qualquer ramo do conhecimento.

Questões como aborto, eutanásia, ortotanásia, clonagem humana, são assuntos que envolvem vida e morte de seres humanos. Ética e direito, bioética e biodireito, direito constitucional e direito internacional devem estar agindo em conjunto para que se encontre o famigerado “ponto de equilíbrio” entre a ânsia pelo desconhecido, a vaidade desenfreada e o senso comum daquilo que é ético, digno, justo.

Neste prima, questões éticas são suscitadas, aliadas às legislações nacionais e internacionais para que se alcance uma espécie de “freio” à ciência para aquilo que for considerado como ofensor à dignidade do ser humano.

Sabe-se que, o avanço científico sem reflexão ética é um salto no vazio. A ética, em efeito, deve orientar o avanço científico e a harmonia entre eles.

A busca do “ponto de equilíbrio” entre o direito/ a ética ao conhecimento científico, concretizado pelas descobertas científicas e, de outro lado, a dignidade da pessoa humana aliada à proteção internacional dos direitos humanos é de extrema importância para o futuro da humanidade. Encontrar esse tênue ponto de equilíbrio em face do indivíduo, sociedade e meio ambiente, visando estabelecer os limites para a evolução científica, paralelamente ao desejo de uma melhor qualidade de vida para a espécie humana, inter-relacionada com a fauna, flora e o ecossistema, é a função reservada à Bioética. E, o Biodireito apresenta-se diante da necessidade de o Direito entrar em ação.

Para que isso aconteça, a ética deve estar aliada ao direito, que lhe dará sustentação legal para tanto. O Direito Constitucional deve estar em consonância com o Direito Internacional, ou seja, a Constituição deve estar apta a reconhecer mecanismos internacionais eficazes de proteção à dignidade da pessoa humana, à prevalência dos direitos humanos, em relação ao prazer em testar seres humanos. A idéia de criar um tribunal internacional de ética para cientistas, médicos, profissionais que atuam com experiências em seres humanos, é que exista realmente aplicabilidade de regras e a conseqüente coerção caso haja desrespeito aos preceitos éticos e jurídicos. As declarações internacionais apresentadas neste trabalho, são um prenúncio disso.

O que se espera é que esta tendência da constitucionalização do direito internacional possa, aos poucos, chegar na criação de um tribunal de ética para apreciar essas novas situações que estão surgindo, envolvendo direito e ciência, ética e responsabilidade, Biodireito e Bioética, para assegurar um bem maior, a ser tutelado não só pelo Estado, mas pelo Direito Internacional dos Direitos Humanos e da Bioética: a dignidade, a vida, o valor, a essência da pessoa humana.

Como diz o direito nacional e internacional, confirmado pelo seqüenciamento do genoma humano, só existe uma raça: a raça humana.

 

Células-tronco

As totipotentes e pluripotentes só são encontradas nos embriões.

Totipotentes (ou embrionárias) – Conseguem se diferenciar em todos os 216 tecidos (inclusive a placenta e anexos embrionários) do corpo humano.

Pluripotentes – Diferenciam-se em quase todos os tecidos humanos, menos placenta e anexos embrionários.

Multipotentes – Formam diversos tipos de tecidos, mas não espermatozóides e óvulos.

Oligopotentes – Diferenciam-se em poucos tecidos.

Unipotentes – Diferenciam-se num único tecido.

“O médico interfere no campo do sujeito, em seu corpo e, por vias indiretas não apenas contingentes, em sua vida pessoal, suas emoções, sua “socialidade”, suas economias. Por isso é a medicina uma profissão moral. A medicina não é uma ciência, campo de exatidões, de estatísticas, de generalizações. É, na verdade, uma aplicação prática das ciências médicas, fisiológicas e biológicas em alguém em particular, num tempo e local particular.” (8)

 

Médicos têm obrigação moral na hora de “receitar remédios”

Em princípio, os remédios devem ser eficazes, eficientes e efetivos. Eficazes são os que os que foram validados por método rígido e demonstraram que solucionam o problema investigado (podem não chegar a 100%). Comete injustiça quem gasta dinheiro público com um produto que não demonstra eficácia. Se os benefícios superarem os custos é eficiente. Será efetivo se for eficiente em condições reais.

Algumas questões que precisam ser respondidas:

Primeira – Qual a responsabilidade do médico que implanta um número excessivo de embriões, vindo a gerar uma gravidez múltipla que poderá gerar danos à saúde da mãe, colocar em risco a sobrevivência dos fetos e trazer desequilíbrio financeiro e emocional à família da gestante?

Segunda – No caso de gestação múltipla ocorrida pela implantação de grande quantidade de embriões, vir a gerar problemas de saúde à mãe, poderão ser retirados alguns embriões? Quais deles? Quem poderá decidir tal questão? Poderíamos usá-los como fontes de células-tronco?

Terceira – Qual seria o procedimento cabível para a empresa que possui embriões e material genético criopreservados em caso de falência, insolvência ou decisão de término de atividades? Qual seria o destino de tal material?

Quarta – Que células-tronco parecem mais eficazes, eficientes e efetivas?

 

Doutrina Espírita e discriminação (9)

"Há necessidade do enfrentamento crítico da ideologia discriminatória de todo tipo. Nas ciências biomédicas é emblemático o exemplo do estigma da lepra que aterroriza pacientes da curável hanseníase.

"Enquanto não for desenvolvido um programa educativo adequado, hanseníase continuará sendo sinônimo de lepra. Persistirão os graves problemas psicossociais por ela acarretados". (10)

O Espiritismo, a despeito de ter surgido através do método científico, também é alvo da postura discriminatória. Na origem do preconceito estão menos os argumentos religiosos (filosóficos) e mais os instrumentos políticos.

Em alguns temas os argumentos “religiosos” são recusados e se procura refletir apenas com os das ciências, incluindo as jurídicas. A discussão do início da vida e do aborto são exemplos que exigem altos vôos da razão e do sentimento.

Apesar da alergia que o “antígeno religião” pode causar, gostaria de contar que ao término da conferência pública com o médium Divaldo Franco, realizada no Grupo Espírita André Luiz, no Rio de Janeiro, 26 de julho de 2007, o espírito assim se pronunciou:

"Nós que nos comprometemos em tornar melhores os nossos próprios dias deveremos avançar semeando bênçãos e distribuindo consolações. A humanidade necessita mais de exemplos dignificantes do que de palavras retumbantes."

Destacamos o exercício prático da transformação pessoal e a ciência como promotora da esperança.

O médico Arthur Conan Doyle, criador da série Sherlock Holmes, escreveu a "História do Espiritismo", que foi traduzida por Júlio de Abreu Filho. O filosofo José Herculano Pires é o autor do prefácio que nos fala da obra e do escritor de renome mundial: "O médico Arthur Conan Doyle, o homem voltado para os problemas científicos, o pensador, debruçado sobre as questões filosóficas, e o religioso, que percebe o verdadeiro sentido da palavra religião – todos eles estão presentes nesta obra gigantesca, suficiente para imortalizar um escritor que já não se houvesse imortalizado."

Da obra (Editora Pensamento, SP, SP, 500 p) vamos ficar com a página 174, 5º capítulo, "A Carreira de D. D. Home", porque atende ao nosso objetivo. É um parágrafo onde o médico escritor faz uma afirmação que comprovei ao longo da vida acadêmica. Sua clareza nos obriga a citá-lo ad litteram:
"Os homens de ciência se dividem em três classes: os que absolutamente não examinaram o assunto – o que não os impede de pronunciar opiniões muito violentas; os que sabem que a coisa é verdadeira, mas temem confessá-lo; e, finalmente, a brilhante minoria dos Lodges, dos Crookes e dos Lombrosos, que sabem que é verdade e não temem proclamá-lo."

Para Ellen Gracie, presidente do STF, no zigoto a "pessoa humana não existe…" (Luiz Carlos Formiga)

REFERÊNCIAS
(1) Ética, sociedade e terceiro milênio
http://www.serprofessoruniversitario.pro.br/ler.php?modulo=10&texto=524
(2) O preparo para a reencarnação, de Jomar Teodoro Gontijo
http://www.panoramaespirita.com.br/modules/smartsection/item.php?itemid=7961
(3) Anomalias fetais: abortar?
http://www.jornaldosespiritos.com/2007.3/col49.6.htm
(4) A política do aborto
http://www.jornaldosespiritos.com/2007.3/col49.2.htm
(5) Zigoto no banco dos réus?
http://www.jornaldosespiritos.com/2007.3/col49.16.htm
(6) Ética, Sociedade e Terceiro Milênio
http://www.panoramaespirita.com.br/modules/smartsection/item.php?itemid=4981
(7) Carla Fernanda de Marco . O Biodireito e a Tendência da Constitucionalização do Direito Internacional: A Dignidade da pessoa Humana como Valor Universal. 32 páginas.
http://www.mundojuridico.adv.br/sis_artigos/artigos.asp?codigo=63
(8) O que espero de meus médicos. Revista de Enfermagem, Faculdade de Enfermagem, UERJ, RJ, vol. 4 (1): 89-102. Capítulo de "Dores, Valores, Tabus e Preconceitos". Edições CELD. RJ.
http://www.sida-luz-positiva.org/
(9) Sobre o voto da ministra, em Espiritualidade e Sociedade e Jornal dos Espíritos, “Dignidade para a mulher – É necessário restabelecer a igualdade entre cidadãos”
http://www.espiritualidades.com.br/Artigos_D_L/formiga_Luiz_dignidade_mulher.htm
http://www.jornaldosespiritos.com/2007.3/col49.17.htm
(10) O poder das palavras
http://www.espirito.org.br/portal/artigos/neurj/o-poder-das-palavras.html

LUIZ CARLOS D. FORMIGA é professor universitário da UFRJ e UERJ, aposentado.

 

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Sobre aricarrasco

sou simples mas co objetivos e convicções definidos.
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