Lei de Talião

Lei de Talião


Fonte: http://www.richardsimonetti.com.br/pinga_fogo
Richard Simonetti

1 – O que é a pena de talião?

Do latim talis, significa pena igual à natureza do crime cometido. Suas origens estão no Código de Hamurabi, babilônico, de 1730 a.C. Surge em destaque no Velho Testamento, com a expressão mosaica (Êxodo, 21:23-25): Mas se houver dano grave, então darás vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão pé por pé, queimadura por queimadura, ferida por ferida, golpe por golpe…

2 – A pena de talião não recende vingança?

Sem dúvida, mas em sua época representava um progresso, um início de legislação disciplinadora das ações humanas, substituindo a chamada justiça pelas próprias mãos, em estágio de barbárie.

3 – No âmbito da religião, podemos situar a pena de talião como lei divina? Deus pune dessa forma os delinqüentes?

Se considerarmos com Jesus que o criminoso é um doente moral, não há sentido em castigá-lo. Ele precisa ser tratado. Se a própria justiça humana começa a entender esse princípio evangélico, como pretender que o Criador, que enviou um emissário para nos ensinar os valores do perdão, submeta seus filhos a torturantes castigos?

4 – Por que, então, na questão 764, de O Livro dos Espíritos, diz, peremptoriamente, o mentor que atendia a Kardec: "A pena de talião é a justiça de Deus. É Deus quem a aplica. Todos vós sofreis essa pena a cada instante, pois que sois punidos naquilo em que haveis pecado, nesta existência ou em outra. Aquele que foi causa do sofrimento para seus semelhantes virá a achar-se numa condição em que sofrerá o que tenha feito sofrer."

No meu entender, o que o mentor espiritual quer dizer é que todos responderemos por nossas ações, atendendo aos dispositivos de causa e efeito a que estamos sujeitos. Todo mal praticado resulta em males para nós, não por cobrança divina, mas como imposição da própria consciência. Não necessariamente da mesma forma, mas na mesma proporção.

5 – Poderia exemplificar?

Filhos de Deus, intrinsecamente estamos destinados ao Bem. O mal será sempre uma agressão que fazemos a nós mesmos, lesionando os refolhos de nossa alma. Essa lesão irá se manifestar na forma de um problema físico ou psíquico, em processo de depuração. Se atiro no peito de alguém, matando-o, estarei gerando um desajuste perispiritual que mais cedo ou mais tarde dará origem a um mal na região correspondente, purgando o mal que pratiquei. Assim entendo a justiça de Deus, a manifestar-se a partir das reações de nossa alma ao mal que praticamos.

6 – Se alguém me dá um tiro, roubando-me a vida, isso não estaria diretamente relacionado com o fato de eu ter matado alguém assim?

Se assim fosse estaríamos perpetuando o mal. Sempre deveria existir um "instrumento" de Deus a fim de que o agressor sofresse idêntico atentado. A justiça não Deus não necessita do concurso humano para cumprir-se.

7 – Assim raciocinando, diríamos que quem morre de forma violenta não está resgatando débitos, relacionados com crimes cometidos?

Deus pode harmonizar tais eventos em favor de resgates cármicos, o que não significa que tudo aconteça por iniciativa divina. Vivemos num planeta atrasado, regido pelo egoísmo, onde muitos males acontecem em virtude de nossas ações desajustadas. E qualquer que seja o tipo de morte que venhamos a enfrentar, num bombardeio, num acidente, num assassinato, estará justificado pelo fato de morarmos aqui. Se não merecêssemos passar por contingências dessa natureza, iríamos morar onde elas não acontecem. E elas deixarão de acontecer em nosso planeta quando o mal daqui for banido.

8 – Você diria que a pena de talião funciona mais na intimidade da consciência do que em virtude das contingências humanas?

Isso está bem claro na própria questão 764, quando o mentor diz: Todos vós sofreis essa pena a cada instante, pois que sois punidos naquilo em que haveis pecado, nesta existência ou em outra. Não estamos a "todo instante" topando com contingências trágicas, mas convivemos, permanentemente, com estados íntimos de depuração, a se manifestarem em enfermidades, angústias, tristezas, transtornos íntimos, intranqüilidade, infelicidade… Jesus já ensinara isso ao proclamar que o Reino de Deus está dentro de nós. O inferno também. Depende do que fizemos no pretérito, do que estamos fazendo no presente.

 

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Sobre aricarrasco

sou simples mas co objetivos e convicções definidos.
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