Carta ao Pequeno Leitor

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                                                                                                  Parábolas
                                                         
                                                                    Carta ao Pequenino Leitor 
                                                                   
                                                                               [introducao do livro"Historia Que Jesus Contou"]
Querida criança:
 
Aqui está mais um livrinho de história para você.
 
Os heróis destas histórias não são dos nossos dias: têm quase dois mil anos…
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Não aparecem aqui Pinóquio nem Branca de Neve com os Sete Anões.
 
Não encontrará você tam­bém Aladim com sua lâmpada maravilhosa, nem viajará com Gulliver ao país dos Gigantes.
 
O Peque­no Polegar, o Chapeuzinho Vermelho e o Camundon­go Mickey não estão aqui presentes.
 
Nem compare­cem as nossas histórias Ali Babá, o Gato de Botas e o Pato Donald…
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São outras, bem diferentes, as histórias que você vai ler.
 
Foram contadas pelo Maior Amigo das Crianças.
 
Sei que você conhece esse Grande Ami­go… Sim, é Ele mesmo, é Jesus, nosso Divino Mestre.Também Ele foi criança.
 
Criança meiga e boa, gentil e pura, que encheu de alegria, amor e paz o Lar de Nazaré.
 
Ele amou os pequeninos de Sua pátria, do mesmo modo que continua amando hoje, com ternura e proteção, as crianças do mundo inteiro.Este livrinho quer mostrar aos seus olhos e ao seu coração de criança as lindas histórias que Jesus Nazareno contou ao povo da Palestina.
 
Têm elas o nome de parábolas.
 
São simples, educativas e belas e, mais que tudo, foram narradas por Aquele cuja vida é a mais linda história do mundo.
 
A palavra parábola quer dizer “comparação”.Na língua que Jesus falava dizia-se “marshal”, que significa uma história, uma ilustração, uma breve narrativa, embora nem sempre signifique só isso.
Estas “Histórias que Jesus Contou” não se destinaram só aos homens da Judéia e aos meninos das praias de Cafarnaum e das colinas de Nazaré.
 
Ele a contou sabendo que ficariam no
 
Evangelho para sempre, para as gerações do futuro, para nós todos.
 
Elas são também para você, sabe? Não seria possível reunir aqui, num só volume todas as parábolas de Jesus.
 
Várias delas, no entanto, aqui se encontram, expostas numa linguagem a alcance de sua inteligência, para que sua alma, recebendo estas lições do Divino Amigo, se conserve simples e boa, sincera e mansa, generosa e pura Para que sua vida, querida criança, seja uma permanente oferenda espiritual ao nosso querido Jesus nosso primeiro e maior Amigo.
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Medite nelas, relei-as sempre. Procure entendê-las bem.
 
Rogue ao Mestre Divino, que as contou na cidades de Israel, que dê à sua mente o perfeito entendimento delas, concedendo também ao seu coraçãozinho as bênçãos da boa-vontade e da perseverança, a fim de que você pratique os sagrados ensinamentos do Evangelho.
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Hoje, você é uma criança… Amanhã, crescido será adulto.
 
Que sua alma, filhinho, recebendo desde agora as lições imortais do Senhor, as conserve sempre nas estradas de luta desta vida e nos caminhos luminosos da Eternidade.
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No Grande Além, o Divino Pastor espera todos os corações que O amam e servem, amando e servindo à humanidade, com retidão de espírito e sincero devotamento.
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Que Jesus abençoe sua alma de criança!
E que você entenda, sinta e aplique os sagrados ensinos de Suas Parábolas, que foram contadas também para você…

        CLÓVIS TAVARES

                                   CAMPOS, R. J., 5 de abril de 1955.

 
 
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                                                                    1 – "A PARABOLA DO SEMEADOR" 
                                                                                                   
                                                                                   Escrito por (Mateus, capítulo 13º, versículos 1 a 9, e 18, a 23)

Um semeador, como fazia todos os dias, saiu de casa e se dirigiu ao seu campo para nele semear os grãos de trigo que possuía, honrando a Deus com seu trabalho honesto.

 
Começou a semeadura. Enquanto lançava as se-mentes ao campo, algumas caíram no caminho, na pequena estrada que ficava no meio da seara.
 
Você sabe que os passarinhos costumam acompanhár os semeadores ao campo, para comer as sementes que caem ao chão?
 
Pois, isso aconteceu em nossa histó­ria.
 
Alguns grãos caíram à beira da estrada, e os passarinhos, rápidos, desceram e os comeram.
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O semeador, porém, continuou semeando. Outras sementes caíram num lugar pedregoso.
 
Havia ali muitas pedras e pouca terra.
 
As sementes nasceram logo naquele solo, que não era profundo.
 
O trigo cresceu depressa, mas, vindo o sol forte, foi quei­mado; e como suas raízes não cresceram por causa das pedras, murchou e morreu.
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Outros grãos caíram num pedaço do campo onde havia muitos espinheiros. Quando o trigo cresceu, foi sufocado pelos espinhos e também morreu.
 
Uma última parte das sementes caiu numa terra boa e preparada, longe dos pedregulhos e das sarças.
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E o trigo ali semeado deu uma colheita farta. Cada grão produziu outros cem, outros sessenta ou outros trinta…

                             
     ****
 
O próprio Jesus explicou a Seus discípulos a Pa­rábola do Semeador.
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As nossas almas, filhinho, são comparáveis aos quatro terrenos da história: “o terreno do caminho”, “o solo cheio de pedras”, “a terra cheia de espinhei­ros e “o terreno lavrado e bom.
 
Jesus é o Divino Semeador.
 
A semente é a Sua Palavra de bondade e de sabedoria.
 
E os diversos terrenos são os nossos corações, os nossos Espíritos, onde Ele semeia Seus ensinamentos, cheio de bon­dade para conosco. E como procedemos para com Jesus? Como res­pondemos à Sua bondade?
 
O modo como damos res­posta ao amor cuidadoso do Divino Mestre é que nos classifica espiritualmente, isto é, mostra que espécie de terreno existe em nossa alma. Cada coração hu­mano é uma espécie de terra, um dos quatro solos da parábola.
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Vejamos, então, filhinho: Quando alguém ouve a palavra do Evangelho e não procura compreendê-la, nem lhe dá valor, apare­cem as forças do mal (os Espíritos maldosos, desen­carnados ou encarnados) e arrebatam o que foi se­meado no seu coração, tais como os passarinhos co­meram as sementes…
 
E sabe de que modo? Fazendo com que a alma esqueça o que ouviu, dando outros pensamentos à pessoa, fazendo com que ela se desin­teresse das coisas espirituais.
 
E a alma fica indi­ferente aos ensinamentos divinos.
 
O coração dessa pessoa é semelhante ao “terreno do caminho”, onde a semente não chegou a penetrar.
 
Um exemplo desse terreno é a criança que não presta atenção às aulas de Evangelho, ficando distraida durante as explica­ções.
 
Ou ainda, a criança que não gosta de ler os livrinhos que ensinam o caminho de Jesus…
 
E o segundo terreno, o pedregoso?
 
Esse terreno é a imagem da pessoa que recebe os ensinos de Jesus com muita alegria.
 
São exemplos as pessoas entusiasmadas com o serviço cristão, ou as crianças animadas nas escolas de Evangelho, mas cuja animação dura pouco.
 
Quando surgem as zom­barias, as perseguições ou os sofrimentos, a alma, que é inconstante, abandona o caminho do Evan­gelho.
 
Um exemplo para você, filhinho: uma criança está freqüentando as aulas de Moral Cristã numa Escola Espírita.
 
Está aprendendo os mandamentos divinos, os ensinos de Cristo, o caminho do bem, da pureza, da honestidade. Está muito contente com o que está estudando.
 
Sente-se animada e feliz. Um dia, aparece um colega do colégio ou da vizinhança, dizendo que o “Espiritismo é obra do demônio”, que “os que freqüentam aulas de Evangelho nas escolas Espíritas ficam loucos e vão para o inferno”.
 
E zom­ba dele sempre que o encontra e lhe põe apelidos humilhantes. O nosso amiguinho não tem ainda fir­meza de fé.
 
Tem medo das zombarias dos colegas e dos vizinhos, que dizem que “somente sua religião éverdadeira” e lhe mandam “receber Espíritos na rua”. Amedrontado pela perseguição e pelos mote­jos, o nosso irmãozinho deixa a Escola de Evange­lho, onde estava começando a compreender a beleza do ensino de Jesus e as bênçãos do Espiritismo Cristão.
 
Esse menino tinha o coração semelhante ao “terreno cheio de pedras”, onde a planta da verdade não pôde crescer e frutificar.
O terceiro solo é a “terra cheia de espinheiros “.
 
É o caso das pessoas que recebem a palavra do Evan­gelho, mas, depois abandonam o caminho cristão por causa das grandezas falsas do mundo e da sedu­ção das riquezas.
 
Ouviram o Evangelho, mas se inte­ressaram mais pelos negócios, pelos lucros, pelas vaidades da vida, pelo cuidado exclusivo das coisas da terra. Há também, no mundo das crianças, exem­plos desse terreno.
 
São as crianças que conheceram, às vezes desde pequeninas, os ensinos de Jesus, mas, depois de crescidas, preferiram os maus companhei­ros, as crianças sem Deus, e passaram a interessar­-se somente pelos problemas de dinheiro ou de mo­das, pelos ídolos do cinema ou do futebol.
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Não querem mais nem Jesus, nem lições de Evangelho.
 
Só pensam em automóveis de luxo, sonham com caminhões, imaginam-se ricos “quando crescerem”…
 
A princípio, sabiam repartir com os pobres o seu di­nheirinho, porém, agora só pensam emjuntá-lo: acari­dade morreu nos seus corações.
 
O mundo, com suas riquezas falsas (que terminam com a morte), seduziu suas almas e sufocou a plantinha de Deus em seus espíritos.
 
Trocaram Jesus pelos sonhos e ambições de carros de luxo, de figurinos, de roupas elegantes, de campos de esporte, de concursos de beleza, de grandezas sociais…
 
A plantinha de Deus foi sufoca­da pelos espinhos do egoísmo e das ilusões da vida material. E morreu…
 
O quarto terreno, “a terra lavrada e boa, é o símbolo do coração que escuta o Evangelho, pro­curando compreendê-lo e praticá-lo na vida.
 
E a alma que estuda a palavra do Senhor, percebendo que está neste mundo para aprender a Verdade e o Bem. E, assim, dá frutos de bondade e eleva-se para Deus.
 
Abandona seus vícios e maus hábitos, dedicando-se à prática das virtudes, guardando a fé no coração, socorrendo carinhosamente os necessitados e sofredores e buscando os conselhos de Deus no Evangelho de Cristo.
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O coração de uma criança verdadeiramente cris­tã é o bom terreno da parábola: cada semente de Jesus se transforma em trinta, sessenta ou cem bên­çãos de bondade, de fé e de auxílio ao próximo.
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O coração dessa criança deseja conhecer sempre mais e melhor os ensinos cristãos.
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E se esforça sinceramen­te para fazer a Vontade Divina: amar e perdoar, crer e ajudar, aprender e servir.
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Filhinho, aí está a Parábola do Semeador.
 
Me­dite nela.
 
Que você, guardando a humildade de cora­ção, se esforce para ser, se ainda não o é, o bom terreno, que recebe os grãos de luz do Divino Semea­dor e dá muitos frutos de sabedoria e bondade.
 
 
 
 
                                                                                                                         
                                                                                             Historias que Jesus Contou*
                                                                                                                            
                                                                                                                              Clovis Tavares
                                                                                                                        
                                                                                                        Ed.Lake
 
 
Parábolas do Evangelho narradas às crianças.*

"Neste livro, um amigo das crianças relaciona histórias que Jesus contou para que os pequeninos O encontrem no santuário do coração.

Lembra-te de que se hoje és o apoio da felicidade de teu filhinho, amanhã será ele o apoio de tua felicidade.
Auxilia-o, pois, a sentir e pensar com o Celeste Amigo e terás a inspiração do Senhor, assegurando-lhe abençoada luz ao porvir."

Emmanuel 

Psicografado por Francisco Cândido Xavier [Trecho do prefácio]
 
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Sobre aricarrasco

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