FALANDO DE APOMETRIA

Equipe dA Casa de
Eurípedes
estudou a técnica apométrica em caráter
experimental…

Apometria não convém às Casas Espíritas
– Parte 1
"- Que pensa Emmanuel do
espírita diante do sincretismo religioso?
– Nosso amigo espiritual nos
aconselha a respeitar crenças, preconceitos, pontos de vista e normas de
quaisquer criaturas que não pensem como nós, mas adverte-nos que temos deveres
intransferíveis para com a Doutrina Espírita e que precisamos guardar-lhe a
limpidez e a simplicidade com dedicação sem intransigência e zelo sem fanatismo
(…)
– Cabe-nos, assim, defender a obra de Allan Kardec, em qualquer tempo?

– Sim. Os Espíritos Amigos nos dizem que nos compete a obrigação de defender
os ensinamentos de Allan Kardec, sobretudo, na vivência dessas benditas lições,
através de nossas próprias vidas. Compreendendo assim, reconheceremos que é
necessário sermos fiéis a Kardec em todas as nossas atividades (…)" (1)

três anos a Casa de Eurípedes – Hospital Espírita Eurípedes Barsanulfo, Goiânia
(GO) – promoveu a realização de Seminário sobre apometria.
E permitiu que um
grupo estudasse e aplicasse a técnica, em caráter experimental. Sendo a Casa de
Eurípedes instituição técnico-científico, como deve ser qualquer hospital
psiquiátrico moderno, com filosofia e práticas espíritas, existe espaço para a
discussão e experimentação de novas técnicas, sem preconceito e espírito de
segregação, mas sempre com supervisão e acompanhamento técnico.
Como veremos,
essa postura não se aplica a experimentações de natureza mediúnica.
Nesse
sentido, a técnica apométrica foi aplicada, principalmente em pacientes
internos, associando de alguma forma o Departamento Doutrinário e Mediúnico
dessa Instituição à apometria. Decorridos três anos e não tendo sido, ainda,
realizada qualquer avaliação mais ampla sobre esse trabalho, o assunto foi
levantado, buscando respostas para as questões:
a) "A teoria e a prática da
técnica conhecida como apometria (e suas leis) estão em pleno acordo com os
princípios doutrinários codificados por Allan Kardec, nas obras básicas do
Espiritismo, ou seja, a apometria pode ser considerada uma técnica espírita?"

b) "Caso a apometria não seja uma técnica espírita (como várias técnicas
terapêuticas anímicas e/ou mediúnicas não o são), é aconselhável incluí-la
dentro do corpo do Departamento Doutrinário e Mediúnico da Casa?"
c) "Sendo
ou não uma técnica espírita, a aplicação da técnica tem resultado em benefícios
terapêuticos reais para os pacientes em tratamento nesta instituição
hospitalar?"
Neste artigo, resumimos parecer da Comissão formada com o
objetivo de oferecer respostas às questões acima, levando-se em conta que a
Instituição tem se prezado pela fidelidade aos fundamentos da Doutrina
Espírita.
Não se trata de julgar a técnica dita apométrica, de saber se ela
funciona ou não. Nem de julgar pessoas ou grupos que a praticam.


1 – EXAME DO ASSUNTO, À LUZ DA DOUTRINA ESPÍRITA:

1.1) Por que Allan Kardec atribuiu a ela o nome de Doutrina Espírita?
A
Doutrina é dos Espíritos. E isso porque foi revelada por eles, a muitos médiuns,
em inúmeros lugares, simultaneamente:
"(…) a Doutrina dos Espíritos não é
de concepção humana. Foi ditada pelas próprias inteligências que se manifestam,
quando ninguém disso cogitava, quando até a opinião geral a repelia. (…)
Perguntamos ainda mais: por que estranha coincidência milhares de médiuns
espalhados por todos os pontos do globo terráqueo, e que jamais se viram,
acordaram em dizer a mesma coisa?" (2)
Allan Kardec não aceitava tudo que
vinha dos Espíritos – nem recomenda que o façamos -, submetendo seus ensinos ao
crivo da razão, aplicando o preceito de Jesus:
"Meus bem-amados, não creiais
em qualquer Espírito; experimentai se os Espíritos são de Deus, porquanto muitos
falsos profetas se têm levantado no mundo." (3) (I Jo, 4:1)
Kardec utilizou
na Codificação do Espiritismo o "Controle universal do ensino dos Espíritos",
conforme se lê em "O Evangelho Segundo o Espiritismo" item "2 – Autoridade da
Doutrina Espírita".
Afirmou ser progressiva a Terceira Revelação, mas
publicou – "Revista Espírita", agosto/1861, mensagem "Da influência moral dos
médiuns nas comunicações", Espírito Erasto:
"Mais vale repelir dez verdades
que admitir uma só mentira, uma só teoria falsa." (4)
Máxima repetida em "O
Livro dos Médiuns" (Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira), 20º
capítulo, item 230, página 292.
Em muitas partes de sua obra, o codificador
recomenda-nos submeter a exame severo as comunicações dos Espíritos, como, por
exemplo, nos itens 266 e 267, de "O Livro dos Médiuns".
Desaconselhável,
pois, a crença cega no que dizem os mentores. O ideal é estudar mais e buscar
respostas nas obras confiáveis, já existentes, transmitidas por médiuns de
reconhecida idoneidade.
A Doutrina Espírita não está engessada em verdades
acabadas, absolutas. Não é nem se diz dona da Verdade, em parte alguma.
1.2)
Por que os Espíritos não revelaram aos homens a técnica dita apométrica, quando
tiveram à mão excelentes médiuns, ao longo do século vinte? Se é, como afirmam
os apômetras, mais eficiente que a reunião de desobsessão, por que o silêncio
dos Espíritos Superiores?
Seu divulgador no Brasil, José Lacerda de Azevedo
adotou-a, após demonstração, em Porto Alegre (RS), pelo porto-riquenho Luiz
Rodrigues, na década de sessenta do século passado.
A essa época ainda se
encontrava entre nós, vigoroso, nosso irmão Francisco Cândido Xavier. Seria uma
falha dos Espíritos Superiores, embora interessados na regeneração da
humanidade? Hipótese esta absolutamente inadmissível!
1.3) Quanto à
desobsessão, utilizada na prática Espírita, o Espírito André Luiz transmitiu, ao
médium Francisco C. Xavier, instruções de como realizá-la, em 1964 –
coincidentemente na mesma década da divulgação da apometria entre nós -, na
grande obra intitulada "Desobsessão", editada pela Federação Espírita
Brasileira.
1.4) No que se refere à apometria, o silêncio dos Espíritos
Superiores é sintomático. Que saibamos, não houve manifestações sobre o tema em
várias partes do mundo, através de médiuns conceituados. Devemos considerar,
portanto, que não houve o controle universal dos ensinos da técnica, como
preconizava Kardec. Também não se confirmou o que preceitua o seguinte
pensamento:
"Estai certos, igualmente, de que quando uma verdade tem de ser
revelada aos homens, é, por assim dizer, comunicada instantaneamente a todos os
grupos sérios, que dispõem de médiuns também sérios, e não a tais ou quais, com
exclusão dos outros." "O Evangelho Segundo o Espiritismo", capítulo 21, item 10,
6º §. (5)
Por outro lado, a Ciência ainda não comprovou a eficácia da técnica
apométrica. E se é por ela admitida, também desconhecemos.
Por estes fatos,
não pode ser admitida como vinculada à Doutrina dos Espíritos, pois não atende a
nenhum dos dois critérios definidos por Kardec:
"Por sua natureza, a
revelação espírita tem duplo caráter: participa ao mesmo tempo da revelação
divina e da revelação científica." (6)
Assim, não deve ser adotada em
Instituições verdadeiramente Espíritas. (Jeziel Silva Ramos)

* Jeziel Silva
Ramos – Médico e Presidente do Hospital Espírita Eurípedes Barsanulfo, em
Goiânia (GO).

BIBLIOGRAFIA
1 –
BARBOSA, Elias. No Mundo de Chico Xavier. Edição Calvário, São Paulo, 1968, p.
78;
2 – KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Ed. FEB, RJ. Introdução, p.
44;
3 – Bíblia Sagrada;
4 – KARDEC, Allan. Revista Espírita. Edicel, SP,
Tomo IV, 1863, p. 257;
5 – KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo.
118ed. FEB, Rio de Janeiro, 2001, C. XXI, item 10, 6º §;
6 – KARDEC, Allan.
A Gênese. 34ed. FEB, Rio de Janeiro, 1991, Cap. I, item 13.

Apometria
não convém às Casas Espíritas – Parte 2
Inconsistências e manifestações
de respeitável Espírito e de Médiuns
"É necessário preservar o Espiritismo
conforme o herdamos do eminente Codificador, mantendo-lhe a claridade dos
postulados, a limpidez dos seus conteúdos, não permitindo que se lhe instale
adenda perniciosa, que somente irá confundir os incautos e os menos conhecedores
das suas diretrizes." Bezerra de Menezes/ Divaldo P. Franco – Reformador/
Dezembro 2003, p. 446.
Os apômetras adotam terminologias diversas daquelas
utilizadas pela Doutrina Espírita e conceitos de crenças orientais. Além disso,
certas afirmações deles colidem com a razão:
a) – O perdão quase
instantâneo, por parte de adversários seculares, após serem submetidos à
técnica;
b) – A incorporação de ‘vários corpos’, de uma só personalidade,
encarnada, ou não, em vários médiuns, com doutrinação simultânea, nas
‘manifestações desses corpos’!

Para justificar o
primeiro item, afirmam que, pela técnica do desdobramento e o uso de pulsos de
energia, a entidade espiritual sofredora e vingativa é transportada no tempo, ao
passado e ao futuro, perdoando em poucos segundos, esquecendo o ódio de séculos
ou milênios, contrariando a própria natureza humana e a necessidade de reforma
íntima! E preconiza esse resultado em todos os casos!
Em contraposição a
esses conceitos, consultemos algumas obras de fontes seguras.
Ao final dos
livros "Instruções Psicofônicas" e "Vozes do Grande Além", de mensagens
recebidas por Francisco C. Xavier, em trabalhos de desobsessão, nos anos de 1952
a 1956, em Pedro Leopoldo, há boletins anuais, com estatísticas dos
atendimentos, aos quais remetemos o leitor, onde se vê que é muito pequeno o
percentual de recuperação plena.
E lembrem-se de que estes trabalhos
mediúnicos contavam com a presença do maior médium da história da Humanidade –
Francisco Cândido Xavier!
Manoel Philomeno de Miranda/ Divaldo Pereira
Franco, em "Loucura e Obsessão", afirma à página 14:
"A cura das obsessões,
conforme ocorre no caso da loucura, é de difícil curso e nem sempre rápida,
estando a depender de múltiplos fatores, especialmente, da renovação, para
melhor, do paciente (…).
Allan Kardec, em "O Evangelho Segundo o
Espiritismo", capítulo 28, item 84, diz:
"Observação. – A cura das obsessões
graves requer muita paciência, perseverança e devotamento."
Albino
Teixeira/Francisco C. Xavier, em "Paz e Renovação", indaga, no capítulo 48
(Obsessão e Cura), à página 135:
"Em qualquer progresso ou desenvolvimento
de aquisições do mundo, nada se obtém sem paciência, amor, educação e serviço;
como quereis, meus irmãos da Terra, que a obsessão – que é freqüentemente
desequilíbrio cronificado da alma, – venha a desaparecer sem paciência, amor,
educação e serviço, de um dia para o outro?"

Bastam estas
citações, eminentemente doutrinárias, para saber que a cura das obsessões não se
faz com um toque de mágica, de uma hora para outra. É também o que nos revela a
experiência.
Nossa razão não aceita tanta facilidade – eis que não admite
seja possível transformação tão rápida em Espíritos que cultivam o ódio tão
intensamente.
Quanto ao segundo item, pelo inusitado da proposta e para não
nos alongarmos ainda mais, deixamos que cada um avalie por si mesmo!


2 – MANIFESTAÇÕES DE RESPEITÁVEL ESPÍRITO E DE
MÉDIUNS
2.1 – Francisco Cândido Xavier relata orientações recebidas de
Emmanuel, seu mentor:
"Lembro-me de que num dos primeiros contatos comigo,
ele me preveniu que pretendia trabalhar ao meu lado, por tempo longo, mas que eu
deveria, acima de tudo, procurar os ensinamentos de Jesus e as lições de Allan
Kardec e disse mais que, se um dia, ele, Emmanuel, algo me aconselhasse que não
estivesse de acordo com as palavras de Jesus e de Kardec, que eu devia
permanecer com Jesus e Kardec, procurando esquecê-lo." (Chico Xavier:
Mediunidade e Coração, de Carlos A. Baccelli, Editora IDEAL, 1985, p. 12/3:
Emmanuel e Duas Orientações para o Resto da Vida).
2.2 – Divaldo Pereira
Franco, durante uma larga entrevista, no programa Presença Espírita da Rádio Boa
Nova, de Guarulhos (SP), em Agosto/2001, a partir de uma pergunta a ele
dirigida, afirma:
"Não irei entrar no mérito nem no estudo da apometria
porque eu não sou apômetra, eu sou espírita. O que posso dizer é que a
apometria, segundo os apômetras, não é Espiritismo, porquanto as suas práticas
estão em total desacordo com as recomendações de "O Livro dos Médiuns".
Não
examinaremos aqui o mérito ou demérito porque eu não pratico a apometria, mas,
segundo os livros que têm sido publicados, a apometria, segundo a presunção de
alguns, é um passo avançado do Movimento Espírita no qual Allan Kardec estaria
ultrapassado.
Allan Kardec foi a proposta para o século dezenove e para
parte do século vinte e a apometria é o degrau mais evoluído, no qual Allan
Kardec encontra-se totalmente ultrapassado, tese com a qual, na condição de
espírita, eu não concordo em absoluto.
Na prática e nos métodos de libertação
dos obsessores, a violência que ditos métodos apresentam, a mim pessoalmente –
me parece tão chocante que faz recordar-me da lei de Talião, que Moisés suavizou
com o código legal e que Jesus sublimou através do amor. (…)
Tenho certeza
de que aqueles que adotam esses métodos novos, primeiro, não conhecem as bases
Kardequianas, e, ao conhecerem-nas, nunca as vivenciaram para terem certeza.

Então, se alguém prefere a apometria, divorcie-se do Espiritismo. É um
direito! Mas não misture, para não confundir. (…)
Não temos nada contra a
apometria, as correntes mento-magnéticas, aquelas outras de nomes muito
esdrúxulos e pseudocientíficos. Mas como espíritas, nós deveremos cuidar da
proposta espírita.
(…) Não entrarei no mérito dos métodos, que são
bastante chocantes para a nossa mentalidade espírita, que não admite ritual,
gestual, gritaria, nem determinados comportamentos, porque a única força é
aquela que vem de dentro – a moral. "Para esta classe de espíritos são
necessários jejum e oração." – disse Jesus. Jornal virtual "A Jornada" (www.ajornada.hpg.ig.com.br/doutrina/mat-0030a.htm)


2.3 – Ricardo Di Bernardi – que é inteiramente favorável
à correta utilização do método apométrico e defende o aprofundamento do estudo
-, admite falhas nessa prática e fala em umbandização da Doutrina Espírita:

"Com todo respeito aos nossos "primos" umbandistas, que executam trabalho
sério e útil, faz-se necessário definir algumas fronteiras que devem ser tão
nítidas quanto fraternas. Não há porque criarmos grupos de umbanda
técnico-científica nas casas espíritas. Ao invés do clássico e necessário
"Diálogo com as sombras" tão preconizado por Hermínio de Miranda, passamos a
ouvir o contínuo estalar de dedos, seguido, de verdadeiras expulsões dos
espíritos obsessores ou simplesmente sofredores.
O diálogo construtivo e
fraterno passou a ser considerado peça de museu. Ao invés de amor e filosofia,
muita sonoridade e gesticulação espalhafatosa, sob o argumento de que som serve
de veículo para a energia. Então, bater palmas e gritar alto seria tão útil
quanto mais ruidosos forem… Naturalmente, o impacto energético seria cada vez
mais produtivo quanto mais escandalosa for a sessão… É necessário que
acordemos para que logo não estejamos admitindo outras atitudes materiais e
periféricas totalmente incompatíveis com nossa filosofia. O trabalho espiritual
é, acima de tudo, mental. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra: equilíbrio…
(…)
Obsessores retirados do campo mental do obsediado "a fortiori" e
enviados a "outros planetas" ou a estranhos locais ou dimensões extra-físicas,
talvez merecessem uma atenção mais adequada.
A ausência de diálogo com
espíritos enfermos, em certos casos, apenas determinará a mudança de endereço
dos obsessores, bem como a admissão de novos inquilinos na casa mental
desocupada do obsediado. (…)
Faz-se necessário recolocarmos a filosofia
espírita, o amor e a seriedade nos trabalhos mediúnicos e não umbandizarmos a
doutrina espírita, nem brincarmos irresponsavelmente com animadas técnicas."

Artigo "Apometria: Nem problema, nem solução" www.ipepe.com.br/apometria.html(Jeziel Silva Ramos)

* Jeziel Silva
Ramos – Médico e Presidente do Hospital Espírita Eurípedes Barsanulfo, em
Goiânia (GO).

Apometria não convém às Casas Espíritas – Parte
3
Considerações finais e conclusões

3 – TÉCNICAS
MEDIÚNICAS EXISTEM QUE NÃO SÃO PRÁTICAS ESPÍRITAS
A mediunidade não é
patrimônio exclusivo da Doutrina Espírita e muitas práticas alheias ao
Espiritismo a utilizam. É dever de todo espírita estudar profundamente as obras
básicas, para que possamos preservar a pureza doutrinária. O Codificador,
referindo-se ao Espiritismo, indaga-nos: "Como pretender-se em algumas horas
adquirir a Ciência do Infinito?", em "O Livro dos Espíritos" (Introdução ao
estudo da Doutrina Espírita, item 13, página 39), edição da Federação Espírita
Brasileira.
3.1 – Diversos cultos religiosos desenvolvem atividades que
favorecem a renovação espiritual de encarnados e desencarnados. Merecem nosso
respeito, mas nem por isso vamos adotar seus rituais e práticas exteriores, por
considerá-los contrários aos princípios básicos da Doutrina Espírita.

Concluímos que falta o conhecimento da Doutrina Espírita. Não basta a
freqüência à Casa Espírita. Indispensável estudá-la, incessante,
incansavelmente. Seu aprendizado exige esforços.
Percebe-se, claramente, que
a Doutrina Espírita é uma ilustre desconhecida de boa parte dos ‘espíritas’,
especialmente quanto à sua parte teórica.
Reconhecemos haver pessoas
sinceras, com elevados sentimentos, que enveredam por esses outros caminhos; mas
sabemos que não bastam os bons sentimentos, como bem nos recomenda o Espírito da
Verdade, em "O Evangelho Segundo o Espiritismo", 6º capítulo, item 5:

"Espíritas, amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o
segundo."
Portanto, urge estudar a Doutrina Espírita, para melhor aplicá-la.
Indispensável estabelecer critérios mais rigorosos quanto à admissão de
participantes às reuniões mediúnicas. Allan Kardec era extremamente rigoroso
para admitir freqüentadores às reuniões ditas experimentais.
Há dois meios
fundamentais ao aprimoramento das reuniões mediúnicas: estudo e reforma íntima.

"Não imaginais o que se pode obter numa reunião séria, de onde se haja
banido todo sentimento de orgulho e de personalismo e onde reine perfeito o de
mútua cordialidade." "O Livro dos Médiuns", capítulo 25, item 282, 15ª edição da
Federação Espírita Brasileira.

4 –
CONCLUSÕES
Do exposto, concluíram os integrantes da Comissão de Trabalhos
Mediúnicos:
4.1 – Que o Espiritismo constitui-se numa doutrina completa, em
seus aspectos moral, religioso, filosófico e científico, com suas raízes no
Evangelho de Jesus Cristo, representando o Cristianismo Redivivo;
4.2 – Que
não basta afirmar-se espírita e utilizar a mediunidade para que uma prática seja
considerada espírita;
4.3 – Que as orientações dos Espíritos Superiores que
acompanham o Movimento Espírita no Brasil são muito claras quanto à fidelidade
aos princípios codificados por Allan Kardec;
4.4 – Que a orientação, a
experiência e a prática dos médiuns mais amadurecidos como Francisco Cândido
Xavier e Divaldo Pereira Franco, entre outros, tem demonstrado sempre a
necessidade de vigilância com relação à preservação da pureza dos princípios
básicos da Doutrina Espírita;
4.5 – Que esta prática da técnica apométrica
realizada dentro da Casa de Eurípedes teve caráter experimental, com o objetivo
de avaliar sua aplicabilidade, eficiência e adequação aos princípios espíritas
que aquela Instituição tem preservado com rigor e fidelidade;
4.6 – Que
ultrapassado esse período de experimentação e avaliação, concluíram pela
incompatibilidade da apometria com os princípios que a casa adota;
4.7 – Que
o uso de energia para afastar obsessores sem a necessária transformação moral
(Reforma Íntima), indispensável à libertação real dos envolvidos nos dramas
obsessivos, contradiz os princípios básicos do Espiritismo, pois, o simples
afastamento das entidades rancorosas não resolve a questão;
4.8 – Que a
apometria, especialmente por suas leis e rituais, não é técnica que se enquadra
nos princípios doutrinários espíritas, codificados por Allan Kardec não sendo,
portanto, uma prática Espírita;
4.9 – Que a ausência, nas reuniões da
apometria, de atitudes de recolhimento íntimo, de concentração superior e da
manutenção do ambiente de prece e elevação mental contraria as orientações
doutrinárias espíritas, tanto do ponto de vista moral como da técnica mediúnica
espírita, propiciando as manifestações anímicas e a mistificação, com grande
risco de se perder o controle e evoluir para processos obsessivos graves;

4.10 – Que a utilização pela prática apométrica de contagens de pulsos,
gestos especiais, entre outros atos exteriores, abre precedentes graves para
implantação de rituais e maneirismos, totalmente inaceitáveis na prática
espírita, que é doutrina da fé raciocinada;
4.11 – Que o programa
terapêutico do Hospital prevê a abordagem do ser humano nos seus aspectos
bio-psico-sócio-espirituais, oferecendo tratamento médico, sócio-familiar,
psicoterápico e espiritual de forma integrada e solidária, de acordo com a visão
espírita, não existindo dados que possam garantir superioridade da técnica
apométrica isoladamente sobre quaisquer outras utilizadas pelo Hospital.


Concluíram, afinal, após longos estudos e, especialmente,
ouvir detalhada exposição do assunto, com uso de datashow, pela equipe que a
praticava em nossa Instituição, que a apometria não se ajusta à Doutrina
Espírita e, por isso, sua prática não é adequada à Casa de Eurípides. Nestes
três artigos expomos aos interessados o resultado desses estudos, que justificam
nossa posição contrária à utilização desse método.
Assim, o parecer daquela
Comissão sugeriu que o Conselho Doutrinário e Mediúnico recomendasse, ao grupo
que aplica a técnica apométrica naquele Hospital Espírita, que a suspendesse,
retornando à prática das reuniões mediúnicas de desobsessão, de acordo com os
princípios doutrinários espíritas.
Aventou, ainda, a possibilidade de o
Conselho Doutrinário e Mediúnico adotar alternativas, para o encaminhamento da
relevante questão. Mas que considerasse sobretudo a responsabilidade que lhe
pesa nos ombros, conforme assinala o digno Bezerra de Menezes:
"Cumpre-vos
transferir às gerações porvindouras, com a pulcritude que o recebestes, o
patrimônio espírita legado pelos Benfeitores da Humanidade e codificado pelo
ínclito Allan Kardec, preparando as gerações novas, que vos sucederão na jornada
de construção do mundo novo." (Bezerra de Menezes/ Divaldo P. Franco: Bezerra de
Menezes ontem e hoje, edição da Federação Espírita Brasileira, página 155).
A
recomendação para que se preserve, naquele Hospital Espírita, a fidelidade ao
Espiritismo, que é doutrina completa, cristalina, dispensando enxertias de
quaisquer natureza, foi aprovada.
Lamentavelmente, não obstante reiterados
apelos de vários integrantes do Conselho, o grupo não acatou a sugestão de
voltar à lídima prática mediúnica espírita, preferindo afastar-se da Casa de
Eurípedes. Mas lhes foi dito que as portas da Casa permanecem-lhes abertas, bem
assim os nossos corações, se se dispuserem à fidelidade a Jesus e a Allan
Kardec! (Jeziel Silva Ramos)

* Jeziel Silva
Ramos – Médico e Presidente do Hospital Espírita Eurípedes Barsanulfo, em
Goiânia (GO).

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