RELACIONAMENTO CONJUGAL

Relacionamento conjugal

            "Um olhar, um buquê de flor, uma caixa de bombom, um telefonema, e começa a enamorar-se. Namoro, a fase do doce encantamento." (Emmanuel)

            Noivado é o momento em que os pares, já mais ajustados, procuraram, de uma forma ou de outra, partilhar suas preferências; momento em que conversam, esclarecendo como agirão com os filhos, quanto à educação religiosa, se a esposa vai trabalhar fora ou não, se continuarão cada um com suas amizades. É o momento de se conhecerem mais intimamente.
            Segundo nos esclarece Raul Teixeira, em seu Livro "Desafios da Vida Familiar", é importantíssimo lembrar que estamos num mundo de provas e expiações, que a Terra não é um mundo destinado a espíritos perfeitos. Contudo, se pensarmos em termos relativos, se admitirmos que as obras Divinas são perfeitas quando cumprem sua finalidade, podemos nos sentir felizes.
            No casamento, no dia-a-dia é que se conhece realmente o outro. Porque antes dele só se viam quando estavam preparados para o encontro. Ela lindíssima, ele um perfeito cavalheiro. Após, ou seja, na vivência diária, dão-se conta de que o outro ronca, a moça que ele só via com o cabelo lindo, hoje está sempre de bóbis, chambre, cabelos desfeitos. Ele, barba por fazer. Com o passar do tempo, o descuido vai tomando conta. Já não se reconhecem mais. Tiram os óculos, a dentadura, a peruca. É nessa fase que realmente se percebe que a amizade e o respeito devem ser a base da relação. É a amizade que mantém o lar.
            Mas, infelizmente, muitos não conseguem levar adiante o relacionamento conjugal. Criam o império do egoísmo, não suportando as dificuldades do outro, porque a mídia leva as pessoas a fantasias.
            O casal deve ver no outro o confidente, o grande amigo. Importante confiar no esposo, na esposa, aprendendo a discordar com maturidade, a viver em fraternidade.
            As diferenças, as variedades na natureza, nos mostram a perfeição de Deus. Também no casal as diferenças que existem são para que possam crescer. Olhando para o céu vemos o infinito de estrelas a brilhar, cada qual na sua grandeza, sua distância, sem tirar o brilho umas das outras. No relacionamento é importantíssimo não anular o companheiro ou se deixar anular.
            Segundo Raul, quando conversamos com casais que se separam, eles relatam que o amor acabou. Inverdade, pois o amor não acaba, vai sempre aumentando, é a presença do Criador em nós. A causa da separação é o egoísmo, a dificuldade de suportar as diferenças, e não a falta de amor.
            O matrimônio é uma experiência de reequilíbrio das almas no orçamento familiar.
            Muitas vezes, há falta de entendimento da responsabilidade do sério compromisso, e todo compromisso exige responsabilidade recíproca, em prol dos resultados que se deseja alcançar.

            Há alguns sinais de alarme que podem informar situações difíceis que ocorrem antes do agravamento da situação conjugal:
            – silêncios injustificáveis quando estão juntos;
            – tédio inexplicável ante a presença do companheiro;
            – ira disfarçada quando o outro emite opinião;
            – saturação dos temas habituais, conversados em casa, fugindo para intermináveis leituras de jornais ou inacabáveis novelas de televisão;
            – irritabilidade sempre que se avizinha do lar;
            – desinteresse pelos problemas do outro;
            – falta de intercâmbio de opinião;
            – atritos contínuos capazes de provocar incêndios em forma de agressão.
            As responsabilidades na união conjugal são recíprocas, exigindo que cada um faça a sua parte. Não se pode viver pelo outro. Respeitar a individualidade, a evolução do outro é muito importante.
            A Doutrina Espírita esclarece que somos espíritos reencarnados e que trazemos junto toda uma bagagem evolutiva. Muitas vezes somos vitimados por incompreensões, por orgulho, e vemos o argueiro que existe no olho do companheiro (a), mas não percebemos a trave que não nos deixa ver, ouvir, acalmar, orar. Aquilo que vemos no outro e queremos que ele mude, depende dele sentir essa necessidade.
            Relacionamento saudável só acontece quando percebemos que a união é a soma, mas cada um com sua individualidade.
            Quando enamorados, elogios, atenções. No casamento estes aspectos muitas vezes são esquecidos, porque os filhos estão pequenos, ou estão adolescentes, motivos de preocupações constantes, não permitindo o diálogo aberto. Muitos casais sentam ao redor da mesa parecendo ser dois economistas. Só falam das contas, necessidades, dinheiro, problemas.
            Precisam ser dois amores. Atenção, carinho para com o outro, dizer ao outro que ele é importante. Raul nos conta de um casal que a esposa queixava-se de que o marido lhe fizera uma declaração de amor só na lua de mel. E quando Raul abordou o marido, ele respondeu que ela sabia que ele a amava. Mas se faz necessário verbalizar os sentimentos.
            É necessário se despir do machismo, do feminismo, e dizer ao outro o quanto lhe quer bem; isto dará forças para superarem as dificuldades. É necessário se dar. Vale a pena não permitir que a vivência conjugal se torne sem graça.
            "Amem-se, respeitem-se, olhem-se dentro dos olhos, aprendam de novo a namorar, escolhendo um dia da semana, do mês, para que os dois possam conversar, rir, namorar". (Raul)
            Se comprarmos um vaso com flores e o colocamos na estante e todos os dias apenas o olharmos, sem nunca colocar água, chegará o momento em que as flores irão murchar. Assim, também o relacionamento precisa ser cuidado, regado com atenção e delicadeza como, por exemplo, lembrar do aniversário, trazer uma flor, perceber que ele cortou o cabelo.
            Raul Teixeira conta que encontrou um casal de amigos que disseram que haviam se separado por incompatibilidade de gênios, que um elogiava o outro. Então ele afirmou que isto não é incompatibilidade e sim compatibilidade, pois eram iguais, quando um gritava o outro esmurrava, um esfria o outro congela.
            É necessário abrir-se para que a relação não adoeça, usando as palavrinhas mágicas que tanto ensinamos para os filhos, para os alunos, mas não colocamos em prática, como desculpe-me, perdoe-me, obrigado.
            Muitos relacionamentos se tornam frios, distantes. Diante disso, devemos lembrar que a Doutrina Espírita esclarece que espíritos desencarnados, por inveja, não admitem que possa haver na Terra pessoas felizes, ou seja, mais felizes que eles. Essas criaturas no além não mudam por que mudaram de endereço. Muitos são inimigos de outras encarnações.
            Muitas vezes, a relação afetiva vai ficando fria, distante, o homem preocupa-se em trazer o dinheiro, a esposa fica em casa, brilha tudo, quando o esposo chega, não pode entrar ali, sentar lá, trazer amigos, está proibido de viver em sua própria casa. E vão se distanciando. É preciso largar tudo para ficarem juntos, e não é o tempo de convivência, mas a qualidade que vale.
            "Não se deve arrebentar um nó, deve se desfazer, quando arrebentamos os dois lados ficam estragados". (Joana de Angelis)
            Raul nos conta que fora convidado a participar de uma festa íntima com os familiares de um casal que festejavam bodas de diamantes, 75 anos de relacionamento conjugal. Ele com mais de 90 anos, ela com 90 anos. Um casal queridíssimo, que conviveram e criaram os filhos com muita serenidade. Uma das filhas propôs fazer o jogo da verdade que eles aceitaram. Então a filha falou para a mãe:
            – Nós sabemos que o papai tem um gênio muito difícil e nós, as 4 filhas, nunca os vimos brigar. Como a senhora conseguiu isso com ele?
            – Foi muito fácil, minha filha – explica a mãe – eu namorei seu pai desde os 12 anos de idade. Casamos muito jovens. Ele continuou estudando, formou-se, trabalhando sempre. Eu cuidava da casa. Nas minhas orações sempre pedi a Deus que colocasse uma balança sensível em meu coração (balança que os farmacêuticos usam), e cada vez que me aborrecia com algo colocava num dos pratos da balança, e no outro colocava as virtudes e essas sempre pesavam mais.
            A senhora ainda disse para a filha que quando reencarnasse novamente queria casar-se com ele novamente.
            Vale a pena o esforço de melhorar os relacionamentos a fim de que o casal alcance os méritos de estar junto, a união tem a finalidade divina de ascensão dos cônjuges, de cooperação com Deus na obra universal.
            Preciso é reavivar, reafirmando o amor a cada dia, com gestos e palavras de carinho, para que exista uma relação duradoura.

Maria de Fátima B. Gindri

Bibliografia:
Desafios da vida Familiar – Raul Teixeira
Relacionamento Conjugal – Raul Teixeira
S. O . S. Família

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