Depressão Pós-parto

Depressão pós-parto

Tristeza
é um fenômeno normal que faz parte da vida psicológica de todos nós.
Depressão é um estado patológico. Existem diferenças bem demarcadas
entre uma e outra. A tristeza tem duração limitada, enquanto a depressão
costuma afetar a pessoa por mais de 15 dias. Podemos estar tristes
porque alguma coisa negativa aconteceu em nossas vidas, mas isso não nos
impede de reagir com alegria se algum estímulo agradável surgir. Além
disso, a depressão provoca sintomas como desânimo e falta de interesse
por qualquer atividade. É um transtorno que pode vir acompanhado, ou
não, do sentimento de tristeza e prejudica o funcionamento psicológico,
social e de trabalho.
Já a depressão pós-parto está ligada a duas situações:

1. Tristeza
materna (baby-blue): A primeira é um estado leve de melancolia que dura
de 5 a 7 dias e não traz grandes consequências nem para as mães nem
para as crianças. Este estado tem uma grande incidência na população
normal afetando cerca 80% dos casos.  Percebe-se que a insegurança com o
novo papel de mãe, gera muito medo, faz-se necessário que esta mãe se
ampare em pessoas mais experientes, até ter melhorado sua autoestima. O
quadro é benigno, na medida em que estas questões possam ser elaboradas,
e regride por si só por volta do primeiro mês.

2. A depressão
pós-parto (DPP): Já a segunda, é um quadro clínico severo e agudo que
requer acompanhamento psicológico e psiquiátrico, pois devido à
gravidade dos sintomas compromete a mulher e sua visão de mundo, e
favorece o risco de um infanticídio. É um caso tão sério que o Código
Penal considera que o infanticídio não é um homicídio, pois a mulher
perdeu a crítica e o ajuizamento da realidade. A depressão puerperal
atinge 15% da população feminina, e deve-se considerar o uso de
medicação. Todo ciclo gravídico-puerperal é considerado período de risco
para o psiquismo devido à intensidade da experiência vivida pela
mulher. Esta experiência pode incidir sobre psiquismos mais ou menos
estruturados.
 Mesmo mulheres com boa organização psíquica podem se
ver frente a situações em que a rede social falha. A DPP acomete entre
10% e 20% das mulheres, podendo começar na primeira semana após o parto e
perdurar até dois anos. Há fatores de risco que vêm sendo estudados e
demonstram uma alta correlação com a DPP. Entre eles temos: mulheres com
sintomas depressivos durante, ou antes, da gestação, com histórico de
transtornos afetivos, mulheres que sofrem de TPM, que passaram por
problemas de infertilidade, que sofreram dificuldades na gestação,
submetidas à cesariana, primigestas, vítimas de carência social, mães
solteiras, mulheres que perderam pessoas importantes, que perderam um
filho anterior, cujo bebê apresenta anomalias, que vivem em desarmonia
conjugal, que se casaram em decorrência da gravidez.
 A puérpera se
beneficia de grupos terapêuticos, e se insira numa comunidade atuante
onde possa compartilhar o seu sofrimento junto a outras mulheres em
igual situação e sob orientação de um profissional ou orientador. Também
pode ser recomendado atendimento psicológico individual, em casos cuja
gravidade perturbaria o grupo ou que manifestem preferência por esta
modalidade de atendimento.

Possibilidades de prevenção:
 A
primeira coisa é apelar para o bom-senso. Não há uma receita básica, mas
todos podem contar com o bom-senso para conseguir uma qualidade de vida
satisfatória. Depois, é preciso desenvolver a capacidade de enfrentar e
resolver problemas, dificuldades e conflitos. Tanto isso é possível que
apenas 18% da população apresenta quadros depressivos ao longo da vida.
 Problema
todos têm. É necessário, dentro das possibilidades, aprender a lidar
com eles e a não deixar que nos abalem demais. Existindo a ocorrência de
depressão num membro da família, aumenta muito a possibilidade de um
parente próximo ou de primeiro grau ser afetado pela doença. Filhos de
deprimidos, em geral, manifestam maior predisposição do que filhos de
pais não-deprimidos.
 No entanto, deve-se sempre considerar nesses
casos não só os fatores genéticos, mas também o peso dos fatores
ambientais. Gatilhos desencadeantes da depressão: Sabemos hoje que
existe predisposição genética para a depressão. Os indivíduos nascem com
vulnerabilidade para a doença que, no entanto, não se manifesta em
todas as pessoas predispostas. Isso depende de vários fatores, chamados
estressores, que funcionam como gatilho. Por exemplo, o estresse
psicológico provocado por qualquer adversidade da vida, o estresse
físico, certas doenças, o consumo de drogas lícitas ou ilícitas e alguns
medicamentos de uso contínuo podem precipitar os quadros.
 Entre as
drogas lícitas destaca-se o álcool e entre as ilícitas, os estimulantes
como a cocaína e as anfetaminas. Depressão não é tristeza. É uma doença
que precisa de tratamento. Cerca de 20% das pessoas vão apresentar
depressão em algum período da vida. Quando o quadro se instala, se não
for tratado convenientemente, costuma levar vários meses para
desaparecer. É também uma doença recorrente. Quem já teve um episódio na
vida, apresenta cerca de 50% de possibilidade de manifestar outro; quem
teve dois, 70% e, no caso de três quadros bem caracterizados, esse
número pode chegar a 90%.
 A depressão é uma patologia que atinge os
mediadores bioquímicos, e estes agem na condução dos estímulos através
dos neurônios, que possuem prolongamentos que não se tocam. Entre um e
outro, há um espaço livre chamado sinapse, absolutamente fundamental
para a troca de substâncias químicas, íons e correntes elétricas. Essas
substâncias trocadas na transmissão do impulso entre os neurônios, os
neuro-transmissores, vão modular a passagem do estímulo representado por
sinais elétricos. Na depressão, há um comprometimento dos
neuro-transmissores responsáveis pelo funcionamento normal do cérebro.
 Conhecendo
a dimensão do sofrimento que a todos atinge, precisamos também perceber
que a ciência pode nos explicar as causas do sofrimento, mas não pode
impedir que eles aconteçam. Para os que buscam uma vida equilibrada, é
preciso estar atento às consequências dos atos, e lembrar da belíssima
oração da serenidade que nos lembra da necessidade de mudarmos aquilo
que podemos, e aceitar o que não podemos; mas que DEUS nos mostre aquilo
que podemos mudar e o que devemos aceitar.

Dr. Luiz Fernando Domingues Ladeira

Fonte: Revista Aliança de Misericórdia
Edição: setembro de 2007

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sou simples mas co objetivos e convicções definidos.
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