Enfermidades

Carlos
Toledo Rizzini

 
Enfermidades

1. Compreendemos que os desequilíbrios
ou enfermidades do Espírito têm início com os abusos
e afastamento da Lei Divina. Daí, em o nível de evolução
da Terra, sofrimento ser conseqüência da violação
da Lei. Toda moléstia é de origem espiritual, razão
porque há doentes e não "doenças" propriamente
ditas. A medicina terrena começou a compreender isso com o seu
conceito de moléstia psicossomática, ou seja, a doença
do corpo oriunda de um estado desajustado da mente (tensão, conflito),
tal a úlcera péptica do estômago e duodeno e a pressão
arterial alta.

Psicólogos materialistas e mentores espirituais
concordam plenamente na afirmativa de que a Humanidade é constituída
maciçamente de mentes enfermas. Dizem os primeiros,
sobretudo os psicanalistas, que o homem sadio é uma avis rara,
difícil de encontrar. Dos segundos, Emmanuel (Justiça
Divina) esclarece que todas nós "somos doentes em laboriosa
restauração", devido aos débitos contraídos
noutras vidas, e acentua: "Todos somos enfermos pedindo alta".
Não desanimemos. Por enquanto, a Terra é um planeta de
provas e expiações, no qual renascem, em massa, espíritos
falidos perante a Lei. Não é um lugar aprazível
para uma doce vida, sem incômodos, embora possua recantos belíssimos;
é, antes, um mundo de lutas evolutivas acerbas e dores múltiplas.
Procuremos, ver claro para não naufragarmos no mar das ilusões,
que obscurecem a compreensão; busquemos o esclarecimento sobre:

1) a causa profunda das enfermidades; 2) a função
retificadora que elas desempenham na vida do Espírito eterno
– deixando de considerá-las como desgraça ocasional
do momento que passa.

2. Caro leitor, não há
injustiça no universo, pois, Deus é amor, justiça
e sabedoria – tudo impregnado pela perfeição suprema.
Este princípio fundamental leva a procurar a causa da enfermidade
dentro de nós mesmos. Vimos que o sofrimento é resultante
de, violações, erros e abusos, no curso dos quais a Lei
Divina é desrespeitada e os deveres negligenciados. A prática
do mal, a repetição de abusos, a acumulação
de erros, os vícios, enfraquecem os centros de força do
perispírito e geram lesões nele, que é sensível
ao estado moral do Espírito.

Sabe-se hoje, depois das experiências do Prof.
Hans Selve, que os estados de tensão muito prolongados
originam lesões graves em vários órgãos.
Informa Selve que as piores tensões são : ansiedade, frustração
e ódio, capazes de produzirem úlceras gastroduodenais,
arteriosclerose e hipertensão arterial, por exemplo. Ora, este
conhecimento é experimental, adquirido pelo homem no laboratório
de pesquisa utilizando ratos, cobaias e camundongos É muito para
estimar e admirar que o querido instrutor André Luiz,
em Sinal Verde, afirma exatamente a mesma coisa: "Quanto
mais avança, a ciência médica mais compreende que
o ódio em forma de vingança, condenação,
ressentimento, inveja ou hostilidade está na raiz de numerosas
doenças e que o único remédio eficaz contra semelhantes
calamidades da alma é o específico do perdão no
veículo do amor
". Por incrível que pareça,
esta última assertiva do espírito fora antes formulada
pelo citado cientista ao declarar que: "Amar ao próximo
é um dos mais sábios conselhos médicos de todos
tempos
". Percebe-se que a acentuação deslocou-se
da religião para a ciência o Evangelho é também
um código de medicina profilática. . .

Tal é a causa principal dos nossos males
físicos e mentais:
as lesões do corpo
espiritual
, enquanto não houver reparação
das condutas malfazejas e mudança nas inclinações,
serão transferidas para o corpo material, que renascerá
doente de mil maneiras diferentes.

É o próprio modo de ser do indivíduo
que não é sadio. Seus pensamentos, sentimentos e impulsos,
de várias maneiras, afastam-no da normalidade – levando-o ao
proceder incorreto e ao desequilíbrio conseqüente. Residindo,
assim, os fundamentos da moléstia no íntimo das pessoas,
não será possível obter a cura tão-somente
pelo uso da medicação externa. Os remédios materiais,
com raras exceções (fim de débito), não
podem curar integralmente a ninguém; conseguem melhorar, aliviar,
transferir o mal, mudar sua manifestação, eliminar algo
– mas a cura há de proceder do poder criador do Espírito:
"O espírito delinqüente será imperiosamente
o médico de si mesmo
" (André Luiz, No
Mundo Maior
). Daí, afirmar Emmanuel
(Fonte Viva) que raros alcançam a cura completa,
genuína: é mister apreciável cota de esforço
próprio na renovação dos conteúdos mentais,
para mudar as maneiras de pensar e de agir.

3. Temos aí moléstias
orgânicas originárias de lesões perispirituais

que surgiram de erros e abusos anteriores. Se o sujeito ingeriu veneno
por sua deliberação, renascerá com a garganta pouco
resistente a germes ou com o estômago lesado; se deu um tiro no
coração, voltará atacado de uma cardiopatia congênita;
se usou a inteligência como astúcia para aproveitar-se
de outros, virá a ser débil mental ou padecerá
de hidrocefalia; se foi dado à maledicência ou calúnia,
terá mais tarde a língua maior do que a boca. E assim
por diante. vemos a lei de causa e efeito em ação, no
plano espiritual, determinando expiações.

Outros tipos de enfermidade física ocorrem, menos
difundidos, porém, nos quais funcionam diferentes mecanismos.

Existem as doenças expiatórias, impostas
ao reencarnante como indispensáveis a resgates necessários.
É claro que nos exemplos acima temos também expiações..
Mas, neles, o indivíduo lesou a si mesmo e a moléstia
corporal é uma expressão da lesão do perispírito.
veja isto, leitor. Um indivíduo matou outro; como espírito,
lutou ativamente pela própria regeneração e alcançou
grandes méritos na prática do bem. Ao voltar ao mundo,
recebe um coração defeituoso (que não tinha) para
expiar o crime. Outro levou alguém à tuberculose fazendo-o
expor-se continuamente a condições adversas; ao renascer,
recebe pulmões sem resistência ao bacilo de Koch. De dois
dementes, um poderá ser realmente louco (espírito perturbado)
e o outro não, tendo apenas o cérebro desarranjado por
necessidade de expiação. Um idiota poderá ter u
espírito lúcido.

A diferença entre as duas modalidades só
é nítida nos extremos, devendo haver muitas situações
intermediárias menos definidas.

4. Um sem-número de lesões
ou afecções se revelam derivadas de episódios
de vidas passadas
. Um evento destes, até muito antigo,
ligado a situação interpessoal não resolvido, sói
mostrar conseqüências no corpo físico em diversas
vidas. Segue-se um exemplo que explicaria casos na área psicológica
(Netherton). Certa mulher nova não só sentia dor no curso
do ato genésico como também tinha verdadeiro horror ao
mesmo; e, além disso, acordava costumeiramente de madrugada com
cólicas abdominais; sintomas, portanto, físicos e psíquicos,
aos quais se deve ajuntar uma infecção vaginal crônica
rebelde ao tratamento ginecológico.

A regressão de memória semiconsciente,
conservando a lembrança posterior dos fatos evocados, revelou
que em existência bem anterior (numa "civilização
primitiva"), em seguida ao adultério, o marido mandou prendê-la
em jaula baixa, onde só cabia acocorada; tal posição
determinou-lhe, então fortes e contínuas dores no ventre.
Dias depois, por ordem dele, um médico seccionou-lhe o clitóris,
sentindo, na ocasião, rápida dor lancinante; era seu intuito
usá-la sexualmente sem que ela pudesse corresponder. E assim
foi anulada a atividade erótica. Em vida subseqüente, descreve-se
como jovem meretriz que atravessa triste episódio; apaixonada
por certo homem, este, alcançando o próprio orgasmo, a
deixa no momento em que ia atingindo o clímax; ofende-a, então,
gravemente com palavras pesadas. Confusa e frustrada, cai do alto da
escada e é deixada sem socorro até morrer. Desta experiência
procede sua desconfiança dos homens e da anterior o pavor das
relações carnais; as dores são ainda seqüelas
da gaiola baixa e da operação cruenta; a vaginite, complicação
do ato cirúrgico séptico.

Vejam. Coisas muito antigas e ainda em vigor ! É
que por detrás delas há um erro moral, já profligado
em os Dez Mandamentos! Mas, muita gente assoalha que os tempos mudaram
e que o mundo é diferente… O passado gravado nas profundezas
das almas não sabe disso e emerge sob a forma de distúrbios
psicossomáticos e de sintomas neuróticos ! Tal mulher
– nossa irmã não mais errada do que somos em geral curou-se
inteiramente: esgotaram-se-lhe os débitos mediante os sofrimentos
que enfrentou até 1970, digamos. E, naturalmente, mudou a sua
condição íntima, do mesmo passo.

É bom recordar que André Luiz
conta a estória de dois espíritos bastante aprimorados
que, não obstante, permaneciam no plano inferior. Querendo saber
porque não conseguiam ascender, a análise do passado de
ambos revelou que, cinco séculos antes, haviam lançado
dois companheiros muralha abaixo, liquidando-os sumariamente. Tiveram
que renascer, como pilotos de prova, para dar a vida pelo progresso
da aviação, caindo no devido tempo… Consultem Ação
e Reação
, obra em que o querido instrutor menciona
casos de débitos pendentes há mais de 1.000 anos, confirmando
os achados da regressão de memória. Informa no Cap. VII:

"Conheço irmãos nossos, portadores
do estigma de padecimentos atrozes, que se encontram animalizados, há
séculos, nos despenhadeiros infernais.
" Não
se imagine, porém, que estejam entregues à própria
sorte; a despeito da revolta, os mensageiros divinos espreitam a oportunidade
de resgatá-los das trevas para a luz.

Acabamos de fazer observar que vasta cópia de
dissonâncias psicossomático-neuróticas promana dessa
fonte, incluindo úlceras pépticas, enxaquecas, ejaculação
precoce, impotência, frigidez, fobias, inibições,
esclerose coronária, dispepsia, e mais o que seja: é um
nunca acabar. Resultam, por assim dizer, de "sobras emotivas"
de alguma existência passada, como diz K. Muller;
repetindo: são lembranças arquivadas em estado inconsciente
que estão carregadas de emoções perturbadoras,
não integradas ao patrimônio psíquico e, portanto,
ainda ativas. Segue-se que quando o paciente recorda tais episódios
e libera a emoção reprimida, esta perde sua força
traumática (ou virulência) – o que se consegue mediante
a regressão de memória, usualmente hipnótica, ou
quase consciente (Netherton), porque já se esgotou o débito
cármico, ou pelo esclarecimento e prática do bem, segundo
a orientação espírita, que leva a modificações
definitivas do íntimo da alma.

5. Importante, embora menos espetacular,
é o que André Luiz denomina restrições
pedirias
. São defeitos ou inibições funcionais
que limitam atividades abusivas do organismo. Antes de encamar, prevendo
sua queda num setor onde isso já ocorreu antes, o espírito
solicita que certos órgãos ou funções sejam
um tanto defeituosos, de modo a funcionarem em ritmo reduzido. Na carne,
por mais que o sujeito queira exagerar no uso para obter prazer ou se
lançar à prática do mal, não o consegue.
E nada neste mundo livra-o da inibição solicitada…

É natural que o gastrônomo peça
um estômago delicado ou lento, um intestino facilmente desarranjável,
que o leve a limitar a ingestão de alimentos e bebidas. Que o
fascinador queira, agora, ter feições mais grosseiras,
que a ninguém venha atrair. Que aquele que se deixou levar pela
intriga prefira voltar surdo; que o caluniador peça a mudez.

6. Uma última eventualidade,
menos freqüente, é a da doença gerada pelo
contato íntimo com um espírito perturbado
, geralmente
inconsciente do seu estado, cujo perispírito conteria lesões
oriundas da vida material, Estabelecida a sintonia, as sensações
mórbidas transmitem-se ao encarnado, que passa a sentir-se enfermo
sem o estar. É o caso da moça que um dia começou
a cair facilmente; uma vidente percebeu sobre os ombros dela, um espírito
montado, o qual, incorporado, revelou ser o pai dela e não ter
consciência da situação. Ora, o velho sofria de
forte artrite nos joelhos e não podia andar; doutrinado, acabou
deixando a filha livre. Ou do indivíduo que entra a tossir, a
escarrar, a ter febrícula à tarde, como se estivesse tuberculoso;
quem o está fazendo sentir-se doente é o espírito
que se lhe aderiu à aura, e que morreu naquele estado, conservando
as sensações doentias e transferindo-as ao encarnado que
está sintonizado com as vibração dele. Foi o que
Inácio Ferreira denominou intoxicação fluídica,
em sua obra pioneira.

A Profa. Helena de Carvalho (J.
E. 45: 9, 1979)
dá o nome de "contaminação
fluídica
" a semelhante mecanismo morbígeno
e sugere que tais casos "são bem mais freqüentes do
que se supõe, principalmente nesta época de perturbações
excessivas". Cita, como exemplo, o sucedido com certo indivíduo
que atendeu outro em plena crise asmática. Saiu de braço
dado com ele, amparando-o. O doente foi melhorando a pouco e pouco.
Não demorou a ir-se, enquanto o pobre socorrista ficou a chiar
com forte falta de ar… Passou para ele o obsessor inconsciente do
seu próprio estado, cujas sensações patológicas
transmitia aos encarnados que com ele entravam em adiantado grau de
sintonia vibratória.

Uma variante original da presente patogenia foi comunicada
pelo Dr. Hernani G. Andrade (I.B.P.P.,
SP, monografia n. 3, 1980)
. Devia reencarnar um ex-suicida que
ingerira formicida. A futura mãe, avisada em sessão mediúnica,
tomou-se, naturalmente, de apreensões quanto à sanidade
do próximo filho, prevendo-o defeituoso. No entanto, o mentor
espiritual esclareceu que se ela estivesse disposta a fazer tal sacrifício
pelo espírito reencarnante, a criança nasceria normal
– agregando que ela é quem iria sofrer as conseqüências
do antigo envenenamento. E foi o que sucedeu! Contou dita senhora que
durante a gravidez "minha boca ficava em feridas, em carne viva.
Eu sentia que era roída por dentro e então caía.
Minha irmã disse que às vezes eu começava a tremer
e parecia estar morrendo… " Sentia o gosto e o cheiro da formicida,
queimação no estômago, vômitos, etc. Tudo
desapareceu após o parto; o suicídio fora induzido por
um obsessor – mas a criança nasceu perfeita e com 5 kg. Era agora
uma menina que, quase 6 anos antes, fora irmão da sua mãe
atual e que se matara aos 28 anos, tendo crescido como bela e forte
(aos 17 anos) jovem cujas inclinações se revelavam preferentemente
masculinas.

Não que deixasse de ser feminina, mas inclinava-se
por roupas, corte de cabelo e brincadeiras de menino e, depois, não
era dada a namoricos. . .

Nos casos em que o obsessor, movido por ódio
intenso, envia descargas fluídicas constantes sobre a vítima,
produzindo uma doença sem base física no próprio
doente, Manoel P. de Miranda (Nos
Bastidores da Obsessão, FEB, 1970)
dá o nome de
moléstia-simulacro a tal estado mórbido. É assim
que uma pessoa "fica" leprosa e é internada em leprosário
por apenas apresentar a aparência de hanseniana; bom meio de isolar
alguém e levá-lo ao suicídio… A vítima,
estando sintonizada pela culpa com o agressor e tendo a mente preparada
pela hipnose, seguindo o desejo do obsessor, pode exibir os sinais da
morféia. Aí, o tratamento é espiritual, mediante
a transformação íntima de ambos.

7. É oportuno procurarmos entender
a significação das multas que geramos
em nós mesmos, que são a imensa maioria.

A verdade é que o sofrimento,
longe de ser uma desgraça ocasional, "tem função
preciosa nos planos da alma", esclarece o citado Emmanuel. Ele
surge como uma conseqüência de erros e violações,
mas dispôs a Providência Divina que ele fosse mais do que
isso: que tivesse uma função retificadora dos desequilíbrios
do espírito e das lesões corporais. Por isso, apresenta
patente utilidade ao homem que sofre: sem ele, este não poderia
se reajustar, seria difícil acordar a consciência para
a realidade superior – o sofrimento é o "aguilhão
benéfico
", diz o Irmão x
(
Luz Acima). Deriva daí
que a nossa atitude frente à dor Que nus avassala, se a compreensão
das leis superiores da Vida nos felicita a alma, deverá ser de
conformação lúcida. Esta atitude, a única
produtiva sempre que o sofrimento não puder ser removido pelos
recursos dá inteligente indústria humana, concorda com
a necessidade de observar dois conselhos básicos de Emmanuel
(Fonte viva):

1. O doente (todos nós…) precisa
envidar esforços para deixar de ser triste, desanimado, revoltado,
odiento, raivoso, etc. ; como vimos acima, estados de ódio e
de ansiedade lesam o corpo e a alma, o desânimo entorpece as forças
desta, a maledicência consome as energias, e assim por diante.
Urze renovar-se intimamente, mudar as disposições psíquicas.
Se não, o remédio externo pouco poderá fazer a
nosso favor; se houver melhoras, é preciso não regressar
aos abusos anteriores; caso em que não haverá cura.

2. Importante, muito importante é
que aprendamos a não pedir o afastamento da dor: ela é
o amargo elixir da regeneração do espírito faltoso.
Devemos, isto sim, rogar forças íntimas para suportá-la
com serenidade e valor a fim de que não percamos as vantagens
que nos trará no capítulo da recuperação.
É preciso aprender a aproveitar os obstáculos que criamos
e, para isso, podem-se pedir recursos ao Alto – sempre que os recursos
da Terra falharem; acontecendo isto, a resignação consciente
é chamada a intervir

Em síntese, a enfermidade é produto
derivado das violações que conscientemente praticamos
ao escolher o caminho do mal de maneira voluntária
.
Hoje, temos que enfrentar as conseqüências disso, isto é,
o sofrimento. Este representa, ao mesmo tempo, a expiação
e o tratamento, porquanto, tem função medicinal por servir
ao reajustamento do espírito culpado, logo doente.

É lícito procurar a medicina terrena,
que pode aliviar muito e curar onde for permitido; assim como a Misericórdia
Divina pô-la ao nosso alcance, embora com certas limitações
sociais e econômicas, que servem de provas ao espírito
em processo de cura definitiva. Mas, em todos os casos, para quem já
adquiriu certa compreensão dos níveis superiores de Vida,
mais do que isso é necessário. Faz-se mister cuidar da
erradicação do mal que opera em nós ainda hoje.
E, para tanto, o esforço pessoal torna-se indispensável:
o serviço de aproveitamento das lições evangélicas
– como orar, auxiliar, desapegar-se de posses e posições,
trabalhar pelo bem, etc. é individual e intransferível.
Com ele, mudam as nossas tabelas de valores: a solidariedade, a cooperação,
a contenção das paixões ou impulsos, o sacrifício,
a renúncia, o serviço prestado, a conformação,
assumem a significação de normas de vida. É só
então que Jesus, o Mestre da Terra, curará os males para
todo o sempre.

8. É, em suma, a doença
(e o sofrimento) muito importante no Processo de redenção
do espírito humano
pondo a este de acordo com a Lei
que rege a evolução no Universo. Não se trata de
entronizar o sofrimento, de conferir primazia às desgraças,
e coisas assim. O Espiritismo pura e simplesmente esclareceu o papel
da dor na vida humana; ninguém a procura, mas quando ela desponta
cumpre dar-lhe o tratamento adequado para que ela não venha a
ser, realmente, "uma desgraça completa". A
intensidade da dor é proporcional à atitude íntima
do sofredor,
ao seu estado de espírito: tanto mais forte
quanto mais insubmisso ele for. Para quem só conhece a vida terrena,
o sofrimento parece interminável e desesperador muitas vezes;
tal pessoa julga-se vítima de toda a desgraça possível.
A certeza da vida espiritual e a fé no poder superior, levando
à compreensão e aceitação da dor como resultado
de erros passados e instrumento de redenção, gera o estado
de oração que facilita tudo. Bom será ir mudando
de ponto de vista, dando acentuação aos aspectos espirituais
da vida, de modo que a vida material vá diminuindo em importância
diante das necessidades evolutivas do espírito eterno: o amanhã
vem aí e logo será hoje…

Uma violenta cólica renal dói bem menos
quando dizemos do fundo da alma: "Pai Infinito, seja feita a tua
vontade e não os meus caprichos… sei que a dor é necessária
à correção dos meus desvios… ampara-me para que
eu saiba suportá-la sem revolta, aproveitando-a para o meu soerguimento
como Teu filho!" Uma das faltas tidas como mais graves é
a revolta da criatura contra o Criador, a ausência de submissão
à vontade divina (O Evangelho Segundo o Espiritismo); logo, se
considerarmos Deus injusto, se murmurarmos contra as aflições
do caminho, etc., ao invés de aproveitá-las para o nosso
adiantamento, aumentaremos a dívida e teremos de recomeçar
mais tarde, tantas vezes quantas forem necessárias para nosso
desprazer e angústia. vamos, em conclusão, viver na Terra
de olhos fitos no Alto, fazendo desta vida uma contínua preparação
para a outra, buscando o que seja motivo de elevação e
largando o que nos amarre aos círculos inferiores de lutas e
sofrimentos. As maiores dificuldades e obstáculos estão
dentro de nós mesmos.

9. Uma última observação,
não menos importante: para o espírito superiormente evoluído,
o sofrimento é mera contingência natural dos planos
inferiores de existência
e não merece maior consideração;
não recebe daquele qualquer relevância. Muitos missionários
descem da Espiritualidade Superior movidos pelo amor aos semelhantes
retardatários, para o desempenho de tarefas que incluem necessariamente
o sofrimento e até em doses fortes. Enfrentam-no como condição
natural do mundo material a fim de darem cumprimento ao objetivo designado,
que lhes foi atribuído pelo Poder Supremo. Vejam os antigos profetas
e os primitivos cristãos, que vieram à Terra implantar
o Evangelho do Senhor; não havia tortura que os afastasse do
caminho do testemunho de amor ao próximo e da submissão
a Deus e a Jesus. O que sofreram Pedro, Paulo, Francisco de Assis, Kardec,
Gandhi, o nosso Chico, etc., serve de exemplo para o auspicioso fato
de que a dor só impressiona desfavoravelmente ao devedor e ao
involuído, ou seja, ao doente e ao fraco. Para o ser da Esfera
Mais alta, ela é simplesmente um fator peculiar aos mundos dominados
pelo apego à matéria e, logicamente, quem desce a tais
planos fica sujeito a suportá-lo. Eis tudo.

Vejam as excursões de André Luiz e seus
mentores aos círculos de sombra: tiveram naturalmente de agüentar
o peso e a densidade da atmosfera local e os desmandos dos habitantes
dali, inclusive prisão em uma cela. Mas, estavam a serviço
do amor universal e o sofrimento era uma injunção natural,
um preço decorrente do estado de perturbação do
ambiente. Também os nossos amigos e mentores descem até
nós enfrentando vibrações viscosas e nenhum se
queixa: movem-os o poder mais forte do Amor, do Bem e da Luz…

Fonte: Livro “Evolução para o Terceiro
Milênio” – Edicel

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Sobre aricarrasco

sou simples mas co objetivos e convicções definidos.
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