MEDNESP

O 5º Congresso Nacional da Associação
Médico-Espírita do Brasil foi realizado em São Paulo,
entre os dias 26 e 28 de maio.

Com a presença 850 profissionais de saúde
e 41 palestrantes, especialistas das mais importantes instituições
clínicas do Brasil (Instituto Pazzanezzi, Hospital das Clínicas
de São Paulo, Universidade Federal do Ceará, entre outras),
o MEDNESP discutiu “A espiritualidade no cuidado do paciente”.

Na abertura, representantes das AMEs nacionais e internacional,
entre eles: Dr. Sérgio Felipe (SP), Dr. Roberto Lúcio de
Oliveira (MG), Dr. Gilson Luis Roberto (RS), Dr. Sabino Antonio de Luna
(Argentina) e Dr. Nestor Mazzoti – secretário do Conselho Espírita
Internacional, falaram sobre o compromisso do médico-espírita
e os avanços da medicina que mudam os paradigmas da ciência.
O diretor da associação Paulista de Medicina (APM), Nicolau
D´Amico, ressaltou que os médicos devem discutir religiosidade
com seus pacientes como uma maneira de amenizar o tratamento clínico
e perceber que o profissional de saúde acredita em Deus e também
segue parâmetros religiosos.

A presidente da Associação Médico-Espírita
Nacional e Internacional, Dra. Marlene Nobre contou a história
da AME e as conquistas conseguidas ao longo dos anos. “A AME completa
10 anos e durante esse tempo temos discutido o paradigma médico
espírita. Praticar a medicina que envolva a criatura em um clima
de otimismo, certeza de que existe a realidade espiritual, pode levar
o ser humano a ter uma renovação de conduta”, declarou.

Como palestra inaugural, o médico e cientista
americano, Dr. Harold Koenig apresentou estudos feitos provando que a
fé e a oração ajudam nos tratamentos clínicos.
Segundo pesquisa feita pelo Instituto Gallup (2001) nos Estados Unidos,
as pessoas mais velhas são mais religiosas e cerca de 95% dos entrevistados
acreditam em Deus. Dr. Harold afirmou que no Brasil os dados são
muito semelhantes, tendo em vista que somos um dos países mais
religiosos do mundo.

Dr. Koenig recomenda que os profissionais de saúde
levem em consideração o histórico espiritual dos
pacientes; respeitem, valorizem e apóiem as crenças do paciente.
Só orar com o paciente quando ele pede, sendo o ideal, que o paciente
inicie a oração, para não se sentir obrigado a fazê-lo.

 

A Espiritualidade dentro da Medicina

Com o objetivo de estudar o ser humano em uma amplitude
multidimensional e espiritual, o pioneiro curso de Medicina e Espiritualidade
da Universidade Federal do Ceará tem tido muita aceitação
dos alunos. Com duração de 20 horas, o curso é opcional
dentro da faculdade de medicina. Os alunos aprendem a lidar com a espiritualidade
dentro da medicina e reavaliar a posição do médico
diante das dificuldades clínicas.

De acordo com Dra. Eliane Oliveira, coordenadora do
curso Medicina e Espiritualidade na Universidade Federal do Ceará,
a perspectiva da disciplina visa explicar aos futuros médicos que
o ser humano é biopsicosocial e que a espiritualidade é
o eixo de pensamento para o paradigma do espírito.

Durante a palestra, ela apresentou o conceito dos temas
que são discutidos na disciplina, entre eles: os estudos de reencarnação,
tanologia (que aborda o ser humano como transcendente a deteriorização
física), oncologia e espiritualidade, paradigma quântico
e EQM – Experiência de Quase Morte, entre outros.
No final do curso, os alunos passam por uma avaliação e
fazem uma auto–avaliação, na qual muitos questionam
o paradigma médico, a medicina e espiritualidade.

Segundo a Dra. Eliane, a espiritualidade ultrapassa
as ciências, requer atitude aberta, tolerância, diálogo
e auto-superação. “A fé ajuda nos trabalhos
clínicos como na conciliação com o paciente, no tratamento
do estresse e aceitação de tratamentos”.
Como exemplo, a Dra. Eliane contou que na cidade de Macaé (CE)
um rezador de 77 anos trabalha em conjunto com os médicos, dentro
de um posto de saúde do Sistema Único de Saúde. Após
união da medicina tradicional e o rezador, os pacientes dizem que
se os médicos acreditam em suas crenças e fica mais fácil
o tratamento. “A vida é um bem indisponível”,
conclui.

 

Espiritualidade: a medicina do futuro

O impacto da reencarnação na mudança
de paradigma foi o tema do especialista do aparelho digestivo e atual
vice-presidente da Associação Médico Espírita
de Santos – Dr. Décio Iandoli Jr., que explicou a diferença
entre dogmas e paradigmas, afirmando que a espiritualidade está
suplantando o materialismo. Para provar essa informação,
em 1999, no site Medline (um dos mais importantes sobe artigos científicos),
havia quatro milhões de artigos, mas apenas 300 sobre espiritualidade.
Em 2003, esse número cresceu para mais de 33 mil artigos.

O médico acredita que a reencarnação
é o fator primordial para levar a espiritualidade de vez para a
medicina. “É preciso vencer o preconceito para aceitar a
reencarnação”, afirma Dr. Décio. Durante a
palestra, ele destacou a importância da espiritualidade nas decisões
médicas, explicando que a espiritualidade ajudará em casos
como a eutanásia, que deixará de ser aceita na medicina
do futuro.

“A medicina do futuro, a medicina do Cristo, já
está sendo aplicada pelos médicos que acreditam na espiritualidade.
A mudança depende de cada um e o evangelho ensina como mudar pensamentos,
para que tudo se harmonize e que exista o equilíbrio entre corpo
e mente”, finalizou Dr. Décio Iandoli Jr.

 

Atualidades em Biofísica

O presidente da AME-SP e neurologista, dr. Sérgio
Felipe de Oliveira defendeu um aprofundamento em pesquisas que envolvam
os aspectos da Biofísica transpessoal, a espiritualidade como ponto
de vista factual. “No futuro, teremos um aparelho para ver o mundo
espiritual como hoje temos o microscópio para enxergar microorganismos”,
garante. O médico conseguiu mobilizar a platéia de profissionais
de saúde, mostrando que os estudos de física quântica
comprovam: Existe vida após a morte – isso é um fato.
Nas pesquisas bioneurológicas, a linha de pesquisa com a espiritualidade
– como fato – segue num universo paralelo onde as informações
são fixadas no tálamo – centro do cérebro –
assim é a capacidade de captar o mundo espiritual. Essas descargas
elétricas cerebrais são constatadas em imagens de ressonância.

Sérgio Felipe recomenda que o médico-espírita examine
o paciente sob a ótica da biofísica transpessoal. “O
exame físico é normal, mas como analisar o duplo etério
(sustentação do corpo biológico) da pessoa que deve
ser analisado na biofísica transpessoal? O eletrocardiograma é
a avaliação do duplo etério, assim como a ressonância
nuclear magnética e o eletroencefalograma. Outra forma de avaliar
o duplo etério da pessoa é através da análise
do brilho dos olhos – mais puro retrato do duplo etério.
É o espírito do paciente que comanda o corpo, então
é preciso trabalhar o corpo. A mente voltada ao passado, ligada
ao passado, armazena as informações e culpas e projeta no
corpo físico presente as doenças. É preciso projetar
a mente no futuro. O paciente não pode se achar vítima,
não pode se desesperar. Ele deve liberar sua cabeça da culpa.
Nossa história está escrita nas nossas células, como
se fosse um campo magnético. O médico na biofísica
transpessoal deve usar a mentalização no tratamento do paciente”.

Influências Espirituais de Terapia por Regressão de Memória
O médico Alberto Almeida completou o primeiro dia de Mednesp explicando
que a fixação no passado faz com que percamos a consciência
no presente. “O pensamento humano está entrelaçado
sempre, ao passado e presente, projetando o futuro. A vida tem sentido
completo e único – é feito de uma totalidade, por
isso, lidar com os pensamentos de uma pessoa é um mergulho numa
dimensão coletiva”. O médico recomenda aos colegas
que tentem fazer interações no passado do paciente para
curar doenças do presente.

 

RESUMO DAS PALESTRAS

DIA 27 DE MAIO DE 2005

Não existe aprendizado sem estresse

Com as frases “Vida é movimento” e
“Viver é um constante desafio”, Marlene Nobre, presidente
nacional da Associação Médico-Espírita do
Brasil (AME-Br) iniciou o segundo dia do Mednesp 2005, apresentando a
palestra Estresse sob a ótica do paradigma médico-espírita,
destacando a importância de o ser humano ter um projeto de paz interior
para que possa reagir de forma positiva aos fatores estressantes que o
acompanharão por toda a vida.

“Sabemos que, hoje em dia, não são
mais predadores, mas homens e mulheres que afetam nossas resistências
e nos conduzem ao estresse”, disse Marlene observando que, desde
os primórdios, o homem está diante de fatores que ameaçam
sua resistência orgânica e, a despeito de toda saga evolutiva,
ainda age impulsionado por instintos.

Recorrendo à teoria do médico que descobriu
o estresse, Hans Seye, de que as pessoas têm graus diferentes de
energia biológica e ela determinará se a reação
aos fatores estressantes será um processo natural ou patológico,
Marlene enumerou as contribuições do espiritismo como oração,
meditação, treino do perdão e aproveitamento da dor,
para a construção de um sólido patrimônio moral,
intelectual e espiritual. Inerente à vida humana, o estresse pode
ser natural ou patológico, dependendo do patrimônio moral,
intelectual e espiritual do indivíduo.

Para a presidente da AME Brasil, não existe aprendizado
sem estresse e a fé é fundamental para que o indivíduo
saiba tirar proveito dessa experiência. Reforçando esta premissa,
Marlene citou João, capítulo 14, versículo 27: “A
Paz vos deixo, a minha paz vos dou, não vô-la dou como o
mundo a dá”.

 

No compasso mais acertado

Pesquisas buscam evidências para
incorporar espiritualidade à prática clínica no tratamento
de doenças cardiovasculares principais causa de morte no Brasil
e no mundo. Comprovar cientificamente que a religiosidade pode contribuir
de maneira positiva no tratamento de pacientes acometidos por doença
cardiovascular é um desafio para os profissionais de medicina que
apostam na vertente espiritualista, conforme explicou o cardiologista
Álvaro Avezum, diretor da divisão de pesquisa do Instituto
Dante Pazanezzi e um dos precursores da Medicina Baseada em Evidência
no Brasil, durante a palestra Espiritualidade e Associação
com Doença Cardiovascular.

Avezum apresentou alguns estudos demonstrando que a
religiosidade está diretamente ligada aos fatores de risco psicossociais,
associados à doença cardiovascular, principal causa de morte
no Brasil e no mundo. As pesquisas apontaram, por exemplo, que, quando
controlado o estresse, o índice de morte pode ser reduzido a 29%
e há um aumento de 20% de doença cardiovascular entre pacientes
depressivos. Em uma compilação de cinco estudos com mais
de 2.700 pacientes que recebem prece intercessória, foi observada
melhora em 2.123 pacientes.

Embora a relação entre espiritualidade
e fatores de risco da doença cardiovascular esteja cada vez mais
evidente, o cardiologista acredita que o caminho para sua incorporação
à prática clínica é longo. “Estamos,
ainda, na fase da promessa. Em ciência, temos que passar pela comprovação
e aplicabilidade”, disse Avezum com otimismo.

 

As múltiplas fases da depressão

O psiquiatra e vice-presidente da AME Brasil, dr. Roberto
Lúcio de Souza, abordou os aspectos clínicos da depressão
e o médico Jaider Rodrigues de Paulo analisou os aspectos espirituais.
A palestra mostrou casos que a aplicação dos ensinamentos
da doutrina foram essenciais para conseguir a cura para o paciente.
Aspectos Clínicos: foram analisadas as diferenças diagnósticas
da depressão: tristeza é emoção e tem função
de levar o indivíduo a buscar o entendimento da realidade e da
vivência; a depressão é tristeza estagnada e melancolia
é a depressão grave, com sintomas somáticos e características
psicóticas. É importante ressaltar que 90% dos depressivos
têm transtorno bipolar (intercalam fases de euforia e depressão).

Aspectos espirituais: cada pessoa tem uma missão
e um chamado específico. A conscientização no plano
espiritual motiva o indivíduo a buscar a essência de sua
reencarnação. Nesta busca, a depressão gera culpa
e desânimo, mas a fé é imprescindível para
superar a angústia. No evangelho está escrito: “vinde
a mim todos vós que estais aflitos e sobrecarregados, que eu vos
aliviarei”. O deprimido precisa de tratamento espiritual aliado
ao tratamento medicamentoso.

 

Depressão e doença cardiovascular

O cardiologista Osvaldo Hely Moreira
mostrou quais as implicações cardiovasculares que o indivíduo
deprimido tem, por isso, recomenda que o tratamento espiritual e o apoio
familiar sejam essenciais para a recuperação da pessoa com
depressão para evitar as emoções negativas e angústias
que levam a problemas do coração e acidente vascular cerebral
(AVC).

 

Terapêutica Cognitivo-Comportamental

A psicóloga Juliane Peres mostrou que cognição
é como enxergamos o mundo, as coisas e como compreendemos tudo
e que o modelo cognitivo – pensamento automático –
emoção – resposta fisiológica – comportamento.
Apresentou exemplos de pensamentos de pessoas normais em comparação
com pessoas depressivas.

Mas, a grande preocupação da palestrante
foi mostrar como deve ser a intervenção terapêutica
cognitiva comportamental sob o olhar de um médico-espírita:
deve-se corrigir o pensamento do paciente, monitorar as atividades que
dêem mais prazer, ensinar a rechaçar pensamentos negativos
automáticos e promover a sensação de felicidade,
que é composta de três partes: prazer, engajamento na vida
e, por conseguinte, um sentido para a vida. E o melhor modo de fazer isso
é através da religião. O modelo cognitivo deve levar
o paciente depressivo para o lado positivo da vida.

 

Atualidades no Cuidado com o paciente
Atendimento a Pacientes e familiares em psico-oncologia

As médicas Lígia Maria Pompeu e Sônia
Simões apresentaram técnicas de atendimento aos pacientes
com câncer, atuantes em quatro frentes:1) espiritual – tratamento
no centro espírita, com passes e água fluida.
2) psicoterapia – os pacientes e familiares passam por seções
de psicoterapia, individualmente e em grupo.
3) médico – além do acompanhamento com oncologista,
pode ser feito outras intervenções, com homeopatia e acupuntura.
4) complementares – floral, reiki e atendimento domiciliar a esses
pacientes.

 

A Obstetrícia na nova Revelação
– Caminhos do Renascer

As médicas Andréa Rufino
e Maria das Dores Teixeira mostraram que renascer não só
para o novo ser que volta a encarnar. Mas também à mulher
que aprende e passa a trilhar novos caminhos com a chegada desse novo
ser, redescobrindo-se e renascendo.
É importante conceituar que a medicina da alma atinge o campo energético
e espiritual. Médicos espíritas têm que acreditar
que o conjunto mente e corpo é importante, percebendo o paciente
assim, para poder presenciar o renascer espiritual.

“Os médicos não trabalham sozinhos.
Precisam da ajuda da paciente. Os médicos devem estar atentos para
perceber a inquietude na paciente. Médicos devem estar conectados
com o mais alto para receber ajuda espiritual desde o momento da anamnese”,
explicam.

Alguns momentos são cruciais para acionar na
paciente a espiritualidade: iniciação sexual, no desenvolvimento
da sexualidade, no pré-natal e no planejamento familiar.

É preciso sempre lembrar que o sexo pode gerar
uma energia espiritual criativa e potente, capaz de construir e transformar-se
em amor. Por isso mesmo o sexo não deve e não pode ser banalizado.
É preciso uma iniciação sexual responsável.
Essa visão é essencial para as adolescentes.

Na gestação, a mãe deve saber que
é muito importante sua relação com o feto, pois para
estar grávida houve um acordo prévio resultado numa simbiose
profunda. A vida tem um significado e um valor inestimável. O pai
e a mãe têm uma responsabilidade muito grande, pois são
os primeiros educadores.
Um tema delicado é o aborto praticado; “as mulheres sentem
que romperam um acordo feito com o filho que renasceria e com Deus. Esse
sentimento acaba gerando distúrbios físicos e mentais. Para
ajudar uma paciente assim é preciso levá-la ao auto-perdão,
para depois buscar o perdão do filho que viria”.

 

O médico diante da morte

“As universidades não
ensinam a medicina corretamente. Para começar, iniciam o curso
com uma apresentação de cadáver, passando depois
a necropsia, dissecação de animais e por fim, o contato
com o paciente. Tudo isso sem saber se o universitário está
preparado”, essa a conclusão do Dr. Ricardo Sallum, que apresentou
a visão do médico-espírita diante da morte.

E como se portar frente ao paciente terminal? O médico
deve falar sempre a verdade, estabelecer uma conexão alma a alma,
ouvir seu paciente sempre, até o fim, estar com ele nos momentos
finais, enfim, estar presente.

“É necessário mudar o conceito de
morte, pois atualmente a morte significa a perda da guerra, significa
que o médico fez algo de errado e não conseguiu manter o
paciente vivo”, conclui.

 

Atendendo a pessoa gravemente enferma

O médico José Roberto
Pereira dos Santos, que há 20 anos trabalha em UTI, apresentou
como deve ser a conduta do médico espírita junto aos pacientes?
Para ele, há a necessidade de profissionais médicos espíritas
nos ambientes das UTIs do Brasil – faltam profissionais qualificados.

Mas, por que trabalhar em uma Unidade de Terapia Intensiva?
“Por vocação. Por princípios da bioética,
deve-se observar: autonomia (está acima dos outros princípios),
beneficência (conversar com o paciente, ouvir suas angústias),
justiça e não maleficência (o médico não
pode causar ou desejar o mal do paciente). Deve-se ter respeito à
autonomia do paciente, explicar a ele tudo o que acontece, mantê-lo
informado sobre seu estado e sobre os tratamentos. Isso mesmo que o paciente
esteja em coma”.

 

Crescimento espiritual do médico

A médica Ana Catarina Tavares
Loureiro defendeu que ser espírita é mais importante do
que ser médico. O espírita médico é uma escolha
profissional é uma condição encarnatória.
Ser espírita é mais importante. O homem poderia ser um mal
médico se não fosse espírita.

“A morte é a única certeza que todos
nós temos, mas que mesmo assim é vista como uma derrota
dos médicos. Ela deve ser encarada de forma natural – não
deve ser antecipada nem prolongada com sofrimento. A vida tem sua finitude”,
conclui.

Ressaltou a importância da medicina nos cuidados
do paciente até o fim. O médico tem que saber que deverá
cuidar do paciente até o fim. Ele vai curar algumas vezes, aliviar
mais vezes e consolar sempre, pois os médicos espíritas
devem ser mensageiros do amor divino.

 

DIA 28 DE MAIO DE 2005

A Espiritualidade nos processos terapêuticos

Para discutir a psicologia transpessoal
e o espiritismo, a Dra.Kátia Marabuco, Prof. Dra. adjunta de Cirurgia
da Universidade Federal do Piauí, explicou que durante dos dez
anos da AME, se vem buscado o elo de ligação na ciência
entre o corpo espiritual e o físico, e apresentou a contribuição
do espiritismo nas escolhas das abordagens terapêuticas (o trabalho
compartilhado entre as equipes médicas e espirituais na sintonia
utilizada por eles nos tratamentos clínicos), que irá de
encontro com as necessidades do paciente.

“Se o paciente precisa passar pelas dificuldades
para fazer algum resgate e crescer espiritualmente, o médico não
pode interferir, seja com regressões de memória ou terapia.
O trabalho de psicologia transpessoal inclui a energização
dos organismos e do espírito (prece, mediação, oração,
prece, meditação, isolação, dança e
música)”, explicou.

Outro ponto defendido pela especialista é a atualização
e evangelização do terapeuta. Segundo ela, eles devem se
“terapeutizar” para que não ponha em risco a vida e
o equilíbrio do paciente. “Os terapeutas devem ter respeito
ao programa reencarnatório, não podem interferir, e os médicos
espíritas não devem ter medo de chorar diante da dor do
paciente. Ser médico espírita é ser médico
de homens e de almas”, afirma Dra. Kátia.

 

A Espiritualidade no tratamento psiquiátrico

De acordo com pesquisas apresentadas
durante a palestra do Dr. Roberto Lúcio Vieira de Souza –
vice-presidente da Associação Médico Espírita
do Brasil (AME), a orientação mediúnica nos hospitais
psiquiátricos tem auxiliado nos procedimentos clínicos.
No Hospital Espírita André Luiz de Belo Horizonte (MG),
por exemplo, 180 voluntários participaram de atendimento espiritual
paralelo aos métodos tradicionais.

Após o passe mediúnico, os médiuns
explicam o que viram e sentiram de cada paciente e transmite aos especialistas,
os melhores tratamentos que incluem evangelho no lar, água fluidificada,
desobssessão, amparo fraterno, prece e leitura específica,
atividade em centros espíritas ou nas comunidades religiosos.

Dr. Roberto destacou que nesses trabalhos foram evidenciados
dois fatores importantes para o corpo clínico: a relação
marcante de depressão em pessoas que passaram por situações
de abortos durante a vida passada (seja cometendo o ato, obrigando alguém
a fazê-lo ou profissionais que executavam) e que histórias
recentes de alcoolismo e consumo de drogas são resgates (normalmente
já sofreram do problema em outras vidas e não conseguem
abandonar o vício).

 

A ajuda espiritual para o médico e o paciente

“O médico tem de ter uma
boa estrutura psíquica para ajudar os pacientes”. Com esse
mote, o mestre em Neurociência pela Universidade São Paulo
e Diretor do Pineal Mind Instituto de Saúde, Dr. Sérgio
Felipe de Oliveira, iniciou sua palestra. Ele afirma que a transferência
e contra transferência, durante um tratamento clínico e terapêutico,
é um processo delicado, já que os médicos devem tomar
cuidado para não fazer julgamentos morais. Como exemplo, ele citou
um médico que assiste a um óbito na sala de cirurgia; muitas
vezes ele se acha responsável pela morte do paciente, o que não
é verdade. Ele abstrai a informação de que o paciente
teve o respaldo espiritual para que isso fosse possível.

Dr. Sérgio foi bastante incisivo com a importância
da estrutura do especialista que decide ajudar o paciente de maneira clínica
e espiritual e embasou suas afirmações nas histórias
de vida de ícones como Freud e Santo Agostinho.

Ele alerta: os médicos-espíritas não
podem trabalhar apenas com informações espirituais, e sim
uni-las as clínicas, ajudando no melhor tratamento ao paciente.
“Para encontrar a verdade na natureza, você deve encontrar
a verdade dento de você. Se não conseguir, é porque
não está com estrutura para encontrá-la na natureza”,
explica Dr. Sérgio Felipe.

 

O estudo das memórias traumáticas
na visão espiritual

Com início nos anos 70, a neurociência
converge em pesquisas científicas e clínicas para compreensão
do funcionamento integral do Sistema Nervoso Central. Para explicar essa
abordagem, Dr. Julio Peres, doutor em neurociência e comportamento
pela Universidade de São Paulo, apresentou sua palestra sobre os
“Estudos Fronteiriços em neuro-imagem sobre os estados alterados
de consciência”.

Entre os temas apresentados pelo especialista, está
o conceito sobre os locais do cérebro utilizados na utilização
das memórias traumáticas, a prece, hipnose e a meditação
no cérebro humano. Ele explica que, o jeito que interpretamos o
mundo é que desperta nossa parte sensorial e para ilustrar ele
mostrou imagens em ressonância de casos que foram avaliados em estado
de prece e na hipnose.

Quanto às memórias traumáticas,
os estudos apontam que eles ficam na parte de trás do cérebro,
são partes fragmentadas, que fazem parte de um todo e que devem
ser estudadas dessa maneira pelos médicos. Segundo ele, essas memórias
estão ligadas a tendência de comportamento, posição
crítica e de julgamento, o que se relaciona diretamente com os
problemas psiquiátricos.

 

Brasil apresenta estudos sobre Medicina e Espiritualidade

A palestra apresentada pelo Dr. Harold
Koenig apontou inúmeras pesquisas feitas no campo da ciência
com relação à espiritualidade. Dr. Alexander Moreira,
doutor em psiquiatria pela USP e coordenador do NEPER (núcleo de
estudos de problemas espirituais e religiosos do Instituto de Psiquiatria
do Hospital das Clínicas de SP), mostrou os estudos feitos no Brasil
sobre o assunto.

De acordo com o Censo de 2000 do IBGE, cerca de 90%
dos brasileiros seguem alguma religião. Alguns estudiosos ainda
não aceitam a união da espiritualidade na medicina e levantam
questões como problemas éticos ou falta de controle de qualidade
de confusão. Mas, segundo Dr. Alexander, as pesquisas são
consistentes e com embasamentos científicos.

Entre elas pode se destacar: uma pesquisa feita com
100 pacientes de câncer. Cerca de 89% utilizavam terapia alternativa,
mas não contavam ao médico que 77% utilizavam a prece, sendo
que todos que oravam, tinham uma melhora significativa.

O estudo desenvolvido pelo Dr. Alexander Moreira, com
115 médiuns, mostrou que a espiritualidade tem um público
culto, diferente do que acreditam alguns cientistas. Os números
mostram que 76% são mulheres, 46% nível superior ou doutorado
e apenas 2,7% estão desempregados. A conclusão do estudo
mostra: “Os médiuns estudados evidenciaram alto nível
sócio-educacional, baixa prevalência de transtornos psiquiátricos
menores e razoável adequação social. A mediunidade
provavelmente se constitui numa vivência diferente do transtorno
de identidade dissociativa. A maioria teve o início de suas manifestações
mediúnicas na infância, e estas, atualmente, se caracterizam
por vivências de influência ou alucinatórias, que não
necessariamente implicam num diagnóstico de esquizofrenia”.

 

A visão espírita sobre a dor

“A dor não está
relacionada com o sofrimento humano”. Com essa afirmação,
Dr. Mario Peres, neurologista, doutorado na área de cefaléia
e pós – doutorado na Philadelphia (EUA), falou sobre a Espiritualidade
e a Dor, dando um maior foco em cefaléia e enxaqueca.

Dr. Mário afirma que a dor é uma percepção
e funciona baseada nos fatores desencadeantes do meio ambiente e suscetibilidade
do indivíduo. A espiritualidade pode auxiliar no entendimento da
dor, pois a dor deve ser vista como sinalizador e não uma punição,
um ganho evolutivo, um mecanismo de defesa do organismo e uma adaptação
do indivíduo no meio social. Sinaliza estresse, sedentarismo, a
ingestão de substâncias tóxicas, sono inadequado,
alimentação, ela reflete a falta de equilíbrio do
corpo humano, mostrando ao individuo que alguma coisa precisa ser ajustada.

A espiritualidade auxilia principalmente nos desencadeantes
da dor, na aceitação do passado, na despreocupação
do futuro e a melhor convivência do presente, ajudando a medicina
no melhor funcionamento do relógio biológico do corpo que
é o cérebro.
“Deus promete a vida eterna e não a cura da dor, que é
necessária para a humildade no ser humano”, afirma Dr. Mario
Peres.

 

Os idosos incluem a Espiritualidade no dia a
dia

Pesquisas apontam que no ano de 2025,
o Brasil será a sexta nação mais idosa do mundo elevando
a média de idade de 68 para 71 anos. Com base nessas estatísticas,
Dr. Fabio Nasri, explicou sobre espiritualidade e envelhecer, ressaltando
o conceito de envelhecer bem e o papel do geriatra na vida do idoso e
como o especialista deve lidar com a despedida, por isso a discussão
da espiritualidade é muito importante.

Ele afirma que o conceito de envelhecer bem era: ter
a vida socialmente ativa, cuidar do corpo e da mente e diminuir do risco
de doenças. Atualmente, a esse conceito inclui praticar espiritualidade.

Dr. Fábio apresentou que muitos idosos passam
aos religiosos por medo da morte, mas o melhor para a evolução
espiritual é crescer numa família que mantém a cultura
religiosa.

 

Fundamento da Bioética e Espiritualidade

A Dra. Marlene Nobre abordou as questões
da eutanásia, aborto (intencional e do anencéfalo), pesquisas
com células-tronco adultas e embrionárias.

O médico espírita tem que confiar em Deus e lutar para divulgar
seus conhecimentos e crenças, mostrando que não se deve
pensar de forma materialista na medicina, quando se trata de definir se
novas vidas surgirão ou não.

 

Células Tronco e Pesquisas

O professor Dr. Francisco Cajazeiras enfatizou que o
mais importante para esclarecer a opinião publica é que
as células-tronco não são a cura definitiva e rápida,
não existe mágica em medicina. É preciso muito cuidado
e conhecimento com testes e pesquisas e animais para depois testar em
pessoas.

Células-tronco são células altamente replicáveis,
capazes de tomar forma de células de vários lugares do organismo.

As pesquisas e apostas devem ser feitas com células-tronco
adultas – que podem ser encontradas no organismo em alguns órgãos,
dentes de leite e no cordão umbilical.
Avanços nas pesquisas, no Brasil – desde 2001, com células-tronco
adultas nos casos de leucemia, AVC (acidente vascular cerebral) e cardiopatias.

Porque que não se deve apostar nas células
tronco embrionárias?
Porque, para o médico, concepção é igual à
fecundação, que é igual à fertilização,
então, no momento em que o espermatozóide entra no óvulo,
acontece a união do espírito com o corpo que começa
a ser formado. Há um ser ligado naquelas células, e este
não pode participar de pesquisas.

 

Aborto do Anencéfalo

A Dra Irvênia Santis de Prada
apresentou as definições das estruturas cerebrais. O aborto
do anencéfalo não pode ser praticado, pois há vida
naquele corpo, mesmo que danificado. As porções importantes
do cérebro estão funcionando do anencéfalo. A criança
anencéfala não andará e não falará,
mas pode ficar viva.

 

Distanásia

O médico Carlos Roberto de Souza
fez a diferenciação entre dor (causadora do sofrimento)
e sofrimento (resultado da impotência). A dor psíquica chega
quando o indivíduo está frente a frente com a morte. A dor
social leva o indivíduo ao isolamento. A distanásia é
a morte por suspensão de medicação, quando o paciente
está em estado terminal, lançando mão de recursos
que evitariam o sofrimento do paciente.

O médico precisa saber viver sem ceder para a
eutanásia e a distanásia, dando maior atenção
deve ser dada ao paciente e a seus familiares, do que a doença
em si.

Os médicos espíritas são a favor
da ortoeutanásia, que é a eutanásia correta, uma
morte sem dor. Significa dar condições de vida para que
o paciente morra em paz, de preferência, junto com seus familiares.

 

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Sobre aricarrasco

sou simples mas co objetivos e convicções definidos.
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