Estudo Sobre Mediunidade

O texto que segue é todo retirado da obra: Médiuns e Mediunidade, do Espírito Vianna de Carvalho, por Divaldo Pereira Filho.
Na forma de transcrição dos aspectos considerados mais relevantes, destina-se ao estudo em grupo, onde se possa obter uma compreensão mais rica de uma obra de grande valor. Reforçamos a necessidade de estudo mais amplo do assunto, pela leitura da obra completa e de outras obras, em especial O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec.

MEDIUNIDADE
"A mediunidade é sempre uma percepção moralmente neutra, sendo os efeitos do seu exercício compatíveis com os valores éticos e morais daqueles que a detém." (p. 9)
"A mediunidade não é sinal de santificação, nem apresenta características divinatória. Constitui, apenas, um meio de entrar em contato com as almas que viveram na terra, sendo os médiuns, por isso mesmo, mais responsáveis que as demais pessoas, por possuírem a prova da sobrevivência que chega a todos por seu intermédio." (p. 9)
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RELIGIÃO:
"O homem, este sim, deve ser a meta de todas as crenças religiosas, trabalhando-lhe o caráter, iluminando-lhe a consciência, dulcificando-lhe os sentimentos, de forma a fazê-lo descobrir os valores da vida ou utilizá-los com nobreza, se já os encontrou." (p.11)
"Cabe a cada religião buscar unir as criaturas nos seus elementos essenciais, abrindo espaço para que se alojem nos seus arraiais aqueles que se afinam com os seus postulados, sem discriminar quem, para encontrar Deus, pensa de maneira diferente." (p. 11)
"A religião espírita, que respeita todas as demais doutrinas, espiritualistas ou não, possui os valores para restabelecer no homem o clima de confiança e paz que necessita, favorecendo-o com as estruturas para a libertação da dor e a aquisição da plenitude.
Sua filosofia existencial, dignificadora, promove as aspirações íntimas, ensejando o ajustamento da conduta aos ensinamentos Cristãos, nos quais apoia a sua estrutura ético-moral.
Isso porque se firma na experiência do fato, que brinda com a certeza inabalável da sobrevivência à morte, assim como da preexistência ao berço, em racional encadeamento que enseja a compreensão de quem se é, qual a meta pela frente a conquistar por quem sofre.
Sem dogmatismo ou ritualística, é a religião cósmica do amor, aguardando a humanidade de hoje e dos tempos futuros para conduzi-las a Deus." (p.15)
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EVOCAÇÃO DOS ESPÍRITOS:

"Ideal que nas experiências mediúnicas se aguardem as manifestações espontâneas, mais naturais, não constritoras, aprendendo-se as técnicas de identificação, bem como assenhorando-se dos delicados processos de comunhão espiritual, pondo-se a salvo de ciladas e obsessões evitáveis que a imprudência e a precipitação normalmente propiciam.
Podem-se evocar os espíritos, sabendo-se, inicialmente, que nem todos têm condição de atender aos chamados, em se considerando o estado emocional e evolutivo em que se encontram, as disponibilidades de tempo e ocupação, as afinidades com os médiuns e outras condições sutis, igualmente importantes.
A presunção humana, que pensa tudo saber, torna-se grande impedimento na área das evocações sérias, abrindo campo vibratório para os intercursos vulgares e decepcionantes.
Bem agem aqueles que, interessados na aprendizagem, diante do intercâmbio espiritual, aguardam que ocorram os de natureza espontânea, podendo analisá-los e retirar deles as lições proveitosas, consoladoras, necessárias à fé racional e ao equilíbrio da paz interior.
A mediunidade colocada a serviço do bem, nas tarefas socorristas, faz-se instrumento dócil às comunicações naturais, enriquecidas de sabedoria, sob a orientação dos guias espirituais que selecionarão aqueles que se devem comunicar, contribuindo para o próprio como para o progresso moral do médium e dos assistentes, pois que esta é a finalidade elevada do labor mediúnico, e não para atendimento de frivolidades, paixões ou mesmo questões sérias, porém inoportunas." (p.27)
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SER MÉDIUM:

"A mediunidade é registro paranormal que se encontra incito na criatura humana, à semelhança da inteligência, da razão.
Todo o indivíduo que, conscientemente ou não, capta a presença de seres espirituais é portador de mediunidade, cabendo-lhe a tarefa de desdobrar recursos parafísicos, através de conveniente educação, graças à qual se tornará instrumento responsável para o ministério superior a que a mesma se destina."(p. 37)
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"Espontânea (a mediunidade), surge em qualquer idade, posição social, denominação religiosa ou ceptismo no qual se encontre o indivíduo." (p. 37)
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"Assim como o mergulhador educa a respiração para descer nas águas profundas onde espera encontrar ostras raras, portadoras de pérolas incomuns, o médium tem o dever de disciplinar a mente, a fim de aprofundar-se no oceano íntimo e dali arrancar as preciosidades que se encontram engastadas na concha bivalve das aspirações morais e espirituais.
Às vezes, quando do aparecimento da mediunidade, surgem distúrbios vários, sejam na área orgânica, através de desequilíbrios e doenças, ou mediante inquietações emocionais e psiquiátricas, por debilidade da sua constituição fisiopsicológica.
Não é a mediunidade que gera o distúrbio no organismo, mas a ação fluídica dos espíritos que favorece a distonia ou não, de acordo com a qualidade de que este se reveste.
Por outro lado, quando a ação espiritual é salutar, uma aura de paz e de bem-estar envolve o medianeiro, auxiliando-o na preservação das forças que o nutrem e sustentam durante a existência física.
A educação ou desdobramento mediúnico objetiva ampliar o campo de realização paranormal, porquanto, através dos recursos próprios, tem a especial finalidade de instruir os homens, realizar a iluminação de consciências, facultar o ministério da caridade, pelas possibilidades que proporciona aos desencarnados em aflição de terem lenidos os sofrimentos, as mágoas, a ignorância…"(p. 38)
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"A mediunidade, em si mesma, não é boa nem má, antes apresenta-se em caráter de neutralidade, ensejando ao homem utilizá-la conforme lhe aprouver, desse uso derivando os resultados que acompanharão o medianeiro até o momento final da sua etapa evolutiva no corpo." (p. 39)
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"A mediunidade funciona como um refletor das imagens da vida espiritual. Quanto melhores as condições do aparelho, tanto mais fiéis as impressões transmitidas. O oposto igualmente ocorre, proporcionando distorções e incorreções correspondentes.
"A fonte emissora projeta as vibrações com limpidez, que o médium capta, e, conforme as suas capacidades moral, cultural e emocional, traduz.
O pensamento do comunicante é captado pelo médium através da lei da afinidade fluídica e passa por estágios diferentes.
De início, a captação sensorial, na qual a mente registra a idéia e as sensações do espírito, passando-a pelo campo da memória, que fornece as palavras para vestir as informações e externá-las. Em seguida, o estágio mnésico, em que ao médium cumpre entender – em estado ou não de consciência, de lucidez espiritual – o sentido da idéia captada, a fim de transmitir, na fase intelectual, com o próprio ou o vocabulário do agente desencarnado, escrevendo – psicografia – ou falando – psicofonia – com a clareza e fidelidade necessárias." (p. 42)
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"A harmonia de pensamentos e vibrações faz-se indispensável para a fidelidade das comunicações espirituais." (p. 42)
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"As comunicações espirituais não são uma ocorrência fácil como pode parecer ao observador descuidado, exceto nos casos obsessivos, em razão da predominância da mente perturbadora sobre a vencida, por efeito de sintonia natural e cármica entre os afins…
Os fenômenos mediúnicos, qual ocorre com os demais, são regidos por leis severas que se não submetem aos caprichos ou às circunstâncias vigentes, nos lugares onde se desejam obtê-los.
À equipe mediúnica e ao instrumento cabem responsabilidades que devem ser cumpridas, a favor do êxito que se pretenda.
Por outro lado, a organização neuropsíquica do médium aciona amplos equipamentos que se devem ajustar, produzindo uma aura de harmonia, como efeito de vários fatores, assim favorecendo ao desencarnado os recursos para equilibrada comunicação.
A glândula pineal, por exemplo, que responde pelos mecanismos da meditação e da reflexão, do pensamento e do discernimento, é altamente responsável pelas comunicações mediúnicas, em se considerando a sua função nos mais diferentes fenômenos psíquicos.
Assim, pois, todo um contingente de recursos e valores se somam para que os fenômenos mediúnicos, na Terra, tenham lugar com elevação e critério a benefício dos espíritos e dos homens." (p. 42/43)
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"Variando de nomenclatura, a Bíblia chamava intermediários dos espíritos os profetas, enquanto, na Índia, eles eram tidos como pitris, no Japão, kamis, na Pérsia, ferouers. Os hebreus ainda os denominavam elohins, os gregos manes e os romanos penates.
Foi Allan Kardec aquele que propôs a palavra médiuns, por mais consentânea com a função a que se dedicam." (p. 45)
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"A mediunidade é uma faculdade inerente ao homem, com objetivos elevados. O seu uso determina-lhe a destinação ao bem, com renúncia e desinteresse pessoal do médium, ou se transforma em motivo de preocupação, sofrimento e perturbação para ele mesmo e aqueles que o cercam.
….os médiuns devem exercê-la com devotamento e modéstia, objetivando a divulgação da verdade.
Não se trata de um compromisso vulgar para exibicionismo barato ou promoção pessoal, porém, para, através do intercâmbio com os espíritos nobres, serem as criaturas arrancadas do lamaçal dos vícios, ao invés de se tornarem campo para as paixões vis." (p. 47)
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OBJETIVO DA MEDIUNIDADE:

"Qual ocorre com qualquer faculdade orgânica ou intelecto-moral, a mediunidade, desvestida de mitos e tabus, exige cuidados especiais e competente educação…" (p. 49)
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"….a fim de que possa atingir os objetivos nobres para os quais existe, merece e necessita de atenções contínuas, desde a conduta moral do homem que a possui, como dos recursos que lhe devem ser aplicados, no que diz respeito ao estudo do seu mecanismo, tanto quanto da sua educação e flexibilidade." (p. 49)
"Certamente, pode apresentar-se espontânea e generalizadas em pessoas boas ou más, cultas ou ignorantes, por ser, também, de natureza orgânica, todavia, para tornar-se digna de crédito e respeito, faz-se credora de compreensível educação, graças à qual se lhe desdobram as possibilidades que dormem inatas aguardando ensejo para manifestarem-se.
A mediunidade é um compromisso grave para o indivíduo, que responderá à consciência pelo uso que lhe conferir, como sucede com as faculdades morais que o credenciam à felicidade ou à desdita, como decorrência da aplicação dos seu valores." (p. 50)
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"A pressa pela divulgação pessoal, em detrimento do zelo pelo conteúdo das mensagens, vem transformando núcleos de atividade mediúnica em palcos de exibição, em veículos para atendimento de interesses escusos, de simonia, de frivolidade….
Os espíritos nobres não se submetem aos caprichos dos médiuns e das pessoas frívolas interessadas nos jogos vazios do personalismo perturbador, cedendo lugar aos vulgares e irresponsáveis quais os próprios medianeiros, realizando fenômenos de sintonia que os candidatam a obsessões sutis a princípio, a caminho de lamentáveis processos irreversíveis e dolorosos…
Nenhum médium é, em conseqüência, perfeito e irretocável, isento da influenciação dos maus espíritos como dos perturbadores, que povoam a erraticidade e lhes constituem provas ao orgulho e à vaidade, demonstrando a fragilidade humana, que é inerente à qualidade do ser falível em processo de evolução na Terra." (p. 50/51)
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"A educação das forças mediúnicas é de demorado curso, porquanto, à medida que a sensibilidade se apura, mais se amplia a capacidade de registro e de percepção extrafísica." (p. 51)
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OBSTÁCULOS À MEDIUNIDADE NOBRE:

"O exercício da mediunidade, graças ao qual são desdobrados os recursos para uma correta aplicação a serviço da edificação do bem, encontra graves obstáculos que se podem configurar como verdadeiros perigos desafiadores.
Não é, porém, a mediunidade responsável por eles e sim o seu portador, quando leviano.
Antes, faz-se necessário considerar que o médium, na condição de espírito encarnado, é condutor de problemas e dívidas que o acompanham desde experiências anteriores e que lhe cabe enfrentar para resolver e superar. Natural, portanto, que se veja a braços com os sofrimentos e testemunhos comuns a todas as demais criaturas, passando pelos mesmos campos de aprendizagem e prova, mediante os quais se equipara para tentames mais elevados.
Assim, adiciona, às suas necessidades, às necessidades evolutivas, os esforços resultantes da educação das suas forças medianímicas, que também lhe abrem as portas da percepção para a vida superior.
Na fase inicial – e convém considerar que os perigos não cessam nunca – um dos maiores escolhos à boa prática mediúnica é a insistência dos espíritos levianos e maus por comunicarem-se, roubando tempo útil para o progresso, ou intoxicando o sensitivo com fluídos deletérios, ou distraindo-o com mensagens apócrifas, mentirosas, laudatórias, perturbadoras, com caráter de profecia apavorante, muito do agrado da frivolidade como do orgulho dos incautos. Inculcando idéias irreais sobre falsas missões, eles induzem o intermediário presunçoso à obsessão por fascinação, que o leva a lamentáveis estados de desequilíbrio, de que não se dá conta, culminando em dolorosas subjugações de curso demorado, quando não irreversíveis…."(p. 57/58)
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"Precatem-se as pessoas honestas dessa como de outras ciladas que as podem colher, meditando e analisando as mensagens que lhe cheguem. Tudo quanto induza à vaidade ou à projeção nos palcos do mundo seja recebido com a devida reserva, sem pressa alguma de querer "salvar a humanidade"." (p. 58)
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EDUCAÇÃO DAS FORÇAS MEDIÚNICAS:

"Identificados pelo sensitivo os sintomas que lhe caracterizam a faculdade mediúnica, a ele cumpre o dever de educá-la.
Somente o médium é capaz de qualificar-se nessa condição.
Nenhum sinal externo pode chamar a atenção do observador, a fim de apontar as pessoas que sejam possuidoras de mediunidade." (p. 61)
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"A mediunidade, propiciando a interferência dos desencarnados na vida humana, a princípio gera estados peculiares na área da emotividade como nos estados fisiológicos. Porque mais facilmente se registram as presenças de seres negativos ou perniciosos, a irradiação das suas energias produz esses estados anômalos, desagradáveis, que podem ser confundidos com problemas patológicos outros." (p. 61)
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"Constatado que esses distúrbios, como também as ocorrências de estesia íntima, não procedem da emotividade ampliada e jubilosa, de sucesso normal, a educação das forças mediúnicas faz-se inadiável." (p. 62)
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"O exercício correto da mediunidade nenhum perigo oferece a quem quer que seja." (p. 62)
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"Não existem regras fixas nem programas simples para uma orientação de resultados rápidos
O estudo da própria faculdade com o competente conhecimento do espiritismo são as bases essenciais e indispensáveis para uma orientação segura e sem qualquer prejuízo." (p. 62)
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"Cada dia, o médium defrontará sensações novas e viverá emoções que lhe cabe anotar, de modo a treinar o controle pessoal, estabelecendo a linha demarcatória entre a sua e as personalidades que o utilizam psiquicamente.
A atividade na área da caridade ilumina-o e a oração fortalece-o, resguardando-o das influências prejudiciais, que pululam em toda a parte, por serem resultado da conduta moral dos homens em estado de desencarnados.
O cultivo do silêncio interior e do recolhimento favorece a educação mediúnica, por aguçar as percepções parafísicas, ensejando mais amplas possibilidades de intercâmbio espiritual.
Contudo, a sucessão do tempo é que adestrará o médium para bem servir, equipando-o com os recursos hábeis para tornar-se um bom e dúctil instrumento, usado pelos bons espíritos, que dele se acercam e se interessam em conduzi-lo no cumprimento dos deveres a que se vincula.
Em todo e qualquer fenômeno mediúnico, o intercâmbio dá-se através do perispírito do encarnado, que favorece a imantação psíquica do agente, nele plasmando as suas características, que facultarão a perfeita identificação, culminando, às vezes, em admiráveis fenômenos de transfiguração.
A lei dos fluidos, isto é, a identificação fluídica entre o médium e o espírito, constitui fator relevante para uma comunicação harmônica, pois que, se os mesmos são contrários ou se exteriorizam em faixas vibratórias diversas, mui dificilmente se podem esperar resultados positivos.
A meta da caridade, em sua essência, deve constituir o campo de trabalho do médium, no qual se burila e aprimora, iluminando consciências e socorrendo os que sofrem, em um como no outro lado da vida, carentes e ansiosos por alento, paz e libertação." (p. 62/63)
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"Não sendo irrepreensível médium nenhum, a vigilância há de constituir-lhe norma de segurança…." (p. 64)
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MISTIFICAÇÕES NA MEDIUNIDADE:

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"Face à sintonia psíquica responsável pela atração daqueles que se comunicam, a questão da moralidade do médium é de relevante importância, preponderando, inclusive, sobre os requisitos culturais…" (p. 65)
"Embora os cuidados que o exercício da mediunidade exige, nenhum sensitivo está isento de ser veículo de burla, de mistificação…." (P. 65)
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"Eis por que o médium se deve preservar dos abusos, não exorbitando das energias que lhe permitem a ação da faculdade, porquanto esta, à semelhança de outra qualquer, sofre as alternâncias do cansaço e do repouso, da boa ou da má utilização." (p. 66)
"A prática mediúnica impõe, como condições ético-morais, o idealismo e a dedicação desinteressada de quaisquer recompensas, pois que o mercantilismo e a simonia transformam-na em campo de exploração perniciosa. Não se beneficiando com as retribuições que são encaminhadas aos médiuns, os espíritos nobres os deixam à própria sorte, sendo assim substituídos pelos interesseiros e vãos, que passam ao comércio das forças psíquicas em processo de vampirismo cruel, terminando por apropriar-se da casa mental do irresponsável, em conúbio danoso. Outras vezes, sentindo se obrigado a atender o consulente que lhe compra o horário, o sensitivo assume a responsabilidade da mensagem, mistificando em consciência, na crença de que ao outro está enganando, sem dar-se conta das conseqüências funestas que o gesto lhe acarreta e que se apresentarão no momento próprio.
A venda, porém, da mediunidade, não se dá, exclusivamente, mediante a moeda de contado, mas, também, através dos presentes de alto preço, da bajulação chula, do destaque vão com que se busca distinguir os médiuns, exaltando-lhes o orgulho e a vacuidade.
É austera e irretocável a recomendação de Jesus quanto ao "dar de graça o que de graça se recebe"…"
A mistificação mediúnica de qualquer natureza tem muito a ver com o caráter moral do médium, que, consciente ou não, é responsável pelas ocorrências normais ou paranormais da sua existência." (p. 66/67)
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A prática mediúnica dispensa todo e qualquer rito, indumentária, práxis, condição para estribar-se em valores metafísicos que as formas exteriores não podem alcançar." (p. 67)
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"A mistificação é um dos graves escolhos à mediunidade, todavia, fácil de se evitar, como de se identificar." (p. 67)
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OBSESSÃO NA MEDIUNIDADE:

"Somente ocorre a parasitose obsessiva quando existe o devedor que se lhe torna maleável, na área da consciência culpada, que sente necessidade de recuperação.
Conservando a matriz da inferioridade moral no cerne do ser, o espírito devedor faculta a vinculação psíquica da sua antiga vítima, que se lhe torna, então, cruel cobrador, passando à posição de verdugo alucinado.
Estabelecida a sintonia, o vingador ensandecido passa a administrar, por usurpação, as energias que absorve e lhe sustentam o campo vibratório no qual se movimenta.
A obsessão é obstáculo à correta educação da mediunidade e ao seu exercício edificante, face à instabilidade e insegurança de que se faz portadora." (p. 73)
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"A desorientação mediúnica, em razão de uma prática irregular, faculta obsessões por fascinação e subjugação a longo prazo, de recuperação difícil, quando não irreversível." (p. 74)
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"Não é, porém, a mediunidade que responde pela eclosão do fenômeno obsessivo. Aliás, através do cultivo correto das faculdades mediúnicas é que se dispõe de um dos antídotos eficazes para esse flagelo, porquanto por meio delas se manifestam os perseguidores desencarnados, que se desvelam e vêm esgrimar as falsas razões nas quais se apoiam, buscando justificar a insânia.
Será, todavia, a transformação pessoal e moral do paciente que lhe concederá a recuperação da saúde mental, libertando-o do cobrador desnaturado.
O processo de reequilíbrio, porém, é lento, exigindo altas doses de paciência e de amor por parte do enfermo, como daqueles que lhe compartilham a experiência afetiva, social e familiar." (p. 74)
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"Seja, porém, qual for o processo através de cujo mecanismo se apresente, a obsessão resulta da identificação moral de litigantes que se encontram na mesma faixa vibratória, necessitando de reeducação, amor e elevação." (p. 75)
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"Nenhum médium, todavia, ou melhor dizendo, pessoa alguma está indene a padecer de agressões obsessivas, cabendo a todos a manutenção dos hábitos salutares, da vigilância moral e da oração mediante as ações enobrecidas, graças aos quais se adquirem resistências e defesas para o enfrentamento com as mentes doentias e perversas que pululam na erraticidade inferior e se opõem ao progresso do homem, portanto, da humanidade." (p. 75)
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"Mesmo Jesus, o Médium Superior e Irretocável, viu-se a braços com obsessores, obsidiados e tentações promovidas por mentes perversas do além-túmulo, para os quais a Sua foi sempre a atitude de amor, energia e caridade, encaminhando-os ao Pai, de Quem procedem todas as mercês e dádivas." (p. 75)
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MÉDIUNS EM DESCONSERTO:

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"A lei de afinidades e de semelhanças funciona com automatismo, atraindo para a órbita da ação do medianeiro os espíritos que lhe são equivalentes em propósitos e aspirações, comportamento e interesse." (p. 78)
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"O complexo mecanismo da mediunidade exigem um tratamento cuidadoso que o sensitivo deve administrar com zelo e carinho especiais, de forma a estar em harmonia constante, porquanto a função mediúnica é permanente, não se restringindo a espaços adrede estabelecidos.
A vida mental enriquecida de imagens otimistas e de ressonâncias superiores, que se derivam da oração e da vivência saudável, funciona como lubrificante oportuno e indispensável na aparelhagem sensível e muito sofisticada da sua paranormalidade" (p. 78)
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MÉDIUNS-FENÔMENOS:

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"…o maior fenômeno, na mediunidade, é o da transformação moral do sensitivo, demonstrando pelo exemplo a excelência das mensagens intelectuais ou objetivas que ocorrem por seu intermédio.
Acima e mais importante do que fenômenos retumbantes na mediunidade, a ação da caridade em favor dos sofredores de ambos os planos da vida deve constituir uma das metas a conquistar, por todo aquele que empreenda a tarefa de consagrar-se ao intercâmbio mediúnico, de cujos frutos superiores se beneficiará, reparando os erros do pretérito e aplainando as estradas que deverá percorrer no futuro." (p. 83)
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MÉDIUNS IMPERFEITOS:

"…a incorreta utilização dos recursos mediúnicos entorpece os centros de registro e termina, quase sempre, por desarmonizar o psiquismo e a emoção, levando a patologias muito complexas.
Médiuns ciumentos, imorais, simoníacos, exibicionistas, mentirosos e portadores de outras imperfeições morais pululam em toda parte, descuidados e levianos, acreditando-se ignorados pelas leis soberanas e supondo-se detentores de forças próprias, podendo-as utilizar a bel-prazer sem qualquer responsabilidade nem conseqüência moral.
Mesmo estes, vez que outra, são visitados pelos mentores espirituais compadecidos, que deles se acercam para os auxiliar, intentando despertá-los para os deveres e compromissos que lhe dizem respeito."(p. 86)
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MÉDIUNS INSTÁVEIS:

"…Estão sempre em conflito a respeito da legitimidade das comunicações de que se vêem objetos, ou, em caso contrário, tombando em terrível fascinação, acreditam-se portadores de missões relevantes, impondo as idéias arbitrárias e heterodoxas de que se tornam irresponsáveis instrumentos.
Incapazes de preservarem o comportamento salutar, perturbam-se com facilidade e transitam pelas vias da instabilidade emocional, a um passo de lamentáveis obsessões ou desequilíbrios mentais outros." (p. 89/90)
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"Cabe às pessoas honestamente interessadas em exercer a mediunidade com segurança e seriedade uma introspecção, avaliando o recurso de que se encontram depositárias, assumindo com a própria consciência o dever de conduzir de voa mente o ministério, a ele se dedicando com a dignidade que lhe dará sustentação." (p. 91)
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MÉDIUNS EXIBICIONISTAS E PROBLEMÁTICOS:

"Disposição orgânica, a faculdade mediúnica deve ser canalizada para fins nobres, evitando-se transformá-la em motivo de espetáculo gerador de comoções passageiras.
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Independente da vontade do seu possuidor, funciona quando acionada pelos espíritos que a manipulam, sendo, portanto, credora de assistência moral, de modo a atrair agentes dignificadores interessados no progresso geral e no intercâmbio saudável com os homens." (p. 93)
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"O cuidado em torno dos comunicantes, que podem ter sido famosos na terra, porém destituídos de elevação moral, precata o médium das armadilhas perigosas da obsessão, sempre de fácil ocorrência.
"O exibicionismo constitui um dos mais perigosos inimigos do médium, que passa a ser dirigido pelos espíritos vaidosos e prepotentes…." (p. 94)
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"O fenômeno mediúnico experimenta periodicamente interrupção, e médium algum pode, com antecedência, afirmar que produzirá manifestações desta ou daquela natureza, pela simples razão de não ser ele o seu agente.
Quando ocorre semelhante aviso prévio, é de duvidar-se da qualidade moral dos comunicantes e do médium, tendo-se em vista o número de presunçosos, desocupados e mistificadores do além-túmulo, interessados em labores dessa natureza." (p. 95)
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"A faculdade mediúnica é concedida a determinados indivíduos, porque dela necessitam para o seu desenvolvimento moral e recuperação de compromissos que lhes pesam desfavoravelmente na economia das reencarnações passadas. Não aplicando corretamente os recursos edificantes, mais se complicam, arrostando conseqüências danosas para eles mesmos.
Igualmente, a mediunidade não constitui sinal de elevação moral ou espiritual…." (p. 95)
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MÉDIUNS SENSACIONALISTAS:

"À semelhança do preparador das veredas, o médium deve diminuir, na razão direta em que o serviço cresça, controlando o personalismo, a fim de que os objetivos a que se entrega assumam o lugar que lhes cabe.
A mediunidade é faculdade amoral, a que os valores éticos do seu possuidor oferecem qualificação.
Posta a serviço do sensacionalismo, entorpece os centros de registro e decompõe-se. Igualmente, em razão do uso desgovernado a que vai submetida, passa ao comando de entidades perversas e frívolas, que se comprazem em comprometer o invigilante, levando-os a estados de desequilíbrio como de ridículo, por fim, ao largo do tempo, empurrando-a para perniciosas obsessões." (p. 99)
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"Todo sensacionalismo altera a face do fato e adultera-lhe o conteúdo. Quando ele se expressa no fenômeno mediúnico, corrompe-o, descaracteriza-o e coloca-o a serviço da frivolidade." (p. 101)
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MEDIUNIDADE E JESUS:

"A mediunidade é, em si mesma, uma faculdade que possibilita o intercâmbio consciente ou não com os espíritos, quer estes se encontrem domiciliados no corpo físico ou fora dele, além da morte orgânica.
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Inata à natureza humana, contribui para demonstrar com segurança a transitoriedade da organização biológica, ao mesmo tempo em que favorece a indiscutível realidade da vida imortal." (p. 103)
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"Descuidada, torna-se veículo de sofrimento; utilizada em espetáculos, concorre para o desequilíbrio e o ridículo; vendida, toma nos perigosos meandros da mentira a serviço da irresponsabilidade; posta em favor do bem, converte-se em portal de luz, abrindo espaços libertadores para os homens e os espíritos." (p. 103)
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"Essencialmente, deve destinar-se à obra de consolação das criaturas, demonstrando-lhes a sobrevivência ao túmulo e reconfortando, também, aqueles que o atravessaram com desaviso, tormento e loucura." (p. 104)
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"Iluminando a consciência do médium e aplainando-lhe o caráter, a doutrina espírita propõe o exercício da faculdade em favor de metas relevantes, nas quais o sacrifício, a abnegação e a caridade do servidor se tornam indispensáveis para o êxito do empreendimento.
Esta conduta é a da mediunidade com Jesus – Protótipo do intercâmbio superior com Deus em favor da humanidade – através de cujo exercício adquire as características essenciais para o seu superior desiderato, auxiliando os homens, encarnados ou desencarnados, a trilharem pela senda renovadora." (p. 105)
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CALVÁRIO DOS MÉDIUNS:

"A mediunidade, exercida com elevação de propósitos, séria e digna, tem sofrido a incompreensão e a agressividade daqueles que gostariam de utilizá-la nos jogos da ilusão e do prazer. Por conseqüência, os médiuns sinceros e honestos, de conduta moral incorruptível, pagam alto preço pela vida moral a que se entregam e por se fazerem dóceis às orientações de seus guias espirituais, que não convivem com idéias, discussões estéreis, rivalidades de indivíduos, grupos, nem sociedades que se entregam ao campeonato da vaidade." (p. 108)
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"O calvário dos médiuns é oculto e deve ser vivido com dignidade, sem queixas ou reclamações, pois que é também o pórtico da ressurreição gloriosa, de onde se alarão às regiões felizes, após cumpridas as tarefas de amor e esclarecimento, de caridade e perdão para as quais reencarnaram." (p. 110)
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MÉDIUNS SEGUROS:

"O esforço constante desenvolvido pelo médium para domar as más inclinações e vencer os impulsos negativos credencia-o à simpatia dos bons espíritos, que nele vêem um instrumento útil para os objetivos elevados do bem."
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"…, o gosto pelo estudo dá-lhe amplitude de discernimento…"
"Toma como diretriz para o equilíbrio pessoal, ao lado da conduta digna, a oração e o recolhimento que lhe fortalecem as energias, amparando a área das percepções psíquicas, que ficam resguardadas das más influenciações.
Não lhe será necessário o isolamento nem a fuga do mundo, a pretexto injustificável de buscar o silêncio e as condições propiciatórias para o ministério.
Lugar algum pode proporcionar esses valores, além do caráter físico de que se revestem. Isto porque, aonde o indivíduo vai, leva consigo a sua individualidade, não se podendo evadir dos hábitos, das construções mentais e aspirações que lhe sejam particularmente apetecíveis." (p. 111/112)
………………….
"O médium seguro é, pois, aquele por quem se comunicam os bons espíritos, inspirando confiança em razão da sua vida de altruísmo e abnegação, de serviço ao bem, de fé e de caridade, não estando exposto à leviandade, nem à influenciação das más entidades, mantendo-se sempre sereno e correto nos momentos de júbilo como de provação, face à confiança que deposita em Deus e à consciência que possui em torno da sabedoria das Suas leis, submetendo-se a Sua vontade como servidor que cumpre airosamente com o seu dever em qualquer circunstância.
Não se deixando iludir pela lisonja dos amigos invigilantes, nem pela perturbação dos adversários gratuitos, e, muito menos, pelas rudes interferências dos desencarnados em desequilíbrio, avança, sem pressa, confiando no resultado da boa sementeira, com os olhos postos no futuro, enquanto, no presente, age com sinceridade e constância." (p. 113)
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MÉDIUNS RESPONSÁVEIS:

"Calçando as sandálias da humildade, em atitude lúcida, que informa ser apenas um instrumento e não o autor dos fenômenos, o médium se precavém dos vapores alucinantes do orgulho que envilece, como do bafio da presunção que o leva às mistificações, quando manifestações autênticas escasseiam"
O médium responsável resguarda-se na prudência e zela pela faculdade, evitando-lhe os choques vibratórios que partem da curiosidade malsã, quando em exibição desnecessária e sob o incenso da vacuidade." (p. 115/116)
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"O estudo sistematizado do Espiritismo é hoje, como foi no passado e será no futuro, uma necessidade que não deve ser postergada sob qual for o motivo que, aparentemente, se apresente como justificado" (Manoel P. de Miranda)

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Sobre aricarrasco

sou simples mas co objetivos e convicções definidos.
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