Vazio Existencial

Vazio Existencial
(Joanna de Ângelis)

A
alucinação midiática, a serviço do mercantilismo de tudo, vem, a pouco
e pouco, dessacralizando o ser humano, que perde o sentido existencial,
tombando no vazio agônico de si mesmo.

O
tempo-sem-tempo favorece a fuga da autoconsciência do indivíduo para o
consumismo tão arbitrário quão perverso, no qual o culto da
personalidade tem primazia, desde a utilizaçào dos recursos de
implantes e programas de aperfeiçoamento das
formas, com
tratamentos especializados e de alto custo, até os sacrifícios
cirúrgicos modificando a estrutura da organização somática.

A
ausência dos sentimentos de nobreza, particularmente do amor,
impulsiona o comércio da futilidade e do ilusório, realizando-se a
criatura enganosamente nos objetos e utensílios de marca, que lhe
facultam o exibicionismo e a provocação da inveja dos menos
favorecidos, disputando-se no campeonato da insensatez.

Em
dias de utopia, nos quais se vale pelo que se apresenta e não pelo que
se é, o eto convencional, os ideais que dignificam e trabalham as
forças normais cedem lugar aos prazeres ligeiros e frustrantes que logo
abrem espaço a novas mentirosas necessidades.

O
cárcere do relógio, impedindo que se vivencie cada experiência em sua
plenitude e totalidade, sem saltar-se de uma para outra apressadamente,
torna os seus prisioneiros cada vez mais ávidos de novidades, por se
lhes apresentar o mundo assinalado pela sua fugacidade.

Exige-se
que todos se encontrem em intérmino banquete de alegrias, fingindo
conforto e bem-estar nas coisas e situações a que se entregam,
distantes embora da realidade e dos significados existenciais.

A
tristeza, a reflexão, o comedimento já não merecem respeito, sendo
tidos como transtornos de conduta, numa exaltação fantasiosa e sem
limite em relação aos júbilos destituídos de fundamentos.

Certamente,
não fazemos apologia desses estados naturais, mas eles constituem
pausas necessárias para refazimento emocional nas extravagâncias do
cotidiano.

Sempre
quando são recalcados e não logram conscientização, inevitavelmente se
transformam em problemas orgânicos pelo fenômeno da somatização.

Muito
melhor é a vivência da tristeza legítima e necessária, em caráter
temporário, do que a falsa alegria, a máscara da felicidade sem
conteúdos válidos.

Nesse contubérnio infeliz, tudo é muito rápido e passa quase sem deixar vestígio da sua ocorrência.

O
agora, em programação de longo alcance, elaborado ao amanhecer, logo
mais, à tarde, transforma-se em passado distante, sem recordações ou
como impositivo de esquecimento para novas formulações prazerosas.

Quando
não se vivencia o presente em sua profundidade, perdem-se as
experiências que ficaram arquivadas no passado. E todo aquele que não
possui o passado nos arquivos da memória atual é destituído de futuro,
por faltarem-lhe alicerces para a sua edificação.

Nessa
volúpia hedonista, o egotismo governa as mentes e condutas, produzindo
o isolamento na multidão e a solidão nos escaninhos da alma.

Todo
prazer que representa alegria real impõe um alto preço pela falta de
espontaneidade, pela comercialização dos seus valores e emoções.

É
inevitável, nesta cultura pagà e perversa, a presença do vazio
existencial nas criaturas humanas, suas grandes vítimas. Apesar da
ocorrência mórbida, bem mais fácil do que parece é a conquista dos
objetivos da reencarnação.

Pessoa
alguma encontra-se na indumentária carnal por impositivo do acaso ou
por injunção de um destino cego e cruel. O vazio existencial consome o
ser e atira-o na depressão, empurrando-o para o suicídio.

Se
experimentas esse vazio interior, desmotivado para viver ou para
laborar em favor do bem-estar pessoal, abre-te ao amor e deixa-te
conduzir pelas suas desconhecidas emoções que te plenificarão com
legítimas aspirações, oferecendo-te um alto significado psicológico e
humano.

Reflexiona,
pois, na correria louca para lugar nenhum e considera a vida a
oportunidade de sorrir e produzir, descobrindo-te útil a ti mesmo e à
comunidade.

Mas,
se insistir essa estranha sensação, faze mais e melhor, esquecendo-te
de ti mesmo, auxilia outrem a lograr aquilo por que anela, e
descobrirás que, ao fazê-lo feliz, preenchido de paz, estarás ditoso
também.

Texto extraído da mensagem psicografada pelo médium
Divaldo P. Franco, do Espírito Joanna de Ângelis. Disponível em:
http://www.divaldofranco.com

***
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Sobre aricarrasco

sou simples mas co objetivos e convicções definidos.
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3 respostas para Vazio Existencial

  1. cristian disse:

    o Amor é a saída para todos os problemas, mas poucas pessoas sabem o que ele realmente significa, um abraço ……

    • John disse:

      Amor, não concordo sofri um acidente de carro aos 8 anos deixou-me com algumas cicatrizes na cara e os dentes lixados na parte da frente da boca parte esquerda,arco superior e inferior,achei o amor da minha vida sou bissexual o nome dele era Ricardo e nunca sai da minha cabeça o acidente que tive,eu sou um pessoa que estou vazia por dentro porque estou num corpo que não era suposto ser o meu devido ao acidente tenho 24 anos e continuo a ter crises existenciais …

  2. Pingback: Os números de 2010 | Aricarrasco's Blog

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