Jesus no Comando

Jesus no Comando


Livro: Há Flores no Caminho
Amélia Rodrigues & Divaldo Franco
http://omensageiro.com.br/mensagens/index_contos.htm

As confabulações íntimas
entre Jesus e os discípulos, quando terminavam as exaustivas tarefas
diuturnas, ofereciam campo aos companheiros tímidos, que não logravam
compreender a dimensão da sublime empresa da Boa Nova, para que se aclarassem
questões nebulosas e mais se aprofundassem no entendimento do ministério
recém-abraçado.

Surpreendidos pela eloqüência
impar da palavra do Mestre, por mais reflexionassem, deixavam-se dominar por
interrogações sucessivas, ao mesmo tempo intentando mergulhar nas reminiscências
trazidas do Mundo Espiritual, quando se haviam preparado para o apostolado
libertador.

Não obstante, envoltos pelo
escafandro material, sentiam-se aturdidos, em face dos conceitos audaciosos e
especiais que lhes eram apresentados, sem alcançarem o sentido exato nem a
total extensão da revolução patrocinada por Jesus…

Vivendo o mundo do corpo no
mundo das paixões, imantados às circunstâncias algo ingratas, era-lhes
difícil abstrair das lições evangélicas as conotações humanas da sociedade em
que se encontravam engajados.

Por isto, permitia-lhes o
Senhor os largos colóquios, a convivência íntima aclaradora de todas as
dificuldades que lhes pairavam nos painéis do discernimento.

Eram aqueles os momentos da
perfeita identificação, em que as almas se abriam ao aroma recendente do Rabi
em termos de amor e de liberdade.

A alocução do Mestre sobre o
perdão surpreendera Pedro, ante a complexidade da benevolência que nos
devemos uns para com os outros, a ponto da necessidade de perdoarmos sempre e
sem cessar…

Os companheiros tiveram
reações diferentes, cada um de acordo com a própria estrutura
temperamental…

O perdão indistinto
colhia-os, inesperadamente, desde que, habituados à dureza do Mosaísmo, defrontavam
o problema da íntima dulcificação, como conseqüência à compreensão das faltas
alheias.

As horas que se seguiram
foram preenchidas pelas reflexões, mesmo depois que o poviléu se espalhou,
retornando aos deveres habituais.

Assim, quando o Amigo se
apresentava em meditação, na casa generosa em que se acolhia, João, o jovem
discípulo, acercou-se, e, sem mais delongas, expôs ao Divino Benfeitor, as
inquietações que o perturbavam.

Narrou as dificuldades que
sentia para perdoar totalmente aos perseguidores e comentou a inevitável
emoção de que se via possuído pela mágoa, quando ofendido.

Havia honestidade e interesse
no aprendiz, desejoso de receber ajuda no problema que o aturdia.

Alongando as considerações
referiu-se aos testemunhos que aguardavam o Senhor e o estado íntimo que o
dominava desde já, em vista da saudade que o colhia por antecipação..

Havia uma dúlcida emoção que
pairava no ar. O grande silêncio parecia sustentado por uma balada suave que
se espraiava na voz da Natureza.

Nesse clima de ternura, o
Mestre, sentindo a alma contrita e devotada do discípulo fiel, respondeu-lhe:

– És jovem, e a juventude
louçã é a quadra da força, da intemperança e da coragem, que não passa de
precipitação… À medida em que a vida premia a experiência com as dores e as
conquistas do conhecimento, a razão sucede à impetuosidade e a harmonia ao
tumulto perturbador. Não obstante, a idade juvenil é o período da
ensementação, em que se prepara o porvir de cuja colheita ninguém se eximirá,
cada um conforme o trato com a semeadura…

Talvez, para permitir que
João se deixasse penetrar pelo ensinamento, fez uma breve pausa, para logo
aduzir:

– A dificuldade em perdoar
está na razão direta da profundidade do amor. Quando se ama,
desinteressadamente, pela empatia do próprio amor, o perdão surge como efeito
natural, facultando a perfeita compreensão dos limites e das dificuldades do
ser amado.

“ Se o amor, no
entanto, é destituído de ampla dimensão e repousa nas bases falsas dos
interesses mesquinhos e subalternos, ou pelo deslumbramento transitório, mais
difícil se faz a solidariedade pelo perdão aos ofensores”

“ Se não há um
vínculo de afetividade, é claro que a revolta, que nasce do amor-próprio
ferido, arme de animosidade a vítima, que tomba, inerme, na reação infeliz,
esquecendo-se de que, por sua vez, um dia necessitará, também, de
perdão…”.

No silêncio que se fez
espontâneo, o aprendiz da palavra de luz percebeu a razão porque o amor é a
alma da vida em todas as suas manifestações, donde defluem todas as
conquistas do esforço moral e das realizações superiores.

Meditava no conteúdo da lição
ouvida, quando o Mestre, pausadamente, prosseguiu:

– Daqueles a quem amamos,
jamais estaremos separados. O Filho do Homem deverá marchar para o testemunho,
comprovando a excelência do Seu amor e sustentando a fraternidade entre
aqueles que Lhe são fiéis.

“O amor é um hálito
vital, que se manifesta e mantém, mesmo quando a criatura se não dá conta.
Assim é conosco. Estaremos unidos e identificados pelo ideal comum… Aqueles
que me amam, sentir-me-ão na presença do aflito e do necessitado, do velhinho
desvalido e da criança em abandono, do enfermo em agonia e do desditoso em
alucinação… Quando lhes distendam as mãos gentis, a mim o farão, e
ouvir-me-ão, ver-me-ão nos seus apelos e lamentos, nas suas aparências e
desditas. Eu lhes falarei, sustentá-los-ei com alento inusitado e entusiasmo
profundo que os animarão ao prosseguimento do ministério até o nosso encontro
final…”.

João tinha os olhos
orvalhados. Estranha emoção dominava-lhe as paisagens íntimas,
dulcificando-lhe as ansiedades.

Nesse momento, Jesus concluiu
a entrevista afetuosa, afirmando:

– “Onde dois ou
três se reunirem em meu nome, eu estarei entre eles
”, como a
lecionar, que no aconchego fraterno, na comunhão entre as criaturas, Ele se
faria presente, sem que deixasse, no entanto, de estar também com os que O
amam em soledade, os que O seguem em silêncio e testemunham-Lhe esse amor em
sacrifício e renúncia…

Nos longes dos tempos as
expectativas delineavam o mundo melhor do amor e do perdão, da fraternidade
com Jesus comandando as consciências e as vidas.

 

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Sobre aricarrasco

sou simples mas co objetivos e convicções definidos.
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