O que é Espiritismo

O que é o Espiritismo

I – A terceira Revelação

O Espiritismo é a última Revelação divina recebida pelos

homens, de acordo com a promessa de Jesus no Evangelho de

João: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim

de que esteja para sempre convosco.” (João, 14:16).

Sua missão é guiar os homens à Verdade, restabelecendo o

ensino do Cristo em sua pureza primitiva e abrindo novos horizontes

à compreensão humana da vida: “Tenho ainda muito que

vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora; quando vier,

porém, o Espírito da Verdade, ele vos guiará a toda a Verdade;

porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido,

e vos anunciará as coisas que hão de vir. Ele me glorificará, porque

há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar.” (João, 16:12-14).

Com Moisés, os homens receberam do Alto a primeira Revelação

da realidade espiritual da vida. Essa revelação, que foi

reunida pelos hebreus na grande codificação da Bíblia, sobrepunha-

se a todas as formas religiosas do tempo, e conduziu o povo

hebraico à concepção do Deus único. Mas na própria Bíblia encontramos

o anúncio da segunda Revelação, do advento do Messias,

que se cumpriu com a vinda de Jesus, oferecendo ao mundo

a mais elevada forma de Religião até então possível. E foi o próprio

Messias quem anunciou, como vimos no Evangelho de João,

a terceira Revelação, destinada a restabelecer os seus ensinos, que

seriam deturpados pelos homens, e a ampliação de acordo com as

novas necessidades da evolução terrena.

A primeira e a segunda Revelações foram pessoais e locais,

transmitidas por Moisés e Jesus a um determinado povo: o hebreu,

incumbido de transmiti-las aos demais povos. A terceira

Revelação não foi pessoal nem local, mas espiritual e universal.

Os espíritos a transmitiram em todo o mundo, através de suas

comunicações, e Allan Kardec as codificou, como os hebreus

codificaram a Bíblia e como os cristãos codificaram o Evangelho.

Os hebreus reuniram os vários livros escritos sobre a primeira

Revelação e deles fizeram a Torah, ou a Bíblia que hoje conhecemos.

Os cristãos tiveram de reunir os vários livros escritos

sobre a segunda Revelação, ou seja, os relatos dos quatro evangelistas,

as epístolas e o Apocalipse, e com eles formar o Evangelho

ou Novo Testamento. Os espíritas, pelas mãos de Kardec, o missionário,

reuniram as comunicações mais esclarecedoras dos

Espíritos do Senhor, que constituíam a Falange Luminosa do

Espírito da Verdade, e com elas formaram a Codificação do Espiritismo.

Assim como a primeira Revelação foi rejeitada por muitos

hebreus, tendo Moisés de agir com energia para impô-la ao seu

povo, e assim como a segunda Revelação foi rejeitada por quase

todo o povo hebreu, a ponto de Paulo precisar levá-la aos gentios

para que ela se difundisse no mundo, assim também a terceira

Revelação foi rejeitada por judeus e cristãos, sendo aceita apenas

por uma minoria. E assim com as igrejas judaicas da época chamaram

Jesus de embusteiro e de instrumento do Diabo, levando-o

à condenação e ao suplício, assim as igrejas cristãs de hoje chamam

Kardec de embusteiro e o Espiritismo de instrumento do

Diabo, tentando aniquilá-lo. Mas assim como as duas primeiras

Revelações triunfaram, a terceira também triunfará. Porque essa é

a vontade do Pai, que está nos Céus.

II – Alicerce de uma nova era

A revelação espírita, ou a terceira Revelação, como seqüência

natural e necessária das duas anteriores, a de Moisés e a do Cristo,

tem por fim estabelecer na Terra uma nova era. O Espiritismo se

apresenta, assim, como o alicerce sobre o qual se erguerá o edifício

da nova civilização terrena.

Não se deve confundir o Espiritismo com uma seita religiosa,

sob pena de não se poder compreendê-lo. Seitas religiosas sempre

houve no mundo, em quantidade, e nunca serviram senão em

sentido local e restrito. O Espiritismo, a exemplo do Mosaísmo e

do Cristianismo, é toda uma revelação, e sua missão é universal.

Assim como o Mosaísmo renovou o mundo antigo e o Cristianismo

reformou a Terra, o Espiritismo tem por fim efetuar uma nova

e mais profunda reforma.

A primeira Revelação, dada aos homens numa época distante,

nos primórdios da evolução da civilização terrena, conseguiu

reformar apenas uma parte do mundo, modificando a concepção

judaica da vida. Os reflexos dessa reforma, porém, se fizeram

sentir por toda parte, graças à dispersão dos judeus. A segunda

Revelação, aparecendo em época mais adiantada, exerceu influência

maior e mais profunda. Sobre os seus princípios construiu-se a

chamada Civilização Cristã, em que ainda hoje vivemos. A terceira

Revelação terá influência ainda maior, não se limitando à metade

da Terra em que se espalhou o Cristianismo, mas envolvendo

o mundo inteiro e fazendo surgir a verdadeira Civilização Cristã,

no cumprimento da promessa do Consolador.

Os próprios espíritas, em geral, ainda não compreendem esse

alcance gigantesco da doutrina. Sem essa compreensão, entretanto,

a visão que podemos ter do Espiritismo se torna bastante estreita.

Essa compreensão nos mostra que o Espiritismo é uma

ideologia e não apenas uma seita religiosa. Como ideologia, como

forma geral de interpretar o mundo e a vida, o Espiritismo encerra

em si os três ramos fundamentais do conhecimento: a Ciência, a

Filosofia e a Religião.

Todas as pessoas que quiserem bem compreender o Espiritismo

precisam pensar na doutrina dessa maneira global. E será

bastante lerem com atenção a Introdução e o Capítulo I de O

Evangelho Segundo o Espiritismo, para terem uma explicação

clara e perfeita do que acabamos de escrever.

III – A Ciência Espírita

Já demonstramos, nesta seção, que o Espiritismo é a terceira

Revelação, na seqüência lógica e natural das revelações cristãs.

Demonstramos, a seguir, que o seu papel no mundo, a exemplo do

que fizeram a primeira e a segunda Revelações (Moisés e Cristo),

é a de reformar inteiramente o homem e a sociedade, com vistas

ao estabelecimento do Reino de Deus na Terra. E demonstramos

ainda que, para cumprir essa missão, o Espiritismo se apresenta

como verdadeira síntese do conhecimento, englobando na sua

estrutura doutrinária os três ramos fundamentais do saber humano:

a Ciência, a Filosofia e a Religião.

Na ordem natural, a evolução se processa em sentido contrário

ao daquele em que colocamos essas palavras. A princípio, o

homem é religioso; depois, aprende a filosofar, e por fim, descobre

a Ciência. Mas, na estrutura doutrinária do Espiritismo, temos

em primeiro lugar a Ciência. Porque, sendo o Espiritismo uma

doutrina, sua origem formal está na razão. A marcha natural da

evolução se inverte no plano racional. Assim, temos primeiramente

a Ciência Espírita, que se constitui da classificação e exame,

observação e experimentação dos fenômenos espíritas.

A Ciência Espírita, ou o Espiritismo Científico, é uma disciplina

que vem sendo elaborada por todos os que se dedicam ao

estudo dos fenômenos de ordem psíquica. Não é trabalho exclusivo

dos espíritas. Pelo contrário, muito contribuíram e contribuem

para a sua elaboração os cientistas materialistas e de variadas

convicções espiritualistas. William Crookes, por exemplo, verificou

os fenômenos e estudou-os antes de ser espírita. Charles

Richet construiu o edifício da Metapsíquica, também antes de se

tornar espírita. Atualmente, Joseph B. Rhine, da Universidade de

Duke, Carolina do Sul, Estados Unidos, fundou a Parapsicologia,

sem ser espírita.

Assim, a parte científica do Espiritismo é a que se refere ao

estudo científico dos fenômenos de comunicação mediúnica,

materialização de espíritos, voz direta, movimentos de objetos,

“raps” ou pancadas, e todos os demais. Esse estudo, comprovando

a existência independente do espírito, e portanto a sobrevivência

do homem, é a base sólida sobre a qual se revelam a Filosofia e a

Religião Espíritas..

IV – A Filosofia Espírita

A Filosofia Espírita é a interpretação dos fenômenos verificados

e estudados pela Ciência Espírita. Esses fenômenos revelam

ao homem a estrutura do Universo, que é a seguinte, como vemos

em O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec: Deus, Espírito e

Matéria. Uma vez constatada essa realidade e descoberto o mecanismo

pelo qual o espírito se manifesta através da matéria, cessa o

trabalho da Ciência, para começar o da Filosofia.

Geralmente se define a Filosofia como reflexão. Enquanto a

Ciência é investigação, é pesquisa, a Filosofia é pensamento,

elaboração mental. A Filosofia Espírita nos oferece, pois, com

base nos resultados da investigação da Ciência Espírita, uma visão

geral do Universo e suas leis. Essa visão é perfeitamente orgânica,

de tal maneira que podemos compará-la a uma grande sinfonia,

dirigida por Deus. Com a regência da divina batuta, a música

universal transpõe os séculos e os milênios.

A Filosofia Espírita, como disse Kardec, pertence genericamente

ao que costumamos chamar Filosofia Espiritualista, porque

a sua visão do Universo não se prende à matéria, mas vai até o

espírito, que considera como causa de tudo o que percebemos no

plano material. Englobando na sua interpretação cosmológica a

Ciência Espírita e tendo como conseqüência a Religião Espírita, a

Filosofia Espírita encerra em si mesma toda a doutrina. É por isso

que O Livro dos Espíritos, obra fundamental da doutrina, não é

propriamente um livro científico ou religioso, mas um tratado filosófico.

Algumas pessoas estranham a forma dialogada desse livro, e

os filósofos e estudantes de Filosofia, em geral, costumam colocálo

à parte, não o considerando obra filosófica. Por que acontece

isso? Porque O Livro dos Espíritos, como já anteriormente aconteceu

com os Evangelhos, não está escrito na linguagem técnica

da Filosofia. Mas a sua estrutura é a de um tratado, os seus problemas

são essencialmente filosóficos e, como se verifica nos seus

prolegômenos, a intenção de Kardec não foi oferecer ao mundo

um tratado sistemático, mas uma Filosofia racional, “livre dos

prejuízos do espírito de sistema”. Esse é o espírito da Filosofia

Espírita, como foi o espírito da Filosofia cristã primitiva, que os

homens acabaram sistematizando e deturpando.

J. Herculano Pires – O Infinito e o Finito

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Sobre aricarrasco

sou simples mas co objetivos e convicções definidos.
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