VALORES DOUTRINÁRIOS

Valores doutrinários.

Allan Kardec afirmou que o Espiritismo silenciosamente iria fazer seu papel de agente modificador, e num futuro próximo iluminaria todos os segmentos da sociedade com sua proposta inovadora, guiando todos os ideais da Humanidade à luz do Evangelho de Jesus. No entanto, o panorama hoje é completamente diverso daquele para o qual se propôs, está sendo transformado em apenas mais uma religião, ora, religião por religião, as pessoas preferem ficar com a que já conhecem. Pois nenhum verniz social terá importância.

Não adiantará ser intelectual pregador, papa ou doutor, rico ou pobre. Religião nenhuma será símbolo de salvação, nada fará diferença, só a experiência intima gravada em cada um, reflexo vivo do amor de Deus a luz do dia. Quem tiver olhos de ver poderá distinguir o Espírito das coisas e não se tornar presa fácil do fascínio e afundar como muitos nesta areia movediça que encanta somente os que amam as futilidades mundanas. Urge refletir sobre a vida, pois neste século esta geração de Espíritas certamente já perdeu as grandes oportunidades, uma vez que já se esqueceram que o tempo pertence a Deus, mas a oportunidade pertence a nós.

Ele, baseado na opinião dos missionários do Alto, afirmou em diversos de seus escritos, que o Espiritismo confirma e revive o Cristianismo, para explicar e aplicar a doutrina do Cristo na vida dos homens. Uma doutrina renovadora que abriria para o homem um enorme leque de possibilidades dando a compreensão devida dos fenômenos da vida. Não falava ele de uma religião mas de uma doutrina. De um corpo de idéias fundamentadas numa realidade da vida cósmica.

Esta doutrina foi idealizada pelas inteligências incorpóreas que vieram ao mundo a pedido do Mestre Jesus, colaborar com o plano de Deus para seus filhos. Foi desenvolvida e devidamente solidificada pelo mestre lionês. É certo que conta com os homens para dar-lhe um rumo seguro e racional, reajustando-a em pontos necessários de acordo com a evolução das ciências, mas não se pode deduzir disso que deve sujeitar-se a interpretações pessoais ou idéias sem fundamento e desvirtuando seu sentido e objetivo básico para a qual veio ao mundo.

A beleza desse ideal, abre para o Espírito encarnado um infinito de oportunidades, mas infelizmente 99 % dos discípulos de Kardec, estão cegos para ele. Se até agora não aproveitaram as oportunidades, só resta aguardar as conseqüências do descaso. Aos espíritas de verdade resta demonstrar com trabalho e amor, a Doutrina em sua pureza na casa onde trabalham ou na via pública, pois a cada dia ficará mais difícil e complicado cumprir nas casas Espíritas, com os ideais abraçados em nome do Mestre Jesus. Na forma como hoje se apresenta, decerto não poderá exercer nenhuma influência significativa nos destinos do mundo nos próximos séculos, nem poderá modificar a sociedade com a proposta de modificar o homem isto só acontecerá se os supostos Espíritas de hoje, honrarem o nobre Gaulês e o pensamento do Espírito de Verdade na figura das futuras gerações.

O fascínio hoje está se desenvolvendo mais rápido e apoderando-se das mentes que lhes são afins. O próprio movimento Espírita está se perdendo, pois os Espíritas não estão se guiando mais pelos pensamentos do Espírito de Vedadede e sim pelas manifestações do instinto em todos os níveis de convite à suprema bafomé. Na ilusão de estarem unificados, transformaram-se numa grande confusão doutrinária. Deixando de observar que estão se tornando vítimas do maior golpe do século, pois cegos não percebem em sua ignorância as portas abertas ao fascínio que hoje domina quase 100 % da família Espírita, deixando a, com um prejuízo moral incalculável.

Os espíritas compromissados com o ideal de kardec sabem da importância dessa mensagem para definir os caminhos da humanidade. Trazendo à tona a pureza dos ensinamentos do Mestre Jesus, terá que fazer o seu papel de Consolador prometido. Para tanto é necessário que todos possam unir-se em torno dos mesmos objetivos, independente de rótulos ou ritos, a fim de que a mensagem possa chegar sem mácula aos que sofrem as agruras do mundo de mamon. O centro espírita, sendo a célula máxima nesse processo de divulgação, terá que se preparar convenientemente para receber de maneira adequada aqueles que o procuram em busca de resposta para suas dores.

É hora pois, de tomada de posturas por parte daqueles que compreendem o verdadeiro sentido da mensagem do Espírito de Verdade. Frente a esse movimento onde predominam o domínio de grupos, a idolatria de vivos, a vazia oratória de cátedra, o fanatismo religioso e a disputa pelos primeiros lugares na festa, faz-se necessário à união dos espíritas sérios para levarem em frente o compromisso de se divulgar e realizar a obra do Espírito Divino junto aos destinos do homem.

Neste grave momento por que passa a humanidade, o papel do Consolador é extremamente crucial para todos nós, e os que têm olhos de ver podem fazer suas avaliações e chegar à conclusão da urgente necessidade de mobilizar forças em torno deste nobre ideal de renovação. Sem o esforço devido dificilmente haverá mudanças, já que a mobilização depende da conscientização de cada um. A união dos espíritas sérios, conforme denominação do próprio Allan Kardec, em torno de um objetivo comum, é portanto, vital para a manutenção de um ideal legitimamente kardequiano. Os que se afinizam com ele estarão em busca dessa união de maneira a garantir a permanência da mensagem divina no mundo, ajudando o homem a compreender as dificuldades pelas quais passa nesta hora de agonia e angústia. Não se trata de estabelecer diretrizes, pois elas já existem, mas de realizar a obra do Espírito de Verdade na Terra, da forma como estava previsto.

Portanto, estejamos livres de preconceitos, rótulos ou outras coisas que possam bloquear esta marcha e busquemos construir e renovar, mesmo divergindo sem, contudo dividir. Este é o grande papel que cabe aos espíritas realmente imbuídos de intenções sinceras na edificação dos destinos da humanidade na terra em direção ao Amor do mestre Jesus.

Vale relembrar a mensagem de Erasto em quando exorta os espíritas ao cumprimento de suas tarefas. Diz ele: “Ide e agradecei a Deus a gloriosa tarefa que vos concedeu. Mas, cuidado, que entre os chamados para o Espiritismo, muitos se desviaram da senda! Atentai, pois, no vosso caminho e buscai a verdade. Podeis reconhecer o verdadeiro espírita pela vitória de seus princípios, porque Deus quer que a sua Lei triunfe e os que a seguem são os escolhidos que vencerão, os que, porém, falsearem o espírito dessa lei, para satisfazerem suas vaidades e suas ambições, esses serão destruídos”.

O mundo está abarrotado de tolices como se sabe. A cada dia surge mais e mais seitas e doutrinas humanas, que pegando carona nos ensinos do Cristianismo, ditam normas, fazem adeptos e atraem incautos para suas fileiras. E dentre os enganados não estão apenas os mais simples, mas aqueles que se dizem bem formados intelectualmente. Esses, muitas vezes sem se aperceberem, dão guarida a doutrinas mundanas, assim chamadas por atenderem unicamente aos interesses da matéria, embora se apresentem muito bem encapadas com rótulos de ciência do comportamento entremeadas por pensamentos espiritualistas que trabalham a auto-estima do ser, na verdade só destrói a capacidade de raciocino criativo.

Nos últimos anos, viu-se alastrar no seio das sociedades doutrinas do egoísmo, do orgulho, da exaltação da personalidade, Pomposamente chamadas de doutrinas de auto-ajuda, fito terapias e outras tantas. Estas falsas filosofias que induz o homem a pensar, que para amar ao próximo o homem precisa primeiro amar-se a si mesmo. Nesse esforço passa toda a sua vida preocupando consigo, freqüentando os divãs dos analistas, bancos de igrejas, palestras em centros espíritas, templos budistas, evangélicos. São pessoas atormentadas, infelizes, insatisfeitas com a vida que levam e que acreditam encontrar a paz e a felicidade nas explicações sobre seus traumas, suas experiências frustrantes, suas complicadas relações com afetos ou desafetos. Perdem muitas vezes, a oportunidade de crescer justamente por se voltar unicamente para si, durante toda uma existência.

Esse pensamento, que permeia a maioria das filosofias superficiais existentes atualmente, encontrou terreno fértil na imaturidade no mundo Espírita. Os livros sobre o assunto assumiram os primeiros lugares em vendas na sociedade. Já se sabe de longas datas, que o homem procura sempre o que é mais fácil. Por preguiça ou ignorância busca sempre os atalhos na esperança de ter menos trabalho, despender menos esforço. Por essa razão, envolve-se com facilidade em coisas dessa natureza, com doutrinas falsas que não exigem muito esforço da criatura e que, pelo contrário, sopram doces palavras de elogios em seus ouvidos, estimulando o tão festejado ego. Acreditam cegamente que o ego é o grande motor de suas realizações. Quanto mais amarem a si mesmos, mais amarão aos outros. É o que pensam e o que ensinam os grandes “doutores” do ensino nas organizações Espíritas.

E nessa ilusão eles vivem, sofrem, fazem sofrer, atormentam-se e escravizam-se cada vez mais em seus problemas, tribulações e dificuldades. Entretanto, Jesus em todos os seus discursos ensinou que apenas um caminho há para que a criatura encontre sua paz interior, o caminho da felicidade verdadeira: a Caridade. Mas a caridade segundo o que Ele ensina, ou seja, a prática absoluta do amor. Segundo os Espíritos superiores, Jesus entende a caridade como benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições alheias e perdão das ofensas. Perguntamos: o que isso tem a ver com o amar a si mesmo? Nada. Mas tem tudo a ver com o amar ao próximo. Ou seja, primeiro se compreende porque se deve e como se deve amar o próximo, e a partir de então se começa a vislumbrar uma prática diferente de vida, cultivando os valores verdadeiros do Espírito, conquistados com a prática desse amor ao próximo. Em resumo, o homem ama o próximo porque já tem o amor em si, que é tanto maior quanto mais ele compreende as leis de Deus e os objetivos da vida.

Jesus, sabedor da natureza egoísta do homem em seu atraso espiritual, colocou a medida do amor no outro e não em si mesmo. O amor que se tem pelo outro é que demonstra a qualidade moral do Espírito e não o contrário. A pessoa que não se dispõe a servir, não se dispõe a amar, e se não se dispõe a amar é porque ainda está preocupado apenas consigo mesma, criando problemas existenciais às vezes inexistentes até aquela oportunidade. Interpelado pelos seus amigos sobre quem era o maior dentre eles, o Mestre demonstrou que o maior era quem servia mais, dizendo: “Eu não vim aqui para ser servido, mas para servir”. Ele se postava como servo e os homens se postam como senhores.

Eis a dimensão do abismo entre o que quer Jesus e o que deseja o homem. Qual razão Jesus teria de nos pedir para atender os nus, amparar os enfermos, visitar os encarcerados, curar as doenças, saciar a fome e a sede dos necessitados, se não fosse para, através da prática do amor ao próximo, construir um edifício de virtudes para o Espírito imortal? Como poderá o homem amar-se primeiro com tanto a fazer pelo outro? Como pode a criatura pretender ser feliz com tanto sofrimento na face do planeta? Só o egoísmo e orgulho do Espírito podem justificar tal pensamento. O amar a si mesmo, portanto, conforme ensina Jesus, foi premeditadamente desvirtuado para atender ao reino de mamon e longe está do entendimento que é dado pelos homens.

Urge que se tenha um outro entendimento sobre esta máxima. Amar ao próximo é a Lei Maior, através da qual o homem alcançará os degraus da sabedoria e da plena felicidade. É necessário que se tenha cautela com os arautos da doutrina do egoísmo que se alastrou pelo mundo e se transformou em uma grave enfermidade moral da qual o homem terá de se livrar um dia, mas que, por agora, envolve com facilidade boa parte do planeta. Ela vem com a capa do bem, do altruísmo, da reforma interior, mas não passa de artimanhas utilizadas pelos Espíritos inferiores para manter o mundo no atraso, mantendo o homem em sua condição de imperfeição. Infelizmente essas entidades infelizes encontram uma multidão de pessoas que lhes dão ouvidos e contam com a ajuda de personalidades importantes, no campo religioso ou fora dele, para semear a inutilidade, passando-se por mestres. Na verdade são cegos conduzindo cegos. Cairão no abismo, conforme profetizou Jesus.

Enfim, a Doutrina Espírita é a materialização do pensamento e vontade do Espírito de Verdade, que vem nos mostrar um novo modo de ver a vida, descortinando horizontes aos olhos dos homens, e trazendo-lhes esperanças, consolações, mas acima de tudo libertação da ignorância, da cadeia reencarnatória e do mundo das formas. Mas, não é uma nova doutrina. Fundamenta-se completamente na moral do Cristo, como agente estimulador do crescimento do homem como um todo. É o Cristianismo redivivo, chamando novamente os homens para suas responsabilidades diante da vida. É o encadeamento dos ideais divinos para a libertação do homem das trevas e o conseqüente despertar para a luz. Moisés abriu a estrada, Jesus continuou a obra, e com o Espiritismo acabará, de resto, é refletir sobre as palavras do Espírito de Verdade, “Todas as verdades se encontram no Cristianismo, os erros que nele se enraizaram são de origem humana”.

 

Anúncios

Sobre aricarrasco

sou simples mas co objetivos e convicções definidos.
Esse post foi publicado em Espiritismo. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s