O Espírita e o Sal da Terra

O Espírita e o Sal da Terra

Jesus enviou Seus discípulos mundo afora para que levassem o evangelho de amor para todos os homens. De início seriam feitas prédicas nos arredores de Cafarnaum, depois a mensagem atingiria os reinos adjacentes, em seguida outros países mais distantes e por fim o mundo todo.

A missão dos discípulos era por demais difícil, exigiria muitos sacrifícios e testemunhos imensos, por isso Jesus exultou a coragem e resignação com que deveriam atingir seus propósitos.

Conversando com seus discípulos Jesus disse:

– “Vós sois o sal da terra. Se o sal perde o sabor, com que lhe será restituído o sabor? Para nada mais serve senão para ser lançado fora e calcado pelos homens”.

– “Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre uma montanha nem se acende uma luz para colocá-la debaixo do alqueire, mas sim para colocá-la sobre o candeeiro, a fim de que brilhe a todos os que estão em casa. Assim, brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus”. (Mateus 5:13-16)

Quando Jesus afirmou que os discípulos são o sal da terra quis dizer que são os responsáveis pela proteção da humanidade contra as influências da corrupção, da maldade, do ódio, da inveja e imperfeições de todos os tipos.

Quando afirmou que são a luz do mundo foi para exaltar a qualidade da fé e o exemplo de suas ações para que a humanidade nisso se espelhasse para atingir o caminho da iluminação e a conseqüente perfeição.

Os discípulos de Jesus são os Seus embaixadores a viajar pelo mundo, exemplificando o Seu evangelho, enternecendo corações, iluminando Espíritos.

Eram tão poucos no início das lides apostólicas que o Mestre pedia que vendessem os seus bens, distribuíssem aos pobres e O seguissem sem que ficassem resquícios de sua vida anterior ao do conhecimento da Boa Nova.

O Mestre precisava que ficassem à Sua disposição em tempo integral, para que o aprendizado fosse contínuo e intenso. O tempo de pregação de Sua doutrina seria de apenas três anos e isso acarretava a necessidade de ensinar o máximo possível aos Seus discípulos. Todos precisavam estar de corpo e alma no empreendimento.

O que Jesus fez foi um curso intensivo das Leis Universais de Deus aos homens. Poucos O entenderam e O seguiram. Muitos dos que Jesus convidou para segui-Lo desistiram nos primeiros passos e estão até hoje em provas pelo mundo.

Jesus enviou Seus discípulos para pregar o evangelho pelo mundo, disseminando a verdade a todos os homens. Os meios de transporte eram precários e utilizavam-se de cavalos, carroças, navios, e na maior parte suas próprias pernas em longas e exaustivas caminhadas. Não foi a toa que milhares dos convidados por Jesus para o banquete de luz desistiram da empreitada frente às dificuldades.

Jesus mandou tomar cuidado com as pessoas e nas cidades onde fossem bem recebidos poderiam permanecer e pregar o evangelho. Onde não fossem bem recebidos deveriam sacudir a poeira das sandálias e seguir em frente.

Recomendou que fossem ágeis como as serpentes e mansos como as pombas, para se prevenirem das maldades humanas.

Cada discípulo valia seu peso em ouro, pois eram depositários de um tesouro imenso dos céus e não poderiam por tudo a perder confrontando os maus homens do mundo. Eram muito poucos os pregadores e seria necessário mantê-los vivos pelo mundo. E os poderosos da terra não mediam esforços para demonstrar seu poder, matando seus adversários sem qualquer comiseração.

Os ensinos do Cristo deveriam ser espalhados pelo mundo para dar gosto à vida, tal qual o sal deve realçar o sabor dos alimentos: na medida certa, sem imposição, sem violência, com amor e caridade.

Mas não foi isso que se viu no desenrolar dos séculos.

Jesus ensinou os discípulos a andar pelos caminhos ásperos da vida com a lealdade que o Pai exige, com a caridade que o homem espera, com a fé que o coração estabelece, com a dignidade que o próprio servidor institui.

Os primeiros apóstolos trabalhavam durante o dia para manter o seu sustento e o da casa onde serviam. Saulo de Tarso, doutor da Lei, ao se converter no grande apóstolo dos gentios, Paulo de Tarso, desenvolveu a profissão de artesão no deserto de Palmira e continuou a exercê-la até que suas forças permitiram.

Até pouco mais do ano 300 d.C. o Cristianismo manteve-se puro tal qual nos tempos de Jesus. Com a instituição do Cristianismo como religião oficial do Estado Romano, muitos costumes pagãos de Roma foram incorporados à Doutrina do Cristo, deturpando-a em muitos pontos.

O Cristianismo puro foi modificado ao gosto dos poderosos da época com dezenas de dogmas. Depois o Cristianismo foi absorvido pelo Catolicismo, que estabeleceu a hierarquia e o poder do clero, estabeleceu a “santa” inquisição onde mataram os que julgavam serem seus inimigos, incentivou as cruzadas, vendeu indulgências e pedaços de terra no céu, provocando a Reforma com a conseqüente criação de diversos ramos religiosos cristãos.

O poder das igrejas passou a valer mais do que a essência espiritual do homem, a aparência mais do que o conteúdo, lembrando o ensino de Jesus que disse aos fariseus: -“São como túmulos caiados, bonitos por fora, mas cheio de imundícies por dentro”.

Fórmulas e números de repetições de rezas estabeleciam o ritmo dos pedidos e das intervenções. Dez ave-marias e dois pais-nossos passaram a valer mais do que a conversa íntima e sincera com Deus.

A doutrina do Cristo foi esquecida em sua pureza e essência imaculada. Os antigos Apóstolos e discípulos tornaram-se santos e suas obras tidas como milagreiras. Passou-se a crer que os seus feitos estavam acima das possibilidades humanas e o que tinha que ser feito pelo Cristianismo ficou além de qualquer condição humana.

Nos 2000 anos decorridos da vinda de Jesus, muitos foram os que não se mantiveram presos ao pensamento de que nada podiam fazer.

Santo Agostinho, Antonio de Pádua, Clara de Assis, Tereza D´Avila, Allan Kardec, Bezerra de Menezes, Eurípedes Barsanulfo, Chico Xavier, Madre Tereza de Calcutá, Francisco de Assis, dentre outros intimoratos cristãos fizeram o seu caminho rumo a Deus, estabelecendo diretrizes de trabalho calcadas na caridade e no amor ao próximo. Pugnaram pela pureza da doutrina de Jesus, amando-O acima de qualquer coisa.

E o Espírita? O que se espera dele? O Espírita não é mais do qualquer pessoa, aliás, é aquele de quem muito se pedirá porque muito recebeu. Por quê? É aquele que recebeu a informação espiritual através do conhecimento de leis universais de Deus tais como: Lei da Causa e do Efeito, Lei da transmigração das almas, Lei da reencarnação, Lei do progresso dos mundos e dos Espíritos, Lei da comunicação entre encarnados e desencarnados, dentre outras.

Conhecendo essas leis o Espírita abre as portas do mundo material e espiritual para saber que “fora da Caridade não há salvação”. O Espírita é cônscio da responsabilidade que tem em divulgar o evangelho de Jesus, não apenas em palavras, mas em atos, para que possa servir de exemplo ao próximo.

Deve trabalhar para ganhar o seu sustento e assim nada cobrar pelo seu trabalho no Espiritismo, seguindo o ensino do “Dar de graça o que de graça recebeu”.

O Espírita deve assemelhar-se aos discípulos dos tempos do Cristianismo Apostólico que imolavam sua vida em amor a Jesus. O Espírita deve ser um homem comum que busca todos os dias afastar-se do mal e dos vícios, para ter a proteção dos bons Espíritos.

Relembramos uma passagem ocorrida com Bezerra de Menezes que foi questionado por um Espírito sofredor acerca da diferença entre eles: enquanto ele estava cheio de trevas e de dores, o Dr. Bezerra apresentava-se pleno de luz. O médico dos pobres lembrou ao irmão de infortúnio que entre eles havia apenas uma diferença: – “Enquanto você procura as trevas eu procuro a luz”.

Os Espíritas também são mandados ao mundo para pregar a palavra de Jesus, auxiliando na renovação dos homens e do planeta.

São também o sal e a luz do mundo como o eram os Cristãos dos tempos Apostólicos.

Assim, concorda em trabalhar com afinco para merecer a luz que adentra o seu coração, pois sabe que deve lutar com todas as forças para ser digno de ser chamado “discípulo de Jesus”.

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Sobre aricarrasco

sou simples mas co objetivos e convicções definidos.
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